T-Cross BreezePor Raphael Panaro // Projeções: João Kleber Amaral // Fotos: Divulgação

Quatro novos modelos até 2020 no Brasil. Nova plataforma baseada na moderna MQB. Conceito Taigun descartado, enquanto o T-Roc deu origem ao novo Tiguan. Protótipo de um SUV está no Salão de Genebra (Suíça). Ligue os pontos e você vai descobrir, nesse dossiê especial, que a Volkswagen vai, finalmente, se movimentar no segmento mais bombado que o Thor Batista: o de utilitários compactos. Isso só deve acontecer no fim de 2017, mas o futuro SUV será vendido e produzido no Brasil.

O carro em questão é esse aí das imagens. Ele atende provisoriamente pelo nome de T-Cross Breeze Concept. E tem um brasileiro por trás de suas linhas: Thiago Carfi. A VW, no entanto, tenta esconder sua versão final. Prova disso é que o conceito veio conversível e com apenas duas portas.

POR PARTES

Mas fique calmo. Apesar do devaneio da VW, a versão de produção terá solução mais tradicional, com teto fixo e quatro portas, como na projeção. Para quem curtiu o Range Rover Evoque Conversível, o Breeze pôde ser admirado no estande da Volkswagen na exposição suíça, que foi até o dia 13 de março.

Voltemos ao princípio. A confirmação que a VW terá quatros veículos inéditos até 2020 foi feita por David Powels, presidente da marca no Brasil. Os modelos fazem parte do investimento de R$ 10 bilhões destinados ao País entre 2014 e 2018. Parte – ou grande parte – desse montante está voltado à produção de uma nova plataforma que estará nas três fábricas da marca aqui: São Bernardo do Campo, Taubaté (ambas em São Paulo) e São José dos Pinhais (PR). A estrutura é uma variação simplificada e menor da MQB – usada atualmente no Golf e em outros carros da VW e Audi. 

T-Cross Breeze

Chamada de MQB A0 (a-zero), a base será inaugurada pela nova geração do Polo na Europa e pelo T-Cross, no Brasil. E ainda estará em uma série de modelos compactos da VW. Aí é que entrarão as novas gerações do Gol e Voyage, que acabaram de ganhar discreta reestilização e devem mudar completamente em 2018 ou 2019.

A plataforma permitirá o uso de tração integral nos modelos mais caros – nos de entrada será dianteira. Quanto às dimensões, o conceito tem 4,13 metros de comprimento e 2,56 m de entre-eixos – 5 cm menor que o Honda HR-V, por exemplo. Porém, o SUV terá 9 cm a mais que o Polo europeu. A largura é de 1,80 m e tem 1,56 m altura quando a capota é fechada. O peso é de apenas 1.250 kg.

SEM DEVANEIOS

Tirando a quimera estética da capota de tecido e duas portas, o T-Cross adianta pequenos detalhes que estarão na versão final. Na parte da frente, os faróis estão integrados à grade frontal, assim como o logotipo da marca. Mais abaixo, o para-choque do conceito exibe duas grandes luzes de neblina com contorno quadrado de LEDs. No carro de produção, elas serão mais conservadoras, assim como o falso quebra-mato no para-choque.

Atrás, o desenho horizontalizado e marcado com vincos é compatível com os atuais modelos da marca. Assim como as lanternas, há brake light acompanhando o vinco superior. Os LEDs quadrados também estão presentes na traseira e vão virar luzes de neblina ou refletivas.

T-Cross BreezeAqui, o conceito mostrado em Genebra. Conversível e com apenas duas portas

MOTOR 1.0?

Para dizer que o carro é o mais eficiente possível, a VW equipou o conceito presente em Genebra com o motor 1.0 TSi – o mesmo do Up vendido no Brasil. Mas com pequenas diferenças. A motorização turbo é somente movida a gasolina e produz 110 cv de potência – em vez dos 105 cv do carrinho nacional. O torque fica em 17,5 mkgf e a transmissão é a já conhecida automatizada de sete marchas e dupla embreagem.

Segundo a marca, com esse conjunto o T-Cross Breeze necessita de 10,3 segundos para chegar a 100 km/h partindo da imobilidade. Já a velocidade máxima fica em 188 km/h. Ainda é cedo para falar dos motores que irão mover o SUV por aqui. Mas o 1.6 16V MSI de 120 cv – presente nas configuração mais caras do Fox e na de entrada do Golf – aparece como uma bela opção para jogar o preço inicial perto dos concorrentes principais Honda HR-V e Jeep Renegade, que estão na faixa de R$ 75 mil. Já as versões mais caras vão adotar o novo 1.4 turboflex de 150 cv que estreou no Golf e Audi A3 Sedan nacionais.

MENOS É MAIS

A VW quer ganhar espaço interno e capacidade do porta-malas, que é de 300 litros. Por dentro, o interior tem influência do protótipo BUDD-e, espécie de Kombi do Século XXI apresentada durante a Consumer Eletronics Show, em Las Vegas (EUA), no início de janeiro. Ou seja: painel minimalista, sem muitos botões e com várias telas sensíveis ao toque.

O cluster é digital e chamado de Active Info Display. Essa tecnologia já está presente nos novos Passat e Tiguan. O sistema multimídia também está antenado com o presente. O Breeze traz o AppConnect, presente no Fox, no reestilizado Gol e em outros carros da marca. Tem conexão com o Apple CarPlay, Android Auto e função espelhamento de smartphones Mirror Link. O sistema de som é da grife Beats. “Conectividade é hoje essencial para boas vendas no Brasil”, diz uma fonte da VW. Juntar conectividade e SUV é certeza de frenesi por aqui.  

T-Cross BreezeO interior ainda é muito futurista. Mas cabine terá poucas funções e botões