Dossiê: o novo Toyota nacional

Sedã premium baseado no Toyota Yaris irá se infiltrar entre Etios e Corolla. E nós já o conhecemos intimamente...

Por Henrique Rodriguez // Projeções: João Kleber Amaral

Há quem teorize que a Apple teve sucesso com seus gadgets portáteis por ela mesmo ter criado demanda para eles. É por este mesmo caminho que vai a Toyota, que ao lançar o compacto Etios, em setembro de 2012, automaticamente criou um espaço a ser explorado entre ele e o Corolla. Entrar neste segmento intermediário é o próximo passo da fabricante japonesa.

Cerca de R$ 17 mil separam o mais caro Etios Sedan, com câmbio automático, do raro Corolla 1.8 manual. É nesta faixa de preço que a Toyota quer introduzir um novo sedã compacto premium, que poucos viram mas muitos conhecem. Isso porque sua base será o Toyota Vios, versão sedã do Yaris vendida em países emergentes da Ásia desde 2002 e em sua terceira geração desde 2013. E estamos entre os poucos que viram o carro pronto no Brasil.

Tudo bem que o Etios não é um primor de design, mas todos os Vios, seja o tailandês ou o chinês (reestilizado recentemente) têm design muito ousado para o público que pretende atingir no Brasil. Para não ter erro, o departamento de design da Toyota no Japão se concentrou na criação de design exclusivo para o Brasil.

Nos infiltramos em clínica do modelo com clientes realizada entre os dias 19 e 20 de junho em São Paulo. Por trás de comentários genéricos, como “preço popular”, “motor muito econômico”, estava uma versão brasileira do Vios. Detalhes remetem a vários outros carros da Toyota, mas, por sorte, as inspirações vieram de carros que não são vendidos no Brasil, como o próprio Yaris e também o iA, sedã compacto da Toyota derivado do Mazda 3 e que chegou a ser testado no Brasil, mas sem sucesso.


TOQUES DE REQUINTE

As mudanças em relação ao Vios asiático estão concentradas no capô, na grade e nos faróis. Estes deixam de lembrar o Corolla para serem mais  espichados, mas continuam integrados à grade, que lembra um pouco o Corolla. Mais abaixo, próximo da tomada de ar inferior, estão as luzes diurnas de LEDs. O para-choque não muda tanto, mantendo a grande tomada de ar inferior com os faróis de neblina nas extremidades em nichos bem definidos.

O que não muda no novo sedã nacional da Toyota é o perfil, com dois vincos: um começa nos faróis, demarcando a linha de cintura, e outro nas lanternas. Janelas laterais também não mudam e têm formas que lembram bastante o Corolla.

Na traseira, as lanternas terão formato horizontal. A ideia é fazer o modelo parecer ter mais do que seus 1,70 m de largura. Régua prateada acima da placa e refletores nas extremidades do para-choque também ajudam nesse aspecto. O Honda City tem exatamente as mesmas dimensões, 4,41 m de comprimento, 2,55 m de entre eixos e 1,48 m de altura, e segue exatamente a mesma estratégia em seu design.

Quem está por trás da economia prometida pela Toyota é o motor 1.5 16V VVT que estreou no Etios 2017. Feito no Brasil, tem comando de válvulas variável, gera 107 cv e 14,7 mkgf com álcool e vai bem em desempenho e consumo.

A fabricante japonesa também começa a ensaiar sua estratégia de lançamento. Um dos slogans propostos na clínica é  “Vá além”. E ele realmente irá. Em tempos de carros populares por R$ 40 mil, um sedã de R$ 60 mil como será ele, não tem pegada de popular. Contudo, representa um passo importante antes do Corolla e isso faz bastante falta para a Toyota.

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