Dossiê: Saiba tudo sobre o novo Ecosport

Ele chega em agosto renovado por fora e, principalmente, por dentro. E nós contamos tudo

Por Henrique Rodriguez // Projeções: João Kleber Amaral

Se hoje há tantos SUVs compactos por aí e poucas peruas, ponha toda a culpa no Ford EcoSport. Lançado em fevereiro de 2003, por anos foi o utilitário esportivo mais vendido do País. Pudera: era, basicamente, um compacto com corpo de jipinho e muito mais barato que veículos off-road de verdade – desnecessários para quem sequer pretente sair do asfalto. Foi a galinha dos ovos de ouro para a Ford, que via prejuízos desde 1987, quando uniu-se no Brasil à Volkswagen, na finada Autolatina.

O sucesso era evidente, principalmente por não ter rivais diretos. O que outras marcas fizeram foi criar hatches e monovolumes aventureiros e baratear SUVs com projeto antigo. Mas não havia nenhum com proposta semelhante até a chegada do Renault Duster, em 2011. A reação não tardou. No ano seguinte o Eco entrou na segunda geração, com projeto global, design moderno e mecânica atualizada. Mal sabia que grandes rivais chegariam logo em seguida.

Agora, a Ford prepara o contra-ataque para o segundo semestre. Usará a reestilização de meia-vida do EcoSport para aparar as arestas (literalmente, no que diz respeito às rebarbas nos plásticos de acabamento) e tentar colocar o modelo em pé de igualdade com concorrentes com projeto mais recente, tanto no aspecto técnico como na qualidade percebida. Falamos de Honda HR-V, Jeep Renegade e Peugeot 2008.

CARÁTER PRÓPRIO


Dizer que o EcoSport 2017 será uma versão menor do novo Edge (que está com lançamento no Brasil atrasado) inflaria demais o ego do SUV. De parecido, só o formato dos faróis que, no compacto, não serão integrados à grade. A grade tem formato diferente da do Edge, com duas barras horizontais com fundo em forma de colmeia e reentrância na base para deixar a dianteira mais robusta. A grade ficará junto do capô, eliminando a tomada de ar falsa que interligava os faróis e hospedava o logotipo da Ford.

O trabalho dos designers da Ford não parou por aí. Os faróis terão apenas luzes diurnas de LEDs e dois projetores, um simples para as luzes de posição, e um de bloco elíptico para os faróis. As setas foram destacadas e passam a ficar juntas às luzes de neblina, no nível da base da grade. Assim como a grade mais alta, é uma das soluções encontradas para disfarçar o quão alta e curta é a frente do Eco.

A base do para-choque será mais elaborada, com peça prateada (que simula peito de aço) um pouco mais estreita e presente em todas as versões (hoje exclusiva da FreeStyle e da 4x4). Os acabamentos laterais ficarão mais salientes, mas continuarão visualmente integrados às saias.

Hoje, os compradores europeus do EcoSport podem escolher se o levarão para casa com o estepe pendurado no porta-malas ou sem ele, com um kit de reparo para pneus furados. Por aqui, não teremos essa democracia: o estepe à mostra continuará mandatório, mesmo que nenhum dos concorrentes que surgiram desde que esta geração foi lançada façam questão de ostentar o piercing off-road.

Até porque, a Ford não fará grandes mudanças no design da traseira. No máximo, as lanternas terão nova disposição das luzes, sem alterar o formato. Mas a maçaneta de abertura do porta-malas será substituída por um acionamento elétrico.

Espera-se, porém, melhorias na montagem do SUV. Em outras palavras, os vãos entre as portas e a carroceria (eventualmente irregulares no carro de hoje, principalmente no porta-malas) prometem ser mais alinhados.

MAIS VISTOSO

Visualmente mais limpo, o painel do novo EcoSport servirá de base para outros Ford

A ideia da Ford com a reestilização é esconder a origem do Eco entre os compactos (a plataforma é a do New Fiesta) – é impossível aumentar o espaço limitado no banco de trás sem uma nova geração. Mas tentarão deixar o modelo mais refinado do que nunca. Se isto é uma meta, o interior jamais poderia ficar intocado. E não ficou.

A projeção exclusiva acima, feita com base em flagras da China e dos EUA, mostra claramente como será a evolução do painel do EcoSport 2017. Aquele console central confuso, cheio de botões pouco funcionais e com saídas de ar que não ajudam a dispersar o ar fresco para o banco de trás será substituída por um conjunto mais limpo e organizado.

Boa parte desta evolução se deve aos sistemas de som e multimídia. O Sync 3, com Apple CarPlay e Android Auto, vai estrear no Brasil com o SUV. Será a primeira vez que o modelo terá central com tela sensível ao toque de fábrica (hoje é acessório vendido em concessionária). E se correr, também será o primeiro SUV compacto com Android Auto e CarPlay.

Como nos Mercedes, a tela saltará para fora do painel, bem ao alcance das mãos do motorista e do passageiro. Para facilitar ainda mais o uso, haverá botões físicos para as funções mais habituais, como volume, mudança de faixa e acesso a menus e configurações. O único porém é que o aparelho será de série apenas nas versões Titanium 2.0 (as mais caras). Para as demais, será opcional.


SAÍDAS

Mas relaxe: as configurações mais baratas não terão painel igual ao atual. O Sync Media System ainda estará em todas as variantes, com Bluetooth, comandos de voz e integração com aplicativos. Sua telinha com iluminação azul ficará na mesma posição da central multimídia, com botões nas laterais e sob ela – sem teclado numérico para digitar telefones, vale ressaltar.

As saídas de ar centrais não ficarão mais ao lado do som, mas sim abaixo dele. E os comandos do ar-condicionado, seja convencional ou o novo automático com duas zonas de temperatura, estarão imediatamente abaixo, integrado ao porta-objetos que envolverá a alavanca de câmbio.

O Eco flagrado em testes nos EUA. As imagens foram reproduzidas do site Autoblog

BOAS IMPRESSÕES

As mudanças continuam no volante, que será o mesmo do Focus, forrado de couro e com textura mais delicada. O novo quadro de instrumentos também lembrará o do hatch médio, com tela colorida para o computador de bordo posicionada entre velocímetro e quadro de instrumentos. Do outro lado do painel, o carona terá uma alça de apoio de aço escovado para se segurar, caso o motorista se anime demais com o carro novo.

A engenharia dará motivos para toda essa animosidade. O motor 1.0 EcoBoost (três cilindros com turbo e injeção direta) e cerca de 130 cv equipa o EcoSport na China e na Europa. Aqui, será escalado para substituir o 1.6 16V Sigma, que tem 115 cv nas versões com câmbio manual e 131 cv, com o câmbio Powershift (automatizado de dupla embreagem). O novo motor fará sua estreia nas versões mais caras do Fiesta em junho próximo. Com câmbio manual ou automatizado, o 1.0 Ecoboost estará disponível para as versões SE, SE Plus e FreeStyle.

O já cansado motor 2.0 Duratec de 147 cv de potência dará lugar ao mesmo 2.0 DirectFlex do Focus, com injeção direta, que gera 178 cv. Usará câmbio manual de seis marchas na versão FreeStyle 4x4, enquanto o câmbio Powershift, também de seis marchas, ficará na versão Titanium.

Como também enfrentará novos rivais ao longo dos próximos anos , o Eco 2017 não poderá subir no salto com as profundas mudanças e manterá os preços atuais, entre R$ 70 mil e R$ 90 mil. Quem foi rei, nem sempre pode ostentar a majestade.

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