Comércio de engate vira prioridade de fiscalização

Lojista que oferecer acessório não homologado pelo Ipem pode pagar multa de até R$ 30 mil

Por Cauê Lira // Fotos: Divulgação

 As vendas dos polêmicos engates instalados na traseira para proteger os para-choques de possíveis arranhões será mais fiscalizada. Conforme apurado pela reportagem de Car and Driver, o IPEM-SP (Instituto de Pesos e Medidas) informa que haverá uma intensificação da fiscalização de componentes automotivos no comércio, incluindo engates. Segundo o órgão vinculado ao Governo do Estado de São Paulo, não haverá acréscimo no número de fiscais, mas a inspeção no comércio de componentes automotivos será uma das prioridades do Instituto em 2015. Análises serão elaboradas pelos especialistas em metrologia para identificar as áreas de comércio mais ativo, e assim intensificar sua fiscalização.

Aqueles que forem pegos com o acessório não homologado pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) instalado no carro podem receber multa, dos agentes de trânsito, no valor de R$ 127, cinco pontos na CNH e apreensão do veículo até sua regularização, de acordo com a resolução de 2008. Além disso, a penalidade pela venda de engates não homologados vai de R$ 800 a R$ 30 mil reais, o que foi estabelecido em 2009. A fiscalização será feita pelo IPEM de cada estado do Brasil. 

Os perigos do engate

Mas o risco que se corre ao ter um engate irregular instalado na traseira vai muito além da multa.  De acordo com o engenheiro Alessandro Oliveira, da comissão técnica de Segurança Veicular da SAE BRASIL, o engate geralmente preso às longarinas (que dão estrutura ao monobloco do carro), elimina a zona de deformação em caso de colisão traseira. No caso de uma batida, a energia da colisão é integralmente transmitida para a parte rígida da carroceria. Assim, o impacto pode causar lesões aos ocupantes caso o engate não seja homologado pelo INMETRO.

Oliveira explica que o uso do engate como proteção em uma possível colisão é um tiro que sai pela culatra. “As longarinas são partes estruturais no veículo. Em uma colisão acima de 10 km/h, o engate pode rasgá-las e causar um prejuízo muito maior que a substituição do para-choque” diz ele. “Como engenheiro, vejo o engate como um utensílio sem função alguma. O barato acaba saindo caro",  diz o engenheiro.

Ele também acentua o acoplamento errôneo dos engates. “Algumas pessoas fixam os engates na caixa de roda. Não há tomada para colocar sinalização no reboque, sem contar os danos estruturais que isso pode causar. O lugar correto para a acoplar o engate é informado pela fabricante do veículo”, explica Oliveira. 

Apesar de todos esses problemas, alguns fabricantes expressam aumento nas vendas do acessório. Em 2014, a fabricante Cequent, uma das maiores do segmento no Brasil, registrou crescimento de 20% na comparação com o ano anterior tanto no que se refere à  produção quanto ao faturamento. Portanto, para evitar transtornos, vale a pena se informar com o fabricante do veículo para saber o lugar correto para acoplar o engate e se certiticar de que o acessório está devidamente homologado.  

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