Onix

Por Henrique Rodriguez // Fotos: Diogo Dias // Projeções: João Kleber Amaral

Você que acompanha a Car and Driver sabe que 2015 foi bom para o Chevrolet Onix. Além de levar, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio “Maior Valor de Revenda” da Agência Autoinforme, foi o carro mais vendido do Brasil, com 125.900 unidades emplacadas. Mesmo assim, a GM não vai dar mole: aproveitará que tudo conspira a favor do carro para dar um tapa no visual dele e também do sedã Prisma nos próximos meses. Não porque precisam, mas porque está na hora.

Design é mandatório entre os compactos, principalmente depois da reestilização de seus maiores rivais, Hyundai HB20 e HB20S, que mudaram no fim do ano. Embora as linhas bem esculpidas e cheias de vincos dos Chevrolet nunca tenham sido problema, o novo estilo será acompanhado de surpresas importantes para repetir o mesmo feito nas vendas em 2016.

A inspiração para a dianteira partirá do Cruze de nova geração, um dos GM mais bonitos dos últimos anos, e, em menor escala, do Malibu. Isso fica claro ao olhar para os faróis espichados, com elementos internos que conversam com os vincos da dianteira e com a nova grade, mais larga e estreita que a atual. Com isso, o capô fica um pouco mais comprido e a dianteira, menos truncada. Os para-lamas também mudam, para acomodar os faróis renovados.

O para-choque abandona a peça que integra faróis de neblina e tomada de ar. Agora, vincos demarcam o local das luzes auxiliares, que ficam mais pronunciados, enquanto as tomadas de ar crescem. A ideia é deixá-lo com aspecto mais agressivo e, aparentemente, mais largo.

As mudanças na traseira têm as mesmas intenções. É o caso do vinco na base do para-choque, da parte preta que o delimita – que ficará mais estreita – e do nicho da placa mais largo e com abertura para baixo, ao contrário de como é hoje. O lado arrojado do design está nas lanternas, com nova organização das luzes e um pequeno recorte para baixo, como no Cobalt. Setas e luzes de ré permanecem na base da peça.

A princípio, a tampa do porta-malas não muda. Alterar peças metálicas é algo caro para uma reestilização.

Onix

TERCEIRO VOLUME

No caso do Prisma, sedã mais vendido de 2015, o custo de uma tampa redesenhada parece compensar a mudança. A peça terá alterações na parte superior, a fim de simular um pequeno spoiler, igualmente seguindo a escola de design do Cruze. O vinco vertical que dividia o porta-malas desaparece, ao passo que as saliências horizontais, mais profundas, passam a delimitar as lanternas.

E são as lanternas as peças-chave desta reestilização. Ganham aspecto mais quadrado por perder a curva que faziam em direção ao para-choque, com direito ao mesmo recorte que haverá no Onix. Os flagras do nosso espião Diogo Dias deixam claras estas novidades.

Prisma

O para-choque também precisou mudar.  Os relevos que existiam abaixo do conjunto óptico deixam de existir, bem como o rebaixo que há sob a placa traseira do Prisma atual.

Todo este novo arranjo representa uma tentativa da Chevrolet para melhorar a impressão que passa a traseira elevada do Prisma, algo que o acompanha desde sua primeira geração – quando ainda era o sedã derivado do Celta. Mas a capacidade do porta-malas será mantida em bons 500 litros.

MAIS CONECTADO

Hoje, o Prisma, bem como o Onix, são derivados da plataforma GSV (Global Small Vehicles), uma arquitetura mundial para carros pequenos capaz de servir de base para veículos de aplicações distintas. É usado na maioria dos modelos recentes da General Motors no Brasil e no mundo, inclusive na nova geração do Cruze (veja quadro abaixo).

As vantagens envolvem desde a dinâmica e a segurança do carro – embora nenhum dos projetos brasileiros tenha controles de estabilidade ou tração –, como também a rapidez para ter acesso a outros equipamentos.

Tanto que um dos destaques desta  fase de Onix e Prisma será a nova geração da central multimídia MyLink, que hoje está na maioria das unidades vendidas dos dois modelos. É o aparelho que estreou no novo Cobalt, com botões físicos para volume e troca de faixa, comandos de voz e integração com os sistemas Apple CarPlay e Android Auto, além de tela de maior resolução. Mas o GPS continuará dependente do celular e a câmera de ré será acessório de concessionária.

As versões LTZ (mais caras) dos dois modelos terão ainda o OnStar, já disponível para Cruze e Cobalt. Trata-se de serviço que tem uma central de atendimento contatada através do próprio carro ao apertar  um botão.

Dessa forma, é possível acessar informações sobre clima, reservas para restaurantes e acesso a rotas para o navegador do automóvel. O sistema também permite enviar alguns comandos para o carro, como abrir as portas ou acionar a buzina, por exemplo, usando o celular.

Só não espere grande inovação no interior, pois as linhas modernas ainda fazem sucesso entre o público jovem. Pelo mesmo motivo, o quadro de instrumentos digital com conta-giros analógico permanece, porém, com grafismos diferentes e computador de bordo em todas as versões (hoje, isso é exclusividade das versões Effect e LTZ). Combinação de cores no painel  e novos tecidos para os bancos também entram na lista.

Prisma

MESMA MECÂNICA

Embora a plataforma de seus carros seja global, os Chevrolet nacionais não podem se gabar dos motores, projetos antigos e (apenas) atualizados inúmeras vezes. É o caso dos que equipam Onix e Prisma.

O 1.4 SPE/4 de 106 cv e 13,9 mkgf de torque mantém as relações com o câmbio manual de cinco marchas e o automático de seis, que segue como opcional nas versões LT e LTZ. É apenas suficiente para os dois modelos, enquanto concorrentes diretos usam motores 1.6 mais potentes ou com mais torque – que é o que realmente importa para quem usa o carro no dia a dia.

A sorte do Prisma é que as versões 1.4 do Cobalt se tornaram restritas a frotistas – com o 1.8, os preços do sedã maior começam em R$ 60.890. A competição ente ele e o Prisma LTZ (R$ 55.390) será mais justa.

Onix

A situação do velho 1.0 de 80 cv é mais complicada. Os Prisma e Onix mais em conta têm dificuldade para encarar rivais modernos. Usar relações curtas no câmbio, como faz hoje, pode até garantir saídas rápidas, mas piora o conforto e o consumo do carro.

A solução será acompanhar os outros com o motor 1.0 de três cilindros. O projeto já existe lá fora em carros da Opel e no Chevrolet Spark. Por aqui será flex e renderá cerca de 85 cv. A produção dele começa em 2017 na fábrica de Joinville (SC).

Mas isso não atrapalha as metas para 2016. Onix e Prisma chegarão às lojas juntos, em maio, com o mesmo objetivo: repetir os feitos de 2015.

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