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Topo do mundo: Bentley Bentayga encara Range Rover SV Autobiography

Com o perdão de Shakespeare, testamos estes tronos dos reis, estas ilhas coroadas, estes solos de altiva majestade, estes novos Edens

Por Aaron Robinson // Fotos: Scott Toepfer

Os costumes mudam. Um rico cavalheiro que outrora expressara sua boa fortuna em um Mercedes-Benz 450SEL ou em um Rolls-Royce Silver Shadow, ambos grandes carruagens para a elite tradicional dos anos 1970, hoje pode viajar em algo parecido com uma Rural Willys depois de uma cirurgia plástica desastrosa. Já faz 25 anos desde que a onda dos SUVs chegou com tudo e 24 anos desde que foi feita a primeira previsão da decadência do segmento. Mas independentemente da renda que tenham, as pessoas gostam de sentar-se nas nuvens, gostam de poder circular despreocupadamente sobre a infraestrutura em desintegração. E gostam de ter muito espaço.

E os fabricantes não podem elevar os preços alto o bastante. Você hoje pode gastar uma fortuna em um Cadillac Escalade – quase quatro dígitos por uma Suburban chique. Não importa quantos zeros sejam colocados nestes caras, sempre há carteiras esperando para serem ainda mais abertas. E aqui entra a Inglaterra (soem as trombetas!), a joia esmeralda do Mar do Norte, a nobre fabricante de carruagens para reis e imperadores (e ditadores) com seus bons mecânicos.

Qualquer discussão sobre a tradição automotiva britânica não se completa sem um aceno à luxuosa linha Land Rover, a Range Rover, que fornece reduzidas e diferenciais bloqueados para a monarquia desde sempre. O Range Rover mais barato que você pode comprar (não a Sport, nem o Evoque, mas o Range Rover de verdade), custa US$ 85.945 nos EUA. O Range Rover de chassi longo mais barato sai por US$ 109.190. Por isso não seria injusto dizer que o SV Autobiography que testamos, de US$ 202.935, é um carro com, mais ou menos, US$ 100.000 em opcionais. Acredite ou não, mas ainda há um modelo Holland & Holland de US$ 245.500, mas é melhor evitá-lo porque ele vem equipado com rifles de caça.


Enquanto isso a Bentley batizou seu primeiro SUV com o nome de uma região das Ilhas Canárias, mostrando que os alemães (a Bentley pertence à Volkswagen) são engraçados mesmo quando não tentam ser. Por US$ 281.100 o Bentley Bentayga veio pintado de Hallmark Metallic, com couro Beluga-over-Camel e acabamento de eucalipto negro, o que indica que o catálogo do Bentayga é lido como uma carta de vinhos finos.

No teste, este trenó de 2.586 kg foi tão rápido quanto uma Ferrari F40 no quarto-de-milha, e é divertido pensar que músicas Gilbert e Sullivan teriam escrito sobre este milagre moderno.

Comprar o Bentley Bentayga de 608 cv ou o Range Rover de 557 cv não é como comprar um Rolls-Royce, ou um Mercedes-Benz Classe S, ou uma limousine Cadillac ou qualquer outro desses carros grandes normalmente associados ao sucesso financeiro. Isso porque estes utilitários milionários evitam o esplendor barroco que costumavam definir os carros de luxo no lugar de um utilitarismo hiper-elegante semelhante a um canivete Victorinox cravejado de diamantes. Pode chamar isso de estilo brutal chique.



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