Bate-papo: Justin Pate, rei do envelopamento

Entrevistamos um dos principais profissionais da área durante evento em SP

Por Nícolas Tavares // Fotos: Sandru Luis e Leonardo Gali

Moda nos últimos anos na personalização de veículos, o envelopamento veio para ficar. No final da semana passada (9), durante a feira Serigrafia SIGN FutureTEXTIL, aconteceu a quarta edição do Campeonato Brasileiro de Envelopamento Automotivo (Cambea). Um dos destaques do evento foi a presença de Justin Pate, especialista na área com 18 anos de experiência.

O campeonato é organizado pela Alko, fabricante de plásticos e dos adesivos usados no envelopamento. O estande contava com três atrações: o Cambea Pró é o campeonato brasileiro, do qual participam apenas duplas profissionais e que devem envelopar um carro em cinco horas com qualidade. Os visitantes podiam participar da brincadeira no Cambea Fest, envelopando um capô em 15 minutos, sem custo algum. A última atração foi a tentativa de quebrar o recorde mundial de envelopamento usando um sedã Mitsubishi Lancer - não deu certo, a equipe de nove pessoas levou 27 minutos e 28 segundos. O recorde anterior é de 26 minutos e um segundo, feito na edição de 2013.

Marcelo Souss, diretor de marketing da Alko e organizador do Cambea, diz que tirou a ideia de uma demonstração feita em um evento nos Estados Unidos. "As pessoas paravam para olhar o trabalho e aquilo acendeu uma luz que disse 'é isso, temos que levar para o Brasil'", explica Marcelo.

Em outro evento, Marcelo viu Justin vendendo DVDs com seus trabalhos e acabou comprando três deles. "Naquela noite, no hotel, assisti um DVD e meio de uma vez só", brinca. "Quando voltei ao Brasil, mandei um e-mail e combinei de me encontrar com ele na Alemanha (onde Justin mora atualmente). Mostrei o material da empresa e disse que queria trazê-lo para cá."

Aproveitamos o evento para bater um papo com o mestre do envelopamento:

C/D: No Brasil, o envelopamento é algo novo, com pouco mais de quatro anos. É algo temporário, como foram as pinturas e decalques à moda de Velozes e Furiosos?

JP: Nos EUA e Europa, a tendência começou em 1994 e eu comecei a trabalhar com isso dois anos depois. A procura pelo envelopamento foi crescendo ao ponto que há um movimento chamado "Paiting is Dead" (Pintura está Morta), porque vale mais a pena envelopar o carro do que pintar - é mais rápido, mais barato e, se cansar da cor, é só tirar o adesivo e colocar outro. Então o envelopamento veio para ficar.

C/D: Há muita diferença de técnica, estilo e custo entre o Brasil e os outros países?

JP: O material usado no Brasil, chamado Calandrado, é mais espesso e é bem diferente do que é usado no resto do mundo, que prefere o Cast, mais fino. Dependendo da fabricante, o material pode ser inferior, mas os brasileiros mostram que conseguem compensar isso com habilidade na hora de aplicar o adesivo. Como é fabricado no Brasil (a Alko o produz em Guarulhos, São Paulo), o custo acaba sendo equivalente ao que é praticado lá fora. Claro que, se você pedir que façam com o material Cast, o preço sobe bastante.

Outra diferença é que ainda estão muito presos ao carro de uma única cor, enquanto no exterior é fácil ver um veículo com um adesivo que conta com uma ilustração bem trabalhada. É claro que também temos muitos carros com o clássico adesivo preto com aparência de fibra de carbono.

C/D: Como é a evolução dos equipamentos usados na hora de envelopar um carro?

JP: Um bom profissional precisa apenas de um estilete e uma espatula - fiz mais de 2 mil carros apenas com isso. É claro que as novas tecnologias ajudam muito, como o soprador térmico. Estou sempre viajando pelo mundo e observando como cada país trabalha.

C/D: Você acredita que o trabalho feito no Brasil chegará ao mesmo nível que no exterior?

JP: Com certeza. O mercado no Brasil é recente, com cerca de quatro anos. Hoje, vejo uma nítida diferença na qualidade do trabalho em comparação com minhas primeiras visitas ao país.

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