Especialistas condenam demora do Isofix

Resolução do Contran torna dispositivo obrigatório até 2020. Para associação de defesa do consumidor prazo deveria ser menor

Por Marcelo Moura // Fotos: Divulgação

O Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) publicou nesta segunda-feira (2) no Diário Oficial da União a Resolução do Contran nº 518, que obriga todos os carros novos a oferecerem cinto de três pontos em todos os assentos, encostos de cabeça e pelo menos um ponto de fixação Isofix (confira mais detalhes abaixo) para cadeirinhas até 2020. Para modelos inéditos a medida é um pouco mais rígida: qualquer carro lançado a partir de 2 de fevereiro de 2018 terá que oferecer os itens acima.

No papel tudo é lindo: a resolução aumenta consideravelmente a segurança dos passageiros, principalmente das crianças, já que o sistema Isofix é comprovadamente mais eficaz.  Mas e na prática, o que isso significa? “É ótimo que a resolução tenha sido, enfim, aprovada. Mas é lamentável dar um prazo de até cinco anos para a adequação”, afirma Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

A resolução já havia sido sugerida e defendida pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e outras associações, como a Proteste, há anos. “Não é um tema novo. Já estamos cansados de debater sobre isso. Com o Isofix no Brasil em um prazo menor poderíamos estar salvando vidas”, explica.

DEDO DO INMETRO

Em outubro do ano passado o Inmetro finalmente publicou a Portaria 466, que certifica o sistema Isofix e estabelece um prazo de até 12 meses para que os fabricantes se adequem às novas normas. Procurado por Car and Driver, o órgão afirma não conseguir informar com precisão quantas cadeirinhas com o sistema são vendidas no Brasil atualmente, já que o prazo de adequação ainda está valendo. De acordo com os dados do Instituto na época da publicação, apenas cinco modelos estavam disponíveis no País.

Com a obrigatoriedade e o prazo longo, a expectativa é que esse número cresça exponencialmente nos próximos anos.  “A Resolução não pegou ninguém de surpresa. Nem fabricantes de cadeirinhas, nem montadoras. Agora basta as marcas seguirem o que já fazem há muito tempo lá fora, nos Estados Unidos e na Europa – onde o sistema Isofix já é padrão há muitos anos.”, explica a coordenadora.

O QUE É ISOFIX?


Reconhecidamente mais seguro que o método tradicional de fixação, o Isofix consiste em barras de aço soldadas à estrutura do veículo que se encaixam em duas travas de fixação na base da cadeirinha. Com uma ancoragem sólida, a cadeirinha reage melhor ao impacto em caso de acidente, evitando o efeito “estilingue” e aumentando a segurança da criança.

O sistema também é muito mais fácil de fixar, eliminando os incômodos malabarismos com o cinto de segurança. Porém, segundo o Inmetro, apenas 5% dos carros vendidos no Brasil atualmente possuem o sistema. Apesar disso algumas montadoras, como a Ford, já previam a decisão: conforme apurado por Car and Driver no lançamento do Ka, em agosto do ano passado, a marca já preparava naquela época o desenvolvimento do compacto com Isofix.

 

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