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Por João Anacleto // Fotos: Divulgação

Era para ser um show-car, aqueles estudos de design criados para atrair atenções nos salões de todo o mundo. Mas o Gol GT Concept exposto no estande da Volkswagen no Salão do Automóvel de São Paulo, superou as expectativas. Tão logo a exposição abriu as portas para o público, começaram a circular nas redes sociais os pedidos para que o carro fosse fabricado. Sob a hashtag #voltagolgt, o movimento surpreendeu o autor do projeto, o gerente executivo de Design da marca para a América Latina José Carlos Pavone.

“Eu não esperava tamanha repercussão logo no meu primeiro trabalho no comando do departamento da VW brasileira”, diz o designer de 38 anos que assumiu o cargo em agosto deste ano, depois de 12 anos trabalhando na Alemanha e nos EUA.

E o que era para ser apenas um exercício de design deve virar realidade: apuramos que o presidente e CEO da marca no Brasil, David Powels, autorizou a fabricação do Gol GT em série especial limitada a 500 unidades. “Seria uma homenagem na despedida do atual ciclo de vida do Gol, que vai ganhar uma nova geração em 2018”, diz um fonte da marca.

Gol GT

INSPIRAÇÃO

O Gol GT Concept traz vários traços que marcaram o Gol GT original, de 1984. “O GT era o carro que eu admirava quando criança e fazer uma releitura dele me transportou de volta para aquela época”, conta Pavone, responsável pelo desenvolvimento do Passat vendido nos EUA e do Jetta lançado no Brasil em 2011.

O GT original foi o primeiro Gol a usar motor refrigerado a água, o 1.8 com comando mais bravo e 99 cv de potência. Foi igualmente o primeiro Gol a superar a casa dos 10 s na aceleração 0 a 100 km/h, uma façanha para qualquer VW nacional na época. O esportivo trazia soluções estéticas de vanguarda como a grade pintada na cor do carro, faróis de neblina nos para-choques, bancos Recaro, rodas Avus, ou Snowflakes, de 14” herdadas do Golf GTi MK1, de primeira geração, o emblemático volante de quatro raios, o precursor do famoso quatro bolas, e o adesivo GT grifado no vidro traseiro.

Era um carro inspirado, por sua vez, nos esportivos da marca na Europa, como o Golf GTI e o Scirocco GT. E apesar de sua curta vida de três anos foi objeto de desejo dos jovens da época. É o que explica a ansiedade pelo retorno do modelo, 32 anos depois do lançamento. 

36 HORAS

Um dos prodígios da nova safra de designer junto com o irmão gêmeo, Marco Antônio, hoje terceiro homem na hierarquia no design da VW da Alemanha, José Carlos Pavone diz que a criação do Gol GT Concept o transportou para a infância. Mas antes de se debruçar sobre as pranchetas, Pavone ainda teve de se desdobrar para transformar um Gol R-Line, conceito que estava previsto para a exposição, no GT Concept. “Achei que o R-Line não tinha muito a ver com o Brasil. Aí veio a ideia de resgatar o GT, um patrimônio da VW brasileira”, explica. Ele e mais cinco designers levaram 36 horas para finalizar as linhas do protótipo. “Depois foram mais 45 dias de construção do show-car, um tempo curtíssimo para quem trabalha com design.”

Apesar da herança, o Gol GT Concept tem traços singulares de personalidade. Não bastasse a exclusiva cor Cinza Volcano, ele vem salpicado de linhas em Vermelho Lava em suas extremidades, nas laterais, retrovisores e para-choques, traço marcante dos VW GTi ao redor do mundo. A intenção é mesmo causar uma erupção de emoções logo de cara. Já na dianteira há a característica grade colméia, herança genética que todos os esportivos de Wolfsburg ostentam.

Gol GT

Os faróis de facho duplo inauguram a era de LED na vida do Gol. “Estes faróis, aliás, foram os últimos a funcionar. Eles só ligaram em definitivo dois dias antes da abertura do Salão”, conta Pavone. O estudo, como é norma na VW, foi submetido à apreciação dos designers na matriz alemã. “A dez dias da estreia no Salão, pediram para diminuir a abertura da grade dianteira, mas os alemães acabaram se convencendo que, da forma como está, o carro passa mais agressividade.”

Na traseira, mais referências ao antigo GT. Há uma faixa em adesivo preto ligando as lanternas e sob o aerofólio, um brake-light feito com uma barra iluminada. O para-choque têm saídas de ar nas extremidades laterais e o escape de ponteira dupla aumenta a sensação de esportividade. Nas laterais, ele resgata o logotipo GT perto das rodas traseiras, como era no carro de 1984. As rodas Snowflakes não foram ressuscitadas, contudo o conjunto Serron, com 18”, herdado do Golf GTi de 6ª geração lembra vagamente as originais.

QUATRO RAIOS

Por dentro, faltam os inesquecíveis bancos Recaro, e o volante de quatro raios. Mas a atualização sugere que hoje o futuro Gol GT venha equipado com bancos concha, apliques em alumínio escovado nas saídas de ar, desenhadas com exclusividade para o show-car, e detalhes do mesmo Vermelho Lava externos decorando o painel. O volante herdado do Golf GTi vem grafado com o emblema GT e lhe caiu como uma luva.

 O motor do protótipo criado a partir do Gol Trendline duas portas é o 1.0 de três cilindros, mas tudo sugere que o carro de produção pode vir com o 1.6 aspirado – ou mesmo com o 1.0 aspirado. 1.0 turbo de 125 cv ou 1.4 TSI? Improvável, pelo menos nesta geração do Gol e para uma produção limitada. Mas se o carro de produção for tão bem aceito quanto o conceito, quem sabe?

Gol GT

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