Toyota Corolla

Por Lucas Litvay / Projeções: João Kleber Amaral - publicado na edição nº 51 (mar/2012)

Era véspera de Natal quando alguns executivos da Toyota espalhados pelo mundo receberam um comunicado no qual eles eram convocados a viajar ao Japão na primeira semana de 2012. Na sede, na cidade que leva o nome da empresa, executivos da Índia, Tailândia, Estados Unidos e Brasil tomaram conhecimento sobre o projeto 140 A, conduzido pela matriz. Dentro de uma sala espelhada, o grupo foi apresentado a uma escultura (também chamada de mock-up no jargão da indústria) branca com janelas escurecidas. Era a próxima geração do Corolla. O sedã médio mais vendido no Brasil (e em boa parte do planeta) vai mudar em 2013. E a mudança será grande. Outra novidade: a Toyota pretende alinhar ao máximo as versões vendidas ao redor do mundo. Hoje, o Corolla feito na Europa é diferente do japonês e do americano. A ordem da fabricante é reduzir custos e aumentar a escala. Ou seja, o próximo Corolla será mais global que o atual, com algumas alterações em cada mercado – estratégia parecida com a do compacto Etios.

Ao contrário do que aconteceu da nona para a décima, a 11ª geração do Corolla será radicalmente diferente da atual. A Toyota tem por costume radicalizar as mudanças nas gerações ímpares do Corolla – a Honda faz o mesmo com as pares do Civic. A transformação começa no desenho. O próximo Corolla irá adotar a nova  identidade visual da marca, inaugurada pelo novo Camry, lançado no final do ano passado. Terá linhas retas, irregulares e marcadas por cortes pronunciados. Em outras palavras, esqueça a cara de bom moço do atual Corolla, o próximo será “mais nervosinho”, segundo expressão usada por uma fonte ligada à fábrica. A intenção é clara: rejuvenescer o sedã e, por tabela, o comprador tradicional.

Assim, o farol será menor, mais estreito e terá ângulos retos. O capô se encontrará com a grande dianteira, que também será mais estreita. As entradas de ar no para-choque serão ampliadas. Um forte vinco cortará toda lateral e os retrovisores externos serão posicionados nas portas. As lanternas ficarão maiores e continuarão a invadir a tampa do porta-malas, enquanto a placa descerá para o para-choque, que irá exibir dois refletores nas extremidades.

Por dentro, a expectativa é que o Corolla ganhe um painel mais arrojado, em forma de cockpit, mas sem apelar para modernismos, como o painel de instrumentos de dois andares do rival Civic. A  arquitetura e as proporções da carroceria deverão ser mantidas. O atual tem 4,54 m (comprimento), 2,60 (entre-eixos), 1,76 m (largura) e 1,48 m (altura) e porta-malas de 470 litros.

Toyota Corolla

No Brasil

A agenda de lançamento do novo Corolla ainda está sendo trabalhada. A projeção é que ele seja lançado no Japão (onde terá versão  perua) e na Europa (onde terá versão hatch) no segundo semestre do ano que vem. “No Brasil, em 2013 nem pensar”, dizem fontes da Toyota. Ou seja, espere o início da produção em Indaiatuba (SP) para daqui a dois anos – e apenas na configuração sedã. Embora o prestígio do Mercosul, especialmente do Brasil, tenha crescido nos últimos anos junto à matriz (hoje na sede da empresa há dois engenheiros brasileiros e dois argentinos trabalhando de forma integral na adaptação dos futuros produtos para as nossas condições), o tempo de desenvolvimento para um carro a ser vendido no Mercosul leva de seis a doze meses. E mais: o foco local da Toyota está na  finalização da construção da fábrica em Sorocaba (SP) e no lançamento do compacto Etios, em agosto, nas versões hatch e sedã com motores 1.3 e 1.5, ambos flex. O novo Corolla é a prioridade número dois, no momento.

A linha de motores do sedã não deverá ter mudanças. No Brasil, o carro é vendido na opção 2.0 de 153 cv e na 1.8 de 144 cv. A novidade estará na caixa de transmissão. Os japoneses sabem que precisam evoluir neste quesito.

Seis marchas

Para isso, trabalham no desenvolvimento com a Aisin, fornecedora de transmissões, de um câmbio de seis marchas a ser incorporado na versão topo de linha. Em outros países, cujo posicionamento de mercado do Corolla é de entrada de gama, ele terá motores de quatro cilindros 1.3 e 1.5. A expectativa é que o motor 1.3 faça até 20 km/l de gasolina. Essa opção está descartada por aqui. Ainda é muito cedo para falar em preço, mas não aguarde por reajustes acentuados. O Corolla atual parte de R$ 63.570 e vai até R$ 86.570. Caro, sim. Mas um best-seller – média de 4 mil unidades/mês. “E teremos força e capacidade para ir além”, diz, otimista, um executivo confiante no sucesso da décima primeira geração do campeão de vendas.