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Por João Anacleto // Projeções: João Brigato

Eis o que será o novo Focus que chega ao Brasil em 2018. Mas talvez a foto não explique a importância que ele terá. O novo hatch vem para preencher lacunas que serão deixadas pelo Fiesta. Isso mesmo. Não teremos a nova geração do Fiesta europeu. O compacto que renasceu e agora quer brigar com carros como o Honda Fit subiu no telhado. Sim, o Fiesta nacional passará por mudanças, mas não é nada daquilo que os europeus terão. Já o nosso Focus será o mesmo carro desenvolvido, produzido e pensado para a Europa. Aqui ele terá uma linha abrangente, que fará intersecção em preços com o Fiesta mais caro e o Fusion mais barato.

FIM DO “ONE FORD”

O Focus, aliás deve ser um dos últimos produtos sob o conceito One Ford, concretizado pelo ex-presidente da empresa Alan Mulally no final de 2006. A marca começa a retomar o caminho da regionalização, onde cada parte do mundo tem produtos que atendam as suas necessidades, e o próprio Fiesta será prova disso. Já há indícios da mudança no Focus que você vê nas nossas projeções. No entanto, todo o desenvolvimento do carro está sendo baseado nas perspectivas europeias do que é ser um bom hatch. Por lá a briga com Vauxhall/Opel Astra e VW Golf, dois dos melhores hatches médios do mundo, é permeada por evoluções constantes. O Ford atual ainda dorme nos louros da fama, mas já não entrega tecnologias de ponta às massas como se dispôs a fazer quando nasceu.

A nova geração flutua em torno da eficiência e da diminuição de peso do carro. A coordenação dos trabalhos está a cargo de uma equipe europeia, liderada por Darren Palmer, que foi o responsável pela nova geração do Fiesta e que adaptou o Ford Ka – indiano – ao gosto europeu, e que colhe um inesperado sucesso por lá. Pelo que já se sabe, a Ford usará a mesma plataforma global e modular para veículos do segmento C, que é usada no Focus atual, mas passará por uma série de modificações. Passando pelo desenho, que tem mudanças leves na dianteira e drástica na traseira, acompanhando o que se fez com o Fiesta.

AGILIDADE

Mas principais diferenças estão em como a marca pensa seu novo hatch médio. Espera-se que ele tenha uma distância entre eixos maior, para sanar de vez as críticas quanto ao espaço interno, e que o porta-malas seja um pouco mais honesto que os 316 litros atuais. Mais diferenças serão vistas no acabamento. Assim como o Fiesta, o Focus terá o layout do painel racionalizado, com menos botões e bom destaque para a interface do multimídia, com monitor tátil de 8” e adequação para as plataformas Apple CarPlay e Android Auto. 

Quanto ao nível de equipamentos, apesar da simplicidade das formas e dos desenhos internos, a marca não descerá degraus na qualidade. Controles de estabilidade, tração e vetorização do torque estarão em todos os carros, assim como o câmbio automático, que não será mais o Powershift, automatizado de dupla embreagem, e sim uma de seis marchas com conversor de torque. É bem provável que ele tenha três, ou até quatro versões de acabamento, com boa distância entre o modelo de entrada e o topo de linha.

MOTORES

Sob a nova carroceria, o hatch tentará entregar ainda mais agilidade e se livrar da nova fama de carro pesado, que a inclusão de uma parafernália de equipamentos lhe causou. A Ford garante que ele manterá o conforto da suspensão e terá uma direção direta e incisiva como sempre. Sobretudo porque deve usar buchas mais rígidas na suspensão traseira, que melhoram o rendimento dos braços independentes. Isso fará com que o hatch volte a dispor da velha agilidade que não se vê desde a primeira geração. O aumento do uso de aços de alta resistência na construção ajudará a potencializar a sensação dinâmica.

Embora na Europa ele vá contar com a versão esportiva ST, e uma 4x4 de estilo aventureiro chamada de Active, por aqui as ofertas serão voltadas para o consumidor citadino. Estarão disponíveis duas opções de motor 1.0 Ecoboost. Uma com 125 cv, que já equipa o Fiesta Ecoboost, e outra de 140 cv, ainda inédita no Brasil. Estes números poderão ser ainda melhores considerando o uso do sistema flex. Acredita-se que bebendo etanol, eles passem a 130 cv e 150 cv respectivamente.

Este Focus também será o primeiro a contar com uma versão híbrida, disponível para o mercado brasileiro, e com uma 100% elétrica que nos primeiros dois anos só deve rodar nos EUA e na Europa. A Ford conseguiu progressos em larga escala com a tecnologia de suas baterias, e promete entrar de vez no jogo que vai dominar a próxima década.

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