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Por João Anacleto // Fotos: Reprodução // Projeções: João Kleber Amaral

Mal experimentamos o novo Ford Fiesta com motor 1.0 Ecoboost e eis que surgem flagras do que será o Fiesta em 2018. O futuro hatch deve dar as caras no próximo Salão de Paris, em setembro, e debutar na Europa no primeiro semestre do ano que vem, provavelmente com apresentação de gala durante o Salão de Genebra, em março de 2017.

Seguindo a estratégia global One Ford, a estreia em terras brasileiras deve acontecer em meados de 2018. Um justo descanso à atual geração, que no ano que vem completará nove anos no Velho Continente, e seis anos por aqui.

SEM REINVENÇÃO

A plataforma da 7ª geração usa a base do Fiesta atual, mas foi alongada para dar a ele o ar superior que lhe falta frente ao Ka. Não é segredo que o hatch mais barato da Ford cativa pelo espaço interno bastante razoável, acompanhado de acabamento semelhante ao do próprio Fiesta na versão 1.5 SEL. Na Europa, a história se repetiu. Lançado no último mês como Ka+, ele foi largamente elogiado por manter os padrões dinâmicos da marca e ser melhor que o Fiesta quando o assunto é, com o perdão do palavrão, habitabilidade.

Ainda que o Fiesta seja o compacto mais vendido por lá, a Ford preferiu não reinventá-lo com uma plataforma feita a partir do zero, e sim adaptá-lo a um novo mundo sem perder a essência, no qual enfrenta concorrentes maiores e mais bem acabados em sua faixa de preço. Por isso, acredita-se que não seja complicada a adaptação da linha de montagem do carro em São Bernardo do Campo (SP).

Novo Fiesta

Segundo apuramos, o Fiesta deve crescer entre 8 cm e 10 cm no comprimento, especialmente na porção traseira, incluindo aí espaço para os passageiros e porta-malas, e mais alguns centímetros na largura do seu corpo. Não é de hoje que quem dirige um Fiesta se sente mais apertado do que quando entra em um Ka, ou até mesmo nos concorrentes.

Hoje, tais mudanças o colocariam para brigar em igualdade contra Honda Fit, por exemplo, e até beliscar os calcanhares de hatches médios, em vez de disputar com versões mais caras de HB20, VW Fox e Citroën C3, como ocorre atualmente.

NARIZ ALONGADO

Já a carroceria manterá certa semelhança com a silhueta atual. Contudo, ele parece mais maduro e sóbrio em suas linhas, se comparado às radicalidades e vincos da geração atual. Na projeção você percebe que o novo Fiesta herdará a genética do Ford Fusion, o sedã grande da marca, com a grade marcante a lá Aston Martin, o nariz um tanto proeminente e os faróis bem afilados e geometricamente desenhados, como a lâmina de um estilete.

Este Fiesta conduz o carro a um novo padrão estilístico e terá um quê de hatch médio, sem fugir dos leves ares de carro familiar. Muito porque as marcantes lanternas traseiras verticais, que sempre sugeriram certa esportividade ao hatch, darão lugar a outro conjunto, horizontal, algo que não acontecia ao Fiesta desde que a 5ª geração do carro, produzido a partir de 2002 em Camaçari (BA). Uma barra cromada unindo as duas peças e a nova coluna traseira suprimem a imagem que você sempre teve sobre ele. Sim, ele continua indefectível, mas transmite o frescor de toda novidade.

CARTA NA MANGA

Novo Fiesta

Sob o capô, estará a novidade que você conheceu no Fiesta atual nas últimas semanas. O motor 1.0 Ecoboost de 125 cv de potência e 17,3 mkgf de torque será o timoneiro na nova empreitada. Seu torque superior ao do 1.6 deve pesar na hora de tirar da inércia o peso extra, provocado pelo crescimento forçado do Fiesta. Ainda não há informações concretas sobre a continuidade da família Sigma, tanto nas versões 1.5 quanto 1.6. A tendência é que sejam naturalmente deixados de lado ao longo do tempo, pois perdem de longe em eficiência e desempenho para a geração Ecoboost.

A Ford tem também mais uma carta na manga em busca de conjuntos mais eficientes para espalhar seu logotipo no mundo como hidrogênio. Um motor 1.5 de três cilindros aspirado, capaz de desenvolver 130 cv de potência, pode estrear justamente nesta nova geração do Fiesta e sepultar de vez a família Sigma nos EUA e na Europa.

Ele equipará também as versões esportivas. Com a aplicação de turbo, sua potência pode ultrapassar 200 cv sem muito trabalho. Mas não há informações de que este motor chegue ao Brasil junto com o modelo novo. 

Segundo fontes ligadas ao desenvolvimento do carro para o Brasil, os motores continuarão sendo o 1.0 Ecoboost e o 1.6 16V Sigma, ambos com opções de câmbio de cinco marchas manual e automatizado Powershift, de dupla embreagem e seis marchas.

O que parece certo é que, por aqui, o Fiesta erguerá o sarrafo dos preços do segmento dos compactos, ou compactos Premium, como preferir. Deverá se posicionar na faixa entre R$ 65 mil e R$ 75 mil, seguindo os passos do Fiat X6H, que veremos já no ano que vem substituindo os hatches Punto e Bravo numa só tacada.

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