Chevrolet Onix

por Lucas Litvay / Projeções: João Kleber Amaral - publicado na edição nº 55 (ago/2012)

Era inverno de 2009 no hemisfério norte. Enquanto nos andares mais altos do edifício Renaissance Center, o QG mundial da GM em Detroit (EUA), o plano do governo americano de socorro à empresa era discutido (as ações haviam desabado para menos de US$ 1 meses antes devido à desconfiança dos investidores sobre o futuro da empresa), nos primeiros pisos, uma delegação brasileira composta pela cúpula da GM no País apresentava os planos da marca para o Brasil. Em termos básicos, a estratégia era renovar por completo a linha de produtos da Chevrolet no País convencendo a matriz a aceitar abrir mão de US$ 2,5 bilhões em remessas de lucros para que o montante fosse aplicado no País. Detroit aceitou.

Entre tantos projetos (GMI700, GSV, Viva Pu, PM7, J300) um se destacava: o Onix. “Foi o que exigiu mais trabalho para ser aprovado por causa do alto valor de investimento”, recorda uma fonte ligada à fábrica. Para produzir o carro que ilustra estas páginas (tanto no hatch quanto no sedã), a GM gastou US$ 1 bilhão, boa parte na adaptação da fábrica de Gravataí (RS), onde a capacidade de produção foi ampliada para 380 mil carros/ano – há três anos, era de 230 mil. O início da fabricação está agendado para agosto. O hatch será a principal atração do estande da Chevrolet no Salão do Automóvel de São Paulo, que acontece em outubro. E será o último dos sete lançamentos previstos pela marca em 2012. No início do ano que vem, chega a versão sedã. Caso não aconteça mudança de última hora, o carro se chamará Onix, “sem acento, como o Omega”, diz a fonte. A GM já registrou no Inpi o nome, assim como o domínio www.chevroletonix.com.br na internet.

Chevrolet Onix

Caprichado

Pouco mais de um ano depois da reunião em Detroit, os fornecedores começaram a receber as primeiras cotações de peças do Onix. O desenho foi criado pelo centro de design da GM em São Caetano do Sul e a elaboração do carro contou com a colaboração da Coreia, país responsável pelo desenvolvimento de carros compactos na GM. Com a ajuda de contatos nas empresas fornecedoras e de fotos de flagra, projetamos as linhas de toda a família Onix, tanto na versão hatch quanto na sedã. Quem já os viu garante que os carros exibirão esse desenho.

Chevrolet Onix

Tabela linha ChevroletNa dianteira, os designers criaram faróis espichados que invadem boa parte do para-lama, além de uma grade avantajada – bipartida e filetada. Alto, o capô será curto e o para-brisa ficará levemente inclinado, “como era a ideia original no Agile.” A lateral será marcada por um forte vinco ascendente, como no Sonic. Atrás, o hatch terá lanterna com desenho caprichado e que avança sutilmente pela lateral. A tampa será mais clean, a fim de baratear o custo de produção. Desde a versão mais simples, a LS, o Onix terá aerofólio. Assim como no hatch, o sedã terá a placa posicionada no para-choque. O vidro traseiro será bem inclinado e a tampa do bagageiro, curta. As alças invadem o interior do porta-malas, mas a capacidade de bagagem será maior que a do Prisma (439 litros), carro que sai de linha com a sua chegada. A propósito, o sedã mata o Prisma e ocupa o lugar do Corsa Sedan, que já morreu. O hatch sucede o Corsa. Já o Celta se mantém como o compacto de entrada da marca. O Classic faz esse papel na parte dos sedãs (veja na tabela como fica a linha Chevrolet após o fim do processo de renovação).

 

Chevrolet Onix

R$ 30 mil

Feito sobre a plataforma Gamma II, usada nos recém-lançados Cobalt e Spin, o Onix hatch terá medidas próximas às do Corsa. Ou seja, 3,8 m de comprimento e 2,5 m de entre-eixos, com porta-malas de 260 litros. Crescê-lo atrapalharia a vida do Sonic, diz outra fonte da GM, que antecipa que o carro deverá partir de R$ 30 mil. A opção mais cara, a LTZ, virá de série com direção hidráulica, ar-condicionado, rodas de liga leve de 15 polegadas, dois air bags e ABS. A qualidade dos materiais usados na cabine será acima da média, garantem os fornecedores, que afirmam que o Onix dividirá muitas peças com o Cobalt, como o quadro de instrumentos que traz velocímetro digital. Na foto de flagra do interior, que vazou na internet e foi publicada pelo site Auto Realidade, pode-se observar que, na versão mais cara, as maçanetas internas, assim como as molduras das saídas de ar, serão cromadas.

A princípio, o Onix será oferecido apenas na versão com transmissão manual. Mas a engenharia da GM desenvolve a opção que traz câmbio automatizado. Nas duas carrocerias, a novidade será vendida com motor 1.0 de até 78 cv e 9,7 mkgf de torque e 1.4, de 105 cv e 13,4 quilos de força. Uma unidade com apelo esportivo está sendo preparada para ser exibida no salão, mas, de acordo com os interlocutores, trata-se só de um carro de exibição, ou seja, não há planos de uma versão mais nervosa para o Onix. “Será um carro com forte apelo no custo-benefício”, diz a fonte. Ninguém na GM esconde a alta expectativa com a novidade. A meta a ser atingida é clara: o Gol e as primeiras posições no ranking de vendas. Ambição tão alta quanto o investimento para isso.