Por Ícaro Bedani
Um dos momentos mais importantes da sua vida chegou. Pingou aquela grana a mais na conta e, finalmente, você vai conseguir tirar o primeiro carro zero da concessionária. Sedãs estão descartados – são muito família –, carros maiores até seriam legais, mas as posses só permitem chegar aos R$ 30 mil. O que fazer? A Hyundai irá responder sua pergunta em outubro, quando começar as vendas do novo HB20.

O primeiro carro da marca sul-coreana fabricado no Brasil foi revelado para um pequeno grupo de jornalistas nesta última terça-feira, 17. Ali, na novíssima fábrica situada no pólo automotivo de Piracicaba, no interior de São Paulo, conferimos os detalhes de um dos principais lançamentos do ano. Mas, antes de falarmos quais as principais armas do Hyundai HB20 para combater inimigos como Volkswagen Gol, Fiat Palio e Chevrolet Onix, vamos dar uma volta nas novas instalações da marca.

Piracicaba sitiada

“Aqui era uma plantação de cana”, disse um dos responsáveis pela comunicação da Hyundai enquanto eu entrava no hall principal da fábrica e fugia da chuva. A unidade possui 1.390.000 m² e 69.000 m² de área construída, que custou no total US$ 600 milhões (algo em torno de R$ 1,2 bilhões). Além das instalações da marca, nove fornecedores chegarão da Coreia do Sul para complementar o ciclo de produção do HB20 e dos outros dois carros que serão produzidos nesta planta.

Pois é, não é apenas um anti-Gol que a Hyundai pretende fabricar no Brasil, mas também um anti-Voyage e um anti-EcoSport, ou seja, um sedã compacto e um crossover compacto.  A data de lançamento destes outros carros ainda não está confirmada, assim como seus nomes.

Serão 150.000 veículos deixando a linha de produção por ano, todos com motores 1.0, os mesmos utilizados no Kia Picanto, ou 1.6, semelhantes aos do Kia Soul, ambos importados. A fábrica ainda está em processo de testes de produção e instalação de maquinários. O plano é que tudo comece a rodar em setembro. Por enquanto, a Hyundai já contratou 1.200 funcionários para trabalhar lá. Destes, 250 foram treinados na própria Coreia do Sul. Conforme informou a marca, toda a produção está voltada para o Brasil e a ideia de exportação dos carros está descartada por enquanto.

O presidente da Hyundai no Brasil, Chang-Kyun Han, afirmou que cem concessionárias começarão a vender o carro em um primeiro momento. Também haverá concessionárias desvinculadas do grupo Caoa (responsável pela importação dos carros da Hyundai) prontas para vender o HB20. Agora chega desse papo coorporativo.
 

Primeiras impressões: HB20

A Hyundai acertou. E esse é o principal e melhor ponto do HB20. Para você entender essa afirmação, seria necessário ver o carro sem coberturas e disfarces e, infelizmente, isso não será possível por enquanto. A fabricante até mostrou o carro “pelado”, mas nãopudemos tirar fotos. Porém, você pode conferir a nossa projeção (C/D 49) com pequenas atualizações no álbum acima. Acredite: o carro é este!

Dimensões também não foram reveladas, tal como peso etc., mas sabemos que o porta-malas do HB20 será 10% maior que o do Volkswagen Gol (em torno de 310 litros), como confirmou o gerente do projeto, Byoung Kweon Kim. Dois adultos viajam bem atrás e eu, com 1,87 m, não tive minha cabeça comprimida pelo teto aparentemente baixo.

A impressão de qualidade no interior dos modelos pré-séries testados foi ótima. Não há rebarbas e os plásticos, mesmo com aspecto de material barato, têm bom acabamento. Alguns traços lembram bem os irmãos da Kia, como o grande relógio na cor verde do console central e as alavancas ao lado do volante. Já os tubos que abrigam o velocímetro e conta-giros saltam do painel central, com uma mistura de azul e branco de muito bom gosto.

Como disse, serão dois motores: 1.0 e 1.6, sendo o último com opção automática. A princípio, todos terão três versões de acabamento e acessórios. Com o conjunto semelhante ao do Kia Picanto, o HB20 mostrou que pode ser uma boa opção mesmo nas versões de entrada. O motor de três cilindros vai muito bem e entrega um bom torque (não divulgado) logo nas primeiras rotações. Há pouca vibração e os ruídos ficaram muito bem escondidos pelo capô alongado (vale lembrar que era uma versão pré-série).

A grande surpresa foi o modelo 1.6 com câmbio manual. Um inimigo perigoso para a concorrência, o HB20 nesta versão consegue ser ágil e muito disposto. Além de partilhar o mesmo silêncio da versão 1.0, ele não se esforçou nem um pouco para alcançar 140 km/h na pista de teste da Hyundai. Nada mal. Infelizmente, a chuva castigou o local durante as voltas e as acelerações ficaram limitadas.

Vale ressaltar que o novo HB20 terá que bater de frente com concorrentes antigos de casa. É como pegar um menino que acaba de sair da academia de boxe para encarar o Rocky Balboa. Fiat Palio e Volkswagen Gol (este, principalmente) vêm de uma sequência de boas vendas antiga. São fórmulas que dão certo há anos, tanto na questão visual quanto no conjunto motriz. Para derrubar isso, a Hyundai terá que oferecer um preço muito acessível, itens de série (todos os modelos virão com dois air bags dianteiros de fábrica) e uma boa rede de vendas e pós-vendas. O carro chega em outubro. Até lá, se eu fosse você, esperava para gastar estes R$ 30 mil aí.

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