Por Cauê Lira (texto e fotos, com divulgação)

Um rugido alto e assustador ecoa no momento em que o Mercedes-AMG GT S desperta. O som estridente deste V-oitão seria capaz de levar qualquer Viciado em Carro ao êxtase apenas por estímulos auditivos - ainda mais com os flaps dos escapamentos abertos. Mas hoje não estou aqui para isso. 

Ele é intimidador... Algo muito além de sua aparência selvagem. O gargarejo do motor 4.0 biturbo de 510 cv tem essa intenção. Como um leão enjaulado, o supercarro fala com o olhar: “Eu vou te atacar na primeira oportunidade”. Eu entendi o recado. Preciso amansá-lo com urgência.

No princípio, não forço a barra. Não é sempre que alguém no começo de seus vinte e tantos anos – digamos, ainda virgem no mundo dos supercarros – tem a oportunidade de dirigir o sucessor espiritual do lendário SLS AMG. Mas não é necessário que você seja um Alain Prost da vida para entender os cuidados milimétricos que a Mercedes teve com o AMG GT S. 

EQUILIBRADO

O GT S é leve, e tem uma distribuição de peso precisa: O motor está abaixo do longo capô, enquanto a transmissão de sete velocidades que envia sua potência ao eixo traseiro fica na parte de trás - onde concentra 53% de seus 1.645 kg. Só o motor pesa 209 kg, e foi pensado especialmente para a ocasião. 

A estrutura é um mix de metais. Mais de 90% é feita de alumínio, sendo que o suporte do porta-malas é de aço de alta resistência e a dianteira é de magnésio. Assim, o monobloco pesa só 231 kg e tem distribuição de peso ideal para equilibrar o motor dianteiro e a transmissão na traseira. O objetivo também é o centro de gravidade baixo. 

PARAÍSO

A dirigibilidade do monstro alemão é empolgante. Por ser baixo e largo, o GT é pregado ao chão. Logo nas primeiras aceleradas, conquista o sortudo sentado no banco do motorista de maneira surpreendente.  O supercarro consegue passar aquela sensação de que o céu é – literalmente – o limite. O medo entre fera e domador, aos poucos, se esvai como o início de uma estranha conexão. E, finalmente, sinto a liberdade de colocar o AMG GT em modos mais permissivos. 

A Mercedes soube colocar seu peso no chão. Mas é preciso tomar cuidado para não perder o controle das rodas traseiras em aceleradas mais vigorosas. Segundo a fabricante, o GT S acelera de 0 a 100 km/h em 3,8 s, podendo atingir 310 km/h limitados eletronicamente. Por conta disso, a direção é cirurgicamente precisa e pesada para dar conta dos 510 cv do modelo.


O cockpit acertado e a posição de dirigir baixa completam a experiência. O painel é extravagante e traz materiais de primeira linha, enquanto sua central multimídia é difícil de entender. Poderia ser mais intuitiva, mas isso realmente não importa no AMG GT. Convenhamos, o sistema de som é irrelevante nesta situação.

ANIMAL DE GRANDE PORTE

E qual seria a fórmula para tanta diversão? Você ficaria surpreso ao saber que o sucesso da Mercedes nas últimas temporadas da Fórmula 1 tem total impacto sobre o AMG GT. O turbo foi dividido, com compressor de ar na parte dianteira do motor, enquanto as turbinas estão posicionadas no interior da área quente, logo após os cilindros. O novo arranjo proporciona uma relação peso-potência de 3,3 kg/cv. 

Ele é melhor e mais dinâmico que Porsche 911, Audi R8, Jaguar F-Type e companhia? Que os dois últimos, sim. Já a luta com o Porsche é mais cruel para o AMG GT S. De qualquer forma, sorte dos endinheirados que estão dispostos a desembolsar a quantia de R$ 860 mil pelo supercarro alemão. Estes, com certeza, não terão arrependimentos. Aos Viciados em Carro, resta a admiração.