Tecnologia: conheça o material que vai revolucionar a estrutura do seu carro

Esqueça a fibra de carbono. A próxima revolução dos materiais será totalmente tubular

Por Don Sherman // Ilustração: Bryan Christie Design

Agora que os compósitos de fibra de carbono migraram do mundo milionário do automobilismo para carros comuns quase acessíveis, como o BMW i3 ou o Chevrolet Corvette, o que vem a seguir? Há algum material revolucionário que irá mudar nossas expectativas por rigidez, força e peso do jeito que a fibra de carbono fez?

Sim, os nanotubos de carbono. Imagine um pequeno tubo com paredes feitas de átomos de carbono ligadas ordenadamente. Cada nanotubo de carbono tem apenas um nanômetro de diâmetro, ou 2.000 vezes menor que um filamento de fibra de carbono. Mais significantes que o tamanho, contudo, são as diferenças dramáticas na estrutura cristal e nas propriedades físicas entre os nanotubos de carbono e a fibra de carbono.

Comparada à ligação forte e organizada dos nanotubos, a fibra de carbono é o que os químicos quânticos chamam de turbostrático, o que significa camadas planas, cada uma com a espessura de um único átomo de carbono, empilhadas a esmo uma sobre a outra. A superior ligação atômica da estrutura cristal dos nanotubos de carbono é o que faz dele o material mais forte e rígido conhecido pelo homem, quase 10 vezes mais forte por quilo que a fibra de carbono.


Os nanotubos são cultivados em fornos por vaporização a laser das partículas de carbono. Embora não seja algo que você possa fazer em casa, os processos estão sendo desenvolvidos para que vários nanomateriais sejam comercializados. O potencial de utilização é muito amplo. O professor de engenharia mecânica do Massachusetts Institute of Technology, John Hart, prevê que o começo do processo de construção de carros com nanotecnologia irá resultar em carrocerias mais leves, catalisadores mais eficientes, pinturas mais finas e melhor transferência de calor do powertrain.

A Zyvex Technologies, de Columbus, Ohio, EUA, é uma pioneira da nanotecnlogia com mais de uma década de experiência fornecendo materiais para a indústria aeroespacial, marinha, equipamentos esportivos, e aplicações automotivas. A empresa fabrica a Arovex, uma fibra de carbono reforçada com nanotubos e grafeno (uma folha de carbono com um átomo de espessura), que é duas vezes mais resistente que a fibra tradicional. Enquanto isso, carros de corrida usam o adesivo epóxi Epovex (da mesma empresa), reforçado com nanotubos de carbono, para reparar monocoques de fibra de carbono danificados em acidentes. O adesivo provê força, resistência à descamação e excelente flexibilidade.

Quase tão incrível quanto as capacidades do Epovex é seu preço. Apenas US$ 3,50 por 100 gramas, ou quase o mesmo preço da super cola. O problema é que, enquanto os efeitos dos nanomateriais no corpo humano não sejam plenamente compreendidos, eles não poderão ser vendidos na loja de materiais e ferramentas da esquina.

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