McDriver Feliz: Um dia inteiro com os carros dos nossos sonhos

Saboreamos (em umas das melhores estradas do Brasil) os carros que a gente gostaria de ter

Por Equipe C/D // Fotos: Bruno Guerreiro

Para a festa de confraternização da firma há quem prefira se reunir em um bar e troque vales-presente de amigo oculto; há quem apenas encha a cara com os colegas de trabalho para evitar aquele climão. E há quem (como a gente) tem a oportunidade de passar um dia inteiro com o carro que gostaria de ter na garagem. Nossa festa de confraternização é o McDriver Feliz e o roteiro, assim como o pretexto, é sempre o mesmo: no quintal da capital paulista, uma estrada sinuosa com trechos fechados ao tráfego, onde, a propósito, as fotos desta reportagem foram feitas.

MERCEDES-AMG C63 S COUPÉ

Por Raphael Panaro


Qual é a vida depois de colocar as mãos em um Audi R8 V10? A pergunta retórica me veio quando começou a digladiação pelos carros que cada um da redação iria optar nessa edição McDriver Feliz. O cupê das quatro argolas que escolhi no ano passado foi um dos carros mais viscerais (e com a etiqueta de preço mais onerosa) que já tive a oportunidade de dar mais que uma voltinha. Eu descobri, no entanto, que existe vida após Audi R8. Ela também é alemã, esguia, potente e custa tão caro quanto.

768 km. Esse era o número que marcava o hodômetro do Mercedes-AMG C 63 S Coupé quando sentei pela primeira vez nos confortáveis bancos de couro Nappa – devidamente estilizados com o logo de uma das mais desejadas divisões esportivas do mundo. A quilometragem virginiana denunciava que o cupê ainda não havia explorado esse mundão de ruas e estradas. E a sexta edição do McDriver Feliz era a oportunidade que o modelo precisava para ter uma iniciação que desafiasse as leis de Newton. E o V8 4.0 biturbo é uma tremenda afronta.


DANIEL AZULAY

Primeiro por causa do borbulho que sai das quatro saídas de escapamento devidamente talhadas com as letras AMG. Ainda há um botão no console central que transforma o som do V8 em uma das mais belas trilhas sonoras automotivas. O sistema de escapamento tem um flap. Ele pode ser controlado automaticamente de acordo com o modo de condução escolhido.  A sonorização varia entre uma tonalidade e volume discretos, próprios para viagens mais longas, e um rosnado vociferante e emocional, em situações onde o desempenho é priorizado. Me desculpe Burmester, grife alemã que fornece o sistema de som deste monstro disfarçado de cupê de luxo. Mas a escolha musical foi pelo (satânico) rugido dos oito canecos.

Para se ter uma ideia da força da C63 S Coupé, o motor é o mesmo do superesportivo AMG GT S. São 510 cv extremamente furiosos.  Mesmo 80 kg mais pesado, o cupê é apenas 0,1 segundo mais lento que o GT S – 3,9 s números cartesianos. Mesmo com todos os controles eletrônicos ligados, cada vez que o pedal da direita é colado no assoalho se inicia uma briga de foice das rodas com o asfalto.


O C63 S luta por aderência como uma empreiteira disputa licitações de obras públicas. O controle de tração fica completamente maluco tamanha a potência que é despejada no eixo traseiro. Os insalubres 71,3 mkgf de torque fazem os pneus 285/30 R19 encarnarem o Daniel Azulai. Se a borracha serve para apagar, no cupê da Mercedes ela dá aula de desenho no asfalto.  Os engenheiros alemães trabalharam bastante na aderência mecânica. As bitolas, tanto dianteira quando na traseira, são maiores que a variante sedã, além do centro de gravidade também ser mais baixo. Isso ajuda o modelo grudar no chão. Mas ainda sim é preciso ter cuidado.

Nas curvas da Estrada dos Romeiros, no interior de São Paulo, e em qualquer outra curva que você encontre pelo caminho, o cupê merece a atenção que uma mãe dá ao bebê recém-nascido. Dosar o pé direito é necessário porque o carro é arisco e perder a traseira é tão fácil quanto tabuada de um. E destruir uma máquina de exatos R$ 615.900 fica feio, muito feio.


MINI COOPER S CABRIO

Por Diogo Dias


Neste ano, minha escolha foi mais divertida do que agressiva. Pelo fato de sempre estar na pista de teste, e ter  a oportunidade de dirigir praticamente todos os carros que você vê testados por aqui, segui a sugestão do meu sobrinho Matheus, que pediu que escolhesse um carro que abrisse o teto. Pensei no Camaro Conversível, o sonho das crianças. Mas João Anacleto não largaria o Chevy por nada! Minha escolha foi o Mini Cooper Cabrio S, um dos melhores conversíveis que dirigi este ano.Divertido, high-tech, e que cativa pelo seu minimalismo.

Nas curvas fechadas e retas curtas, ele é o carro mais próximo da sensação que se tem com um kart. Com o modo Sport acionado, ele enrijece os amortecedores e deixa direção e conjunto mecânico bem mais ariscos. Em todo o percurso, o motor 2.0 turbo com 192 cv e 28,6kgfm de torque vive dando coices nas costas de quem abusa do pedal da direita. A direção elétrica e a boa tração, com bloqueio eletrônico de diferencial, anula qualquer abuso. 


Além disso, as aletas atrás do volante regem uma sinfonia de pipocos e estalos pelo escapamento a cada redução de marcha – com direito a borbulhos, dignos do V8 Biturbo, emitido pela C63 S. Em nossa parada final, o sol forte me obrigou a fechar a capota, que leva apenas 18 s para voltar à posição. No retorno para São Paulo, com sol ameno, abri a capota, liguei o som e fui desfrutando dos 12 alto-falantes Harman/Kardon, que não se intimidam em meio à ventania e, claro, a mais pipocadas do escapamento.

Curioso é que neste ano a Estrada dos Romeiros pareceu mais curta e esse Mini foi o máximo! Afinal, acompanhar um 911 Carrera S não é pra qualquer um.


AUDI RS7

Por Lucas Litvay


Não se deixe enganar pelos cinco metros de comprimento do RS7. Aqui a ilusão de ótica o trai. Pois enquanto seu cérebro e olhos percorrem essas linhas, o Audi já teria ultrapassado a barreira dos 200 km/h. Metade disso ele o faz em 3,3 segundos. Nada em 10 anos de Car and Driver Brasil foi mais rápido em nossa pista de testes. Nada nos ludibriou assim.

Mas não se culpe. Eu não me culpo. As ilusões surgem do modo estatístico e empírico como todos os dados perceptivos visuais são gerados em nosso cérebro, diz a medicina. Mas, afinal, como um gorila de quase duas toneladas e dois metros de largura pode ser tão rápido quanto uma gazela? A explicação primária para tal fenômeno está onde seus olhos não vêem (!). Ali na dianteira escondido sobre uma chapa de alumínio tem um V8 (a propósito, vida longa aos 8 canecos em V) 4.0 biturbo de 32 válvulas e injeção direta. Tal usina é capaz de brotar 560 cv e 71,4 mkgf de torque. Faço questão de repetir para que o lado cognitivo do seu cérebro – e do meu – absorva tal dado facilmente: setenta-e-um-vírgula-quatro quilos de força! A apenas 1.750 rpm.


SHOW GRÁTIS

À minha frente, ironicamente, um V8 alemão com seu vocal gutural rouco e profundo como uma banda de punk rock tenta se desvencilhar da presença incômoda do RS7 logo atrás. Inútil.  Só atiçava ainda mais o Audi e a mim. O som que se propagava das quatro saídas de escapamento do C63 AMG me obrigou a baixar os vidros dianteiros do RS7. Um show como esse – e de graça – não se perde impunemente. Para ficar mais perto do palco minha meta era não desgrudar da rabeira do Mercedes. E a tração integral do Audi fez toda diferença.

Na parte mais divertida de Romeiros, numa sucessão de dez curvas interrompida por duas curtas retas, o RS7 sobressai sua excelência. Na estrada estreita com curvas, habitat artificial para um gorila, o Audi, paradoxalmente, exibe como poucos uma direção direta e expõe aos companheiros como se faz curva com extrema previsibilidade. A suspensão é firme, até demais por causa das rodas de 21 polegadas. Na hora de retomar a força do V8 a dianteira tende a dominar a saída de curva. É rápido, mas é sensível que você está sendo amparado por babás eletrônicas. A transmissão de dupla embreagem S-Tronic de oito marchas lê o que seu cérebro ainda nem ameaçou processar. A troca é imediata. No momento certo.


MONSTRO GORDO

No início do dia, como numa romaria, cada um dos meus companheiros de McDriver diziam que minha escolha para esse ano havia sido careta. Se na edição anterior com o Porsche Boxster GTS os olhos eram de cobiça, agora no deboche, eram de piedade. Ilusão de ótica, imaginava com um sorriso amarelo e em silêncio. Tinha certeza que o sedã com formas de cupê não me decepcionaria. Previsível, grande, gordo, monstro...esse Audi pode não ser um GT no sentido clássico da denominação, mas entre os 50 tons de cinza, esse ao estilo Durepoxi é minha ilusão de ótica favorita.


CHEVROLET CAMARO S CONVERSÍVEL

Por João Anacleto


Pra quem não se lembra, ano passado eu estava na mesma Estrada dos Romeiros resolvendo uma paixão de infância e empurrando Jaguar, Audi e BMW com um possante e carismático... Fiat Idea (minivan compacta esportiva de luxo que inspirou a Ferrari FF, diga-se). Para mim o carro do McDriver Feliz, o melhor dos melhores dias, não é apenas o carro do sonho, ou a melhor coisa que dirigi nos 366 dias de 2016. Prefiro a surpresa, aquele que mais me deixou boquiaberto ou, lacanianamente, o modelo que desperta o meu Eu onde a consciência não tem permissão de entrar.

O novo Camaro também tem algo de mim. Grande, pesado e beberrão num passado próximo, ele adquiriu novos costumes para sobreviver e deixar de lado a velha fama de vida conturbada. Fiquei impressionado ao acelerá-lo no autódromo Velo Cittá, em novembro, e perceber que de todos os adjetivos pejorativos ele só manteve o grande. Camaro, o Grande. Um candidato a imperador no reino dos automóveis. E, o melhor de tudo, é que ele evoluiu sem perder sua essência barulhenta e errática quando provocado. E isso, como sempre eu disse por aí, não é falta de autocontrole. É personalidade. Somos geniosos e nos amamos por isso.


Enquanto conto mais fios de cabelos brancos a cada segundo (ô, mania teimosa desses capilares que ainda não caíram!) o Chevrolet colhe frutos da experiência pós-Bumblebee. Com base na mesma genética, buscou nos melhores da família General Motors uma maneira de ser mais atlético e menos enfadonho. Enfim, estamos dirigindo um Cadillac por aqui! Sob o capô a disposição do velho 6.2 V8 já não agradava mais do que 10 minutos a bordo. O novo, vindo do irmão esportista, o Corvette, lhe empresta uma sensação de poder que em outros carnavais só seria possível a bordo das versões que começam com Z. E que você jamais veria no Brasil. São 461 cv à disposição apenas quando se quer. E, assim como eu calço meus chinelos de vez quando, o V8 vira V4 quando você só quer ir ali só comprar uns pãezinhos. 

A escolha do modelo conversível foi para intensificar essa nossa nova experiência. Que já fora brindada com uma posição de dirigir que me fez sentir em um carro, não dentro de um armário com vitrôs de banheiro, e com o novo câmbio de 8 marchas, mais inteligente que qualquer americano que votou no Trump. Com a capota guardada no porta-malas seprenteei cada curva da Romeiros com o ronco sendo mais ronco, o vento, mais vento, e o Camaro se apresentado como o melhor de todos os tempos. Reitero, ele faz curvas. E como faz. Aquela sensação que você está dirigindo um quarteirão a cada desvio de rota também acabou.


Mas nada é perfeito, e nem deve ser. Essa nova retidão, quase comportada do carro que torce os pescoços e expele gritos de aí sim, hein boyzão! pelo caminho, também pode ser rasurada. O Camaro extirpa a couraça pélvica de bom moço e pode rebolar como Elvis enquanto faz curvas, arrancando borracha dos sapatos e perfumando o ar com toneladas de fumaça branca. E era isso o que eu queria: um novo e velho Camaro. Sábio, aprendeu muito sem desaprender nada. E é aí que está a evolução. Um grande carro que se despediu com o velho autógrafo, escrito no chão, e marcou a calçada da fama do McDriver. Feliz 2017.


AUDI RS3

Por Marcelo Moura


Honda Civic Si. Mini John Cooper Works. Eis as minhas escolhas nos dois últimos McDriver. O primeiro parecia, mas não era – ou seja, entregava bem menos prazer do que suas linhas espalhafatosas e a cor laranja berrante faziam pensar. O segundo era, mas não parecia – afinal, imaginar 231 cv em um pequeno e delicado Mini é como esperar por uma bomba atômica em uma caixa de bombons. Calejado pelas experiências passadas, procurava para o meu terceiro McDriver algo que parecesse e fosse. Um carro onde aparência intimidadora e prazer ao volante estivessem intrinsecamente ligados. E ninguém representa tão bem essa essência quanto o Audi RS3.

Olhe fixamente para essa massa avermelhada na foto abaixo e diga se algum sinal de alerta ou uma fagulha de endorfina surge em suas veias. Se a resposta for não, eu te chamarei de mentiroso. Chame de instinto ou sexto sentido, mas ao bater o olho no RS3 você sabe que ali há algo diabolicamente prazeroso que te fará esquecer os problemas conjugais e a pilha de boletos enquanto o pé direito estiver colado no assoalho.


ENGENHOSO

Ligo o carro e a intuição é reforçada pela audição: o som do motor 2.5 turbo de cinco cilindros é fantástico. E é melhor aproveitar como se estivesse no último show do enérgico Prince – pelo mundo mais verde, este deve ser o suspiro final do clássico cinco canecos em um carro de passeio. É desse motor com cerca de 180 kg que surgem os 367 cv e os 47,4 mkgf de torque. Impressionado com os números? Então será uma bofetada na cara quando descobrir que em nossos testes na pista o RS3 acelerou até os 100 km/h em 4 s, apenas 0,2 s mais lento que um insano Mercedes AMG GT S. Como? Além da força de búfalo, boa parte do trabalho sujo é feito pela transmissão automática de dupla embreagem e sete velocidades. Mesmo querendo assumir o comando através das borboletas, ela é tão mais rápida e esperta que a mente humana que você a deixará trabalhar incólume, como um prêmio a engenharia.


Engenharia que faz com que, nas curvas apertadas e exigentes da Estrada do Romeiros, cartão postal do nosso McDriver, o hatch se mostre preciso como um relógio atômico, aquela máquina que não varia nem um segundo em 15 bilhões de anos. Crave o pé no acelerador, deixe os pneus gritarem como uma fã histérica... Com o sistema quattro de tração integral trabalhando em sintonia com a suspensão firme, o limite do RS3 é tão difícil (apesar da diversão em tentar) de alcançar quanto Usain Bolt em uma corrida matinal.

Tudo isso por pouco menos de R$ 300 mil, uma migalha perto do cobrado por outros esportivos mais gabaritados. Acredite: o Audi RS3 é exatamente o que parece ser: fantástico.


JAGUAR F-PACE

Por Pablo Gonzalez


Como sou o único cara que trabalha com arte e imagens por aqui, resolvi me diferenciar de todos os outros participantes. Mas não foi nada por conta própria, a exemplo de muita gente eu fui tomado pelo vírus de adoração ao SUVs, e neste ano cheio de novidades entre os grandalhões resolvi escolher o mais belo deles. O Jaguar F-Pace definitivamente é o SUV mais impressionante que eu já tive o prazer de guiar.


A versão First Edition do F-Pace vem com um motor 3.0 V6, sobrealimentado com compressor centrífugo, que lhe oferece 380 cv de potência e ronca como um legítimo esportivo, digno de ornamentar o grande felino na grade dianteira. Seu acabamento, que usa alumínio e fibra de carbono sem miséria, torna essa experiência ainda mais apaixonante. De tão voraz, ele faz com que você se esqueça de que está em um carro desse tamanho. No meio do percurso eu, que havia me habilitado para levar a geladeira com nossos mantimentos, percebi que carregar coisas não é a melhor tarefa que este Jaguar pode executar. A não ser que você leve laranjas para elas virarem suco no final da Estrada dos Romeiros... Quase destruí o compartimento de tanto que ele chacoalhou no banco traseiro.


RENAULT SANDERO RS

Por Henrique Neves


Quando fui convidado para participar do desejado e disputado McDriver Feliz fui ver quais carros os outros convidados tinham escolhido: Audi, Mercedes, Jaguar, Porsche 911... Todos carros acima de R$ 150 mil e alguns chegando perto dos sete dígitos. Aí resolvi surpreender. Quem disse que para se divertir é preciso ter R$ 1 milhão no bolso e mais de 650 cv sob o capô? Não, caro leitor. Ainda há um fio de esperança nesse mundo automotivo para quem é assalariado. Procurei um carro que tivesse pegada esportiva e ao mesmo tempo custasse bem abaixo de R$ 100 mil. E nesse jogo de razão, o Sandero RS se encaixou como uma luva.


 Gosto do desenho agressivo que convida a acelerar. Já o motor é um 2.0 16V flex de 150 cv (com etanol), acompanhado de um câmbio curto como um final de semana e capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 8 s chegando a velocidade máxima a 202 km/h. O carro, como um esportivo de alta linhagem, ainda tem  um sistema com três modos de condução que alteram a resposta do acelerador, o mapeamento da injeção eletrônica e o ronco do motor.

Não à toa uma fonte da Renault me confidenciou que técnicos e engenheiros franceses estiveram no Brasil para atestar que o nome RS não seria marketing. Para usar a assinatura Renault Sports diversas mudanças foram implementadas e sem economias desnecessárias. O resultado foi bem saboroso. Em suma, eu não passei vergonha entre os grandes! Óbvio que não estou comparando o Sandero RS com os outros carros do McDriver. Mas se você tem na sua conta corrente algo próximo R$ 60 mil, já pode sonhar com um esportivo de respeito na garagem


PORSCHE 911 CARRERA S

Por Luiz Guerrero


Aos puristas: minha escolha não foi provocação, mas homenagem à determinação dos alemães. Durante 24 anos, depois da grande conquista de 1990, a Mannschaft decaiu – e caiu no descrédito. Reorganizou-se e... Os 7 a 1 de 2014 e, na sequência, a conquista do quarto título mundial mostraram que um dos passos para se atingir a perfeição, no futebol ou em qualquer atividade, é admitir as falhas e trabalhar para conquistar os objetivos.

Sim, estou falando da camisa que escolhi para participar da festa da firma (e que também serviu como minha homenagem ao rubro-negro carioca) e não do carro. Quando se elege um Porsche 911 entre tantos modelos possíveis para dirigir durante um dia inteiro, não é preciso ocupar espaço com justificativas. Também posso dispensar elogios rasgados à versão que dirigi, a Carrera S, e não perder o nosso tempo descrevendo a disposição incomum do novo motor biturbo de 3 litros, a impressionante agilidade da transmissão de dupla embreagem e a surpreendente precisão da direção elétrica. Todos os elogios possíveis foram feitos no teste da C/D 105 em que, a propósito, o mesmo carro que dirigi acelerou de 0 a 100 km/h em 3,5 s e cumpriu a prova do 0 a 100 km/h a 0 em menos de 6 s.


CONCESSÕES

Desde 1964, quando o 901 foi lançado, o Porsche 911 preserva a pureza técnica e isso por si só é admirável. "Passamos cada minuto pensando em como melhorar o que nossos clientes já consideram bom", me disse há um ano, no lançamento da versão nos EUA, um dos engenheiros de desenvolvimento da Porsche. Não há como duvidar. Como todos os outros fabricantes, ela  teve de fazer concessões técnicas e de estilo, e a cada mudança sempre evoluiu sem abrir mão da essência. Foi assim em 1997 quando a Porsche foi obrigada a trocar o motor refrigerado a ar pelo refrigerado a líquido para atender às normas de emissões, e desenvolveu um seis cilindros boxer tão eficiente que a única coisa da qual se poderia ter queixa era do som.

Agora ela volta a alterar o motor para se adequar novamente às leis de emissão e de consumo: reduziu a capacidade cúbica do boxer 3,8 aspirado para 3 litros e, para compensar as perdas de torque e de potência, instalou um par de turbinas de baixa inércia. De novo: só dá pra sentir saudades do som do antigo aspirado.


Para manter as vendas nos EUA, seu principal comprador, instalou controles eletrônicos para a maioria das funções do 911 e, com isso, tornou o carro mais amigável. Mas deixou a possibilidade de poder desativar os vigilantes. E em 2011 substituiu a caixa automática Tiptronic, que estreou em 1989, pela insuperável transmissão PDK, mas continua oferecendo a opção de câmbio manual para toda sua linha. Por fim, para continuar atendendo aos americanos, instalou porta-copos no cupê, um artefato tão discreto, embutido no painel, que só me dei conta de sua existência quando tive de devolver o carro.

Não há muito o que se criticar no 911 – por certo o preço cobrado por cada um dos opcionais e o fato de não se ter acesso ao motor. Fora isso, dirigir um 911 2017 continua nos deixando as mesmas boas sensações que um 911 da primeira safra deixa. Eu não poderia ter feito escolha melhor. E sem precisar, como os demais, justificar a escolha.


AUDI TTS

Por Leozitor de Souza


Esta foi a minha primeira vez no McDriver Feliz, o melhor dos melhores dias do ano, aquele dia em que a gente dirige o carro dos nossos sonhos. Para falar a verdade, e que fique entre nós, eu queria mesmo era passar o dia com o novo Audi R8 V10 Plus, mas como o carro acabou de chegar ao Brasil a Audi ainda não tinha uma unidade dessa supermáquina. Paciência. Mas não fugi muito da escolha, e fiquei com o carro que considero um mini R8, o intrépido e veloz TTS.

Meu coração balança quando vejo o Audi TT, e isso é desde sempre. E essa versão S me enche de motivos para que a paixão continue bem resolvida. Equipado com um 2.0 TFSi de 286 cv, acompanhado do S-Tronic de 6 marchas  e guiado por uma tração integral que beira a perfeição, ele permite que a diversão não termine em confusão ao final de cada curva. Sua direção direta e o equilíbrio da distribuição de peso aguçam os sentidos de qualquer motorista, piloto ou iniciante, a desvendar mais e mais o que ele é capaz de fazer.


Suas capacidades vão além do equilíbrio. Nas retas e retomadas de velocidade na Estrada dos Romeiros, que liga São Paulo a Itu, ele não fez feio diante de Chevrolet Camaro SS e Porsche 911, por exemplo. Como é um trajeto de curvas fechadas e pequenas retas, o TTS estava sempre na cola dos carros mais potentes. Afinal, um carro que acelera de 0 a 100 km/h em meros 4,6 s merece ser respeitado em qualquer situação.

Por fim, adorei participar dessa edição do McDriver Feliz. Uma experiência inesquecível que vai para o meu currículo. No ano que vem eu volto, e com o R8 V10. Aguardem!


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