W-RV

Por Lucas Litvay // Projeções: João Kleber Amaral

Como dólar, juros e Zika, o segmento de SUVs não para de crescer no País. A consultoria PwC Brasil projeta que tal carroceria representará 12% de tudo o que será produzido aqui neste ano, e a 16% em 2018. Em 2010, eles eram apenas 3%. Mas outro levantamento, da J.D. Power do Brasil, mostra que somente um quarto dos compradores de SUVs seguem a marca do modelo anterior na hora da troca. A média de fidelidade à fabricante em outros segmentos é maior, de um terço.

A explicação para tal comportamento é que não são todas as marcas que têm opção de SUV ou crossover em patamar acessível (leia-se menos de R$ 80 mil). Daí a corrida das fabricantes em oferecer utilitários/crossover menores e com preço competitivo. E está aí a justificativa para o surgimento do carro aí de cima.

FOCO DA HONDA

Na edição 81, de setembro de 2014, a Car and Driver publicava em primeira mão a informação, proveniente de uma fonte de autopeças sobre o fato da Honda ter dado início ao desenvolvimento de um novo SUV menor e mais barato que o HR-V. “É o segmento com maior potencial de crescimento no País”, confirmou, na época, um executivo da marca ao defender o investimento em mais um SUV. “A Honda não vai entrar no campo de compactos populares no Brasil. Nosso foco é outro”, complementou. Oficialmente a Honda diz que não irá comentar sobre possíveis projetos futuros.

Não precisa. Um ano e meio depois da revelação do projeto, agora é a vez de revelarmos – e adiantarmos com exclusividade – todos os detalhes do novo carro. Nome, preço, design, plataforma, versões, motor, câmbio, dimensões e data de chegada.

W-RV

BATISMO

No começo de janeiro, nós antecipamos como será chamado o novo SUV: WR-V. Registrado pela Honda no Inpi (veja no fim da reportagem), o nome segue a linha de batismo dos demais SUVs da marca (HR-V e CR-V) e a sonoridade passa a sensação de algo esportivo, de competição. Mas não se engane: o WR-V será um carro para rodar na cidade. Ele divide plataforma e conjunto mecânico com o Fit. “Em tudo o que não se vê, o WR-V e o Fit serão idênticos”, diz a fonte. Está aqui, no ganho de escala, a razão para ele custar menos que o HR-V.

A novidade contará com opção única de motor, o 1.5 de até 116 cv, e duas de transmissão (manual de cinco marchas e automática CVT). Como no hatch, o WR-V terá no espaço interno um dos seus principais atributos. “Contará com as mesmas soluções de configuração do Fit. E diante do [Ford] EcoSport será muito mais espaçoso.” O entre-eixos da novidade será de 2,60 m, 8 cm a mais que o Ford. A propósito, é o Eco o principal alvo do WR-V. “O HR-V é um SUV, digamos, mais premium, cheio de equipamentos sofisticados e numa categoria de preço mais alta. Já o WR-V vem para encarar de frente rivais como EcoSport, [Renault] Duster e, aparentemente, o futuro Nissan Kicks”, explica o informante. Ainda é cedo para falar de preço, afinal o WR-V deverá ser apresentado ao público no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro, mas as fontes deixam escapar que ele provavelmente será posicionado logo acima do Fit, ou seja, partirá da casa dos R$ 60 mil na versão DX manual e poderá chegar aos R$ 75 mil na topo de linha EXL com CVT.

IDENTIDADE

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Se você reparar bem, até no que está  à mostra, WR-V e Fit serão parecidos. Note como as linhas da lateral do crossover são iguais às do hatch. “É no desenho da dianteira e da traseira que a novidade marcará sua identidade.” Com a ajuda de fotos de flagras do carro rodando em testes próximos da fábrica de Sumaré (SP) e de informantes que já viram o carro pronto, produzimos as ilustrações exibidas nessa reportagem. E, para eles, as imagens projetam com fidelidade o desenho final do WR-V.

Os designers da Honda usaram algumas técnicas manjadas e outras inéditas para dar mais sensação de robustez a esse modelo baseado no Fit. Dessa forma, o WR-V terá uma frente mais elevada, assim como a altura da suspensão. As rodas de 15 e 16 polegadas do Fit serão substituídas por outras de 17 polegadas. Atrás, a tampa do bagageiro será trocada por uma maior – e a placa ficará em uma posição mais baixa. Como as chapas da lateral permanecem, o desenho da parte externa da lanterna será parecido. Na parte interna, ele muda. O painel, segundo fontes, também terá o do Fit como base, mas com elementos exclusivos para diferenciá-los.

Ainda não está definido, mas a expectativa é que, com a incorporação do novo modelo, a Honda, enfim, comece a produzir na nova fábrica de R$ 1 bilhão em Itirapina (SP), que permanece fechada devido ao atual cenário de mercado congelado. Mas, na Honda, o clima é outro. Afinal, em um segmento que não para de crescer, ela será a única a oferecer, na faixa entre R$ 60 mil e R$ 140 mil, um trio de respeito. 

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