No Brasil, só 1,5% dos carros são reciclados

Meta é que porcentagem possa atingir quase 90% no futuro

Por Marcelo Moura // Fotos: Divulgação

Feche os olhos e pense na década de 80. Anos distantes onde modelos como o Monza, Kadett e Del Rey, entre outros, rodavam aos montes por aqui.  Agora, lembre-se daquele seu carro clássico (ou o do seu pai e avô, caso você seja muito novo para isso) e pergunte: Por onde será que ele deve estar? Uma hipótese é estar circulando por aí, mas não exatamente com a imagem que você tem dele. A gente explica: mais ou menos como uma pessoa, o carro tem um ciclo - sai da fábrica zerado, roda pelas estradas da vida por muitos e muitos anos, até que um dia simplesmente chega ao fim da jornada com a esperança de ter deixado algo útil. Esse algo útil não é um legado, mas sim alguma parte que possa ser reaproveitada, como por exemplo, o seu aço reciclado. Então, talvez seu Opala 85 esteja rodando em uma carroceria mais nova.

Infelizmente, para que isso aconteça é preciso que o seu antigo xodó esteja entre a ínfima porcentagem de 1,5% de todos os carros que saem de circulação, segundo dados do Sindinesfa (Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa do Estado de São Paulo-SP, que representa as empresas do ramo). Infelizmente, o baixo percentual faz com que milhares de toneladas de aço, vidro e plástico não sejam aproveitadas e fiquem se degradando em “cemitérios”. Segundo Valentin Aparicio Escamilla, presidente do Sindinesfra, 95% do carro é reciclável. “Além disso, o aço de uma carroceria pode ser reaproveitado quantas vezes forem necessárias. Um veículo vira cem outros.”, afirma ele.

Porém, existem alguns indícios de que essa situação pode mudar. No final do mês de maio, o Governo de São Paulo abriu uma licitação para a reciclagem dos carros apreendidos ou recolhidos pela polícia que lotam pátios, como o de Santo Amaro, localizado perto da Represa Guarapiranga, na capital paulista, e que já chegou a ter 17 mil unidades. A iniciativa é pioneira e deve fazer com que outros estados tomem a mesma medida. “Essa licitação era o primeiro e mais importante passo a ser tomado. Com certeza, a porcentagem de 1,5% deve subir consideravelmente”, afirma Valentin. 

Mas a meta é ainda mais ambiciosa: chegar a reciclar entre 80% e 90% dos carros fora de circulação. Para atingir esse objetivo, a conscientização de outro conceito é essencial: a logística reversa. Introduzida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, a logística reversa é um conjunto de ações, procedimentos e meios que ajudam na coleta e reutilização de materiais recicláveis. Por exemplo, um consumidor que deseja comprar um carro novo e se desfazer do velho, pode levar o seu modelo para uma concessionária que dará o fim correto a ele. Pela consciência ambiental, o proprietário ganharia um desconto na próxima compra. “É uma prática que já existe no exterior e que ajudaria muito a atingir nossa meta”, completa o empresário.

Além de ajudar no abastecimento da indústria, o trabalho das empresas associadas ao Sindinesfa tem um papel ainda mais importante, que é a preocupação ambiental. Certificados pelo ISO 14000, série de normas que estabelecem diretrizes sobre a gestão ambiental, todo o desmanche é feito de forma minuciosa e os veículos são despoluídos. Ou seja, todas as peças que não podem ser reaproveitadas ou que causariam impacto ambiental, como amortecedores e airbags, são retiradas e destinadas a um fim correto que precisa ser documentado.

Compartilhe esse conteúdo



Comentários