Segredo! Toyota testa rival do City no Brasil

Apresentado como Scion iA, sedã vai ganhar emblema da Toyota. Mas atual cenário econômico fez as chances de venda aqui se tornarem remotas

Por Lucas Litvay // Fotos: Diogo Dias // Projeções: João Kleber Amaral

Não gosto de ser portador de más notícias. Mas aqui é inevitável.  Tenho novidades antagônicas para te contar sobre o sedãzinho que ilustra essa reportagem. Quando um cidadão diz que traz uma boa e uma má notícia, procuro antecipar aquela que me fará feliz. Serei coerente com você. Portanto, em primeiro, as boas novas apuradas pela reportagem da Car and Driver.

TÁ QUENTE

A Toyota, enfim, terá um carro para brigar diretamente com o Honda City. Não será o Vios tailandês nem o Yaris europeu e sendo mais minucioso, nem um Toyota de essência. O sedãzinho tem origem na Mazda e é um dos primeiros frutos da parceria entre as duas fabricantes firmada há três anos para aumentar a escala de produção e cortar custos de desenvolvimento. A base do modelo será a da nova geração do Mazda 2. Como Toyota ele ainda não tem nome. Como Scion (a submarca da Toyota voltada aos jovens americanos) virou iA e foi apresentado oficialmente no Salão de Nova York, em abril.

O sedã é ligeiramente mais curto que o City. São 4,32 metros de comprimento (ante 4,45 m do Honda) e 2,57 m de entre-eixos, apenas 3 cm a menos que no rival direto. O porta-malas tem capacidade de 410 litros e os bancos traseiros podem ser rebatidos no esquema  40/60. O motor é o 1.5 16V com duplo comando variável e injeção direta, também de origem Mazda. Ele rende 116 cv de potência e 15,1 mkgf de torque. Tanto na versão manual como na automática o câmbio tem seis marchas.


A lista de equipamentos é vasta e inclui piloto automático, partida por botão, tela touchscreen de 7 polegadas, GPS, câmera de ré e um sistema de pré-colisão em baixa velocidade com sensores a laser que detectam e previnem potenciais acidentes, minimizando o estrago quando a colisão não pode ser evitada. É tecnologia sofisticada e daquelas não vistas em carros deste segmento.

O projeto prevê sua produção em Salamanca, no México, onde a Mazda finaliza uma nova fábrica para produzir inicialmente 50 mil unidades por ano do modelo, podendo chegar a 140 mil – em boa parte destinada aos EUA. Por ser mexicano (e, portanto, não pagar Imposto de Importação, respeitando o acordo automotivo entre México e Brasil), a filial brasileira se interessou pelo modelo, que poderia chegar ao Brasil por cerca de R$ 55 mil na versão de entrada.


“No final do ano passado, entre novembro e dezembro, decidimos que venderíamos o carro no Brasil. Era o modelo ideal, tanto em proposta como em preço, para ocupar a lacuna entre o Etios e o Corolla”, diz uma fonte ligada à marca. “A estratégia era lançá-lo no segundo semestre deste ano. Por isso trouxemos algumas unidades para teste no País.” Uma delas foi flagrada pela reportagem de Car and Driver rodando próximo à sede da Toyota em São Bernardo do Campo (SP). “Mas aí as coisas mudaram...” É neste ponto que as más notícias surgem.

TÁ FRIO

“Para trazê-lo do México no regime de cotas [cada montadora tem o direito de importar determinada quantia de unidades sem pagar a taxa de 35%] fizemos consultas ao Inovar-Auto e descobrimos que o carro não se enquadra no regime por ser feito pela Mazda, marca não participante do programa.

E mais: o dólar disparou nesse começo de ano. Acima de R$ 3, se torna economicamente proibitiva a sua importação”, explica a fonte. Provocado a dar uma nota de 0 a 10 para as chances do sedãzinho mexicano ser vendido no Brasil, o interlocutor foi categórico: “com o atual cenário, só 3. A ideia [de trazê-lo] existe, mas as chances são remotas. Diria que ele respira com ajuda de aparelhos.” 


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