Xô, crise: alguns carros de luxo em alta

Especialista explica como a queda nas vendas demora para atingir certos modelos importados

Por Cauê Lira // Fotos: Leo Sposito 

As vendas no mercado automotivo vão de mau a pior em 2015. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a previsão é que, em 2015, a queda será de 20,6%. E a Abeifa, que reúne os importadores, divulga que nos cinco primeiros meses do ano houve uma diminuição nas vendas de 14% na comparação com o mesmo período do ano passado. Mas, alguns modelos de luxo se sobressaem e registram alta.

Segundo o levantamento divulgado pela JATO Brasil, o BMW Série 3 vendeu 1.477 unidades no acumulado de janeiro a maio de 2015, ante 1.205 no mesmo período de 2014. Em relação ao ano passado, as vendas do sedã alemão cresceram 22,5 %. Sua montagem em Araquari (SC) começou em outubro último, quando passou a ser oferecido com motor flex em algumas versões. 

O Hyundai Santa Fé é outro destaque da lista. O utilitário coreano vendeu 1.232 unidades em 2015, ante 529 do ano anterior, aferindo um expressivo aumento de 132,8% nas vendas, o que foi ajudado pela chegada da nova geração. Com 1.012 unidades vendidas no acumulado de 2015, o Jeep Cherokee se destaca com aumento de 83,6% em suas vendas. No último ano, o SUV havia tido apenas 551 unidades vendidas, mas também é bom lembrar que a atual geração chegou ao Brasil em setembro do ano passado, o que acabou contribuindo com aumento das vendas. 


No caso da Mercedes-Benz, a explosão de emplaamentos entre os cinco primeiros meses de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado, também recebeu ajuda do lançamento do novo Classe C, em agosto último.  De janeiro a maio de 2014, o sedã teve apenas 96 unidades, ante 1.234 nos mesmos meses desse ano.

Na relação das fabricantes, a Audi registra aumento de 0,23% nas vendas, enquanto BMW afere 0,12%. Já a Land Rover registra 0,19% de acrescimo em relação ao ano anterior.


Como é possível que, em um mercado decadente, alguns modelos tenham altas tão expressivas em suas vendas? O consultor de mercado da JATO Dynamics, Milad Kalume, afirma que essa pergunta pode ser respondida em três tópicos.

“A crise demorou para atingir a elite. Houve reajustes e aumento excessivo do dólar, que colaboraram para a estagnação do mercado. Mas, apesar disso, 2015 ainda continuava incerto por conta das eleições” diz o executivo. 

Milad também destaca a estratégia de marketing das marcas premium. “O preço dos carros mais em conta das marcas de luxo caíram quando os modelos de entrada passaram a vir menos equipados. Isso atingiu um mercado potencial. Afinal, porque comprar um Volkswagen Jetta bem equipado se, por um pouco mais, poderia adquirir um A3 Sedan?”. O consultor comenta que as fabricantes de luxo também permitiram melhores condições de financiamento, e isso ajudou a aumentar as vendas.

“O alto favorecimento de crédito foi outra abordagem das marcas premium em meio à crise, dando a opção de escolher por prazos mais curtos ou longos, taxa fixa ou variável”, finaliza o executivo. Confira as tabelas de vendas abaixo:

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