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Por Lucas Litvay // Projeção: João Kleber Amaral

Do outro lado da linha a voz surgia abafada pelo ruído da ligação. Mas a baixa qualidade do áudio não impediu a vibração de nossa fonte – que dava a notícia aos berros: “O novo Civic saiu da toca! Ele deu as caras!” A 8.800 quilômetros de onde foi desenvolvido, em Tochigi (Japão), a 10ª geração do sedã mais vendido da marca se libertou pela primeira vez dos muros internos da Honda e saiu às ruas na Califórnia, onde o carro foi projetado.

A escapada de duas unidades foi por poucas horas, tempo bastante para serem pegas pelas câmeras. E isso foi o suficiente para revelar as futuras linhas e as características mais marcantes, como o crescimento da carroceria. Com as imagens do flagrante, acionamos a nossa rede internacional de informantes para desvendar os detalhes mais íntimos do próximo Civic. Tudo o que descobrimos revelamos aqui, em primeira mão.

MAIOR E ESPAÇOSO

Faça uma pausa na leitura e repare na imagem da projeção da dianteira do futuro Civic, acima. Compare com a do atual (foto no fim da reportagem) e depois volte aqui. Você vai perceber que a grade frontal cresce, avançando em direção ao para-choque e com desenho integrado aos faróis. Ambos estão em posição mais baixa, o que, somado ao capô curvado, dá ao próximo Civic ares de BMW Série 3 – e até um “quê” de novo Volkswagen Passat. Quem trabalha em design automotivo crava que capô curvado será tendência nos sedãs daqui para a frente.

Além de arqueado, o capô está mais longo e a ligação entre ele e o para-brisa fica mais definida. Agora, o compartimento será um volume destacado, diferente do modelo atual, cuja transição entre os componentes é tão suave que lembra a dianteira de uma minivan.

Gerações Honda CivicAcima, as oito primeiras gerações do Civic.

Visto de lado, a maior mudança vai estar na área das janelas. Elas têm novo desenho, além do acréscimo de uma janela espiã na coluna traseira – que, a propósito, fica mais inclinada. A solução proporciona uma caída do teto mais suave em direção à parte de trás do automóvel. Se o Civic atual lembra um cupê, o novo estará mais para um fastback.

A parte inferior das portas será cortada por um vinco forte, ascendente e que cruza toda a lateral do veículo e segue pelo para-choque traseiro. A Honda também ousou com as linhas em formato de arcos que nascem tanto no farol dianteiro como na lanterna traseira e morrem de forma suave na lateral do carro. O desenho dos para-lamas conta com um vinco negativo, recurso já empregado pela própria marca no Jade, um crossover de sete lugares vendido no Japão e que utiliza a base mecânica do Civic. O Jade parece ter sido fonte de inspiração dos designers ao criarem a próxima geração do sedã.

Na traseira as alterações estéticas serão mais leves. O futuro Civic terá lanternas parecidas com as atuais, mas sem os prolongamentos na tampa do porta-malas. Já o para-choque dá continuidade a algumas linhas das laterais, e conta com um aplique na parte inferior, onde estará localizada a saída do escape. Na versão turbo haverá duas saídas de escape – uma de cada lado.

As fotos do flagrante não revelam como será o desenho da cabine. Mas, segundo fontes, o sedã manterá o formato de cockpit – com posição de dirigir baixa e comandos bem próximos das mãos do motorista –, mas velocímetro e conta-giros serão reunidos em um só compartimento. Ou seja, o Civic deve abandonar o painel em dois andares.

Honda Civic

TURBO FLEX

Outra certeza é que o espaço interno do Civic vai aumentar. As fotos mostram claramente que o Honda terá proporções maiores que as do modelo de hoje. O atual é 9 cm mais curto que o Corolla e a ideia é que ele se aproxime do rival da Toyota em comprimento – estamos falando em algo como 4,62 m. Boa parte dos centímetros extras será usada no espaço para as pernas dos passageiros do banco traseiro e no volume do porta-malas, um dos itens mais criticados pelos consumidores. O bagageiro deverá ter 480 litros de capacidade, 31 a mais que o do atual. O assoalho plano na traseira será mantido. A combinação da suspensão dianteira McPherson com a traseira Multilink também continua.

No conjunto mecânico haverá uma revolução. Sai de cena o ultrapassado câmbio automático de cinco marchas e entra em seu lugar o CVT presente no HR-V e que simula sete marchas, sendo a sexta e a sétima overdrive. “Sabemos que a transmissão é um dos pontos mais críticos do atual Civic”, admite uma fonte que confirma a troca da caixa automática pela CVT. O câmbio manual de seis marchas será mantido na versão de entrada.

Outro que morre é o motor 1.8 16V SOHC i-VTEC FlexOne. Nas versões de entrada ele será substituído pelo 2.0 da mesma família e 15 cv mais potente (155 cv com etanol). E nas versões topo de linha, contará com o refinadíssimo motor 1.5 turbo de injeção direta e que rende 204 cv e 26,5 mkgf de torque com gasolina.

“Desenvolvemos esse motor para ser Flex”, confirma Suechiro Hasshi, chefe de engenharia da Honda na matriz, em Tochigi. A adaptação para o Brasil tanto para a gasolina, com porcentagem de etanol, quanto para o etanol puro foi confirmada por fontes locais. O 1.5 turbo será nacionalizado, mas com sistema de comando de válvulas importado do Japão. 

Preço? Ainda é muito cedo para cravar. Mas com a atual concorrência no segmento, e o mercado desaquecido, não há muita margem para reajustes. Sem contar o importado Si, o atual varia entre R$ 69 e R$ 89 mil. A 10ª geração do Civic deve estrear nos EUA no primeiro semestre do ano que vem. A previsão é que no Brasil ele dê as caras ao público no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro de 2016, já como nacional.

Honda Civic atualNo ano passado recebeu levíssima correção no desenho, principalmente na dianteira, mas é basicamente o mesmo desde o início de 2012.

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