Rumo certo: Jetta 1.4 encara Focus Fastback, Corolla e C4 Lounge

Com motor 1.4 turbo, o Volkswagen entra de vez na briga dos sedãs médios. E isso deveria chamar sua atenção

Por Rodrigo Machado // Fotos: Leo Sposito

Em 2015, 186.587 pessoas ignoraram a crise e compraram um sedã médio, número 20% menor do que em 2014. No mesmo período, 306.146 SUVs foram emplacados no País, sendo a maioria formada por utilitários compactos, que custam basicamente o mesmo que um sedã com o porte de um Toyota Corolla. Os dados da Fenabrave indicam uma coisa: tem quem prefira altura à qualidade.

Como especialistas no assunto, podemos dizer categoricamente que eles estão errados. Aproveitamos o lançamento do VW Jetta com o motor 1.4 turbo para provar isso ao juntar os quatro melhores sedãs médios do País.  Parafraseando Obi-Wan Kenobi: esses não são os carros que você está procurando. Mas deveria.

4º LUGAR - FORD FOCUS FASTBACK


O Focus tem o motor mais potente, é o único com câmbio de dupla embreagem, conta com boa lista de equipamentos e tem, indiscutivelmente, o desenho mais harmonioso entre os quatro deste embate. Então, como ele ficou no nada honroso último lugar (por pouco, é verdade)? Bem, é que apesar da ficha técnica apetitosa, a prática é um bocado diferente da teoria. Para começar, a tal moderna dupla formada pelo motor com injeção direta e a transmissão com duas embreagens é tão desastrada como dançar forró no show dos Rolling Stones.

ford Focus fastback

  • + Desenho, direção, suspensão

  • -  Câmbio mata o motor

  • Ele já foi muito melhor

O 2.0 de 178 cv até tem seus méritos e empurra bem em giros altos. Mas merecia melhor companhia. Se você tem dúvidas do quão mal calibrado é o Powershift, olhe a tabela de testes e compare os números de retomada, uma categoria que mostra bem a rapidez de pensamento do software e a velocidade do hardware nas trocas. Apesar da maior potência, o Focus foi mais de dois segundos mais lento em relação ao Jetta, que usa um câmbio automático com conversor de torque – e que não é nenhuma maravilha da engenharia moderna.


NA VEIA

Ao menos, o Ford continua com um belo acerto dinâmico e uma direção certeira que conquista qualquer um que ainda tenha sangue pulsando nas veias. Contudo, falha em quesitos importantes para um sedã médio, como nos escassos espaços na traseira e porta-malas. Ele até compensa tendo a central multimídia mais completa dos quatro. Muito pouco para um carro que era uma referência em quase tudo o que apreciamos em um sedã médio na geração passada.

3º LUGAR - CITROËN C4 LOUNGE


O C4 é, disparado, o menos procurado entre esses quatro. Para você ter ideia, ele consegue a façanha de vender menos que um BMW 320i, que custa R$ 70 mil a mais. A falta de popularidade, no entanto, não significa ausência de qualidades. É bem verdade que o maior trunfo do Citroën pouco tem a ver com a competência da marca francesa. Mas e daí? O motor 1.6 THP, feito em parceria com a BMW, continua como um dos melhores do mercado, principalmente quando comparado com o que os outros sedãs médios oferecem. Duvida? Bem, o C4 foi o mais rápido em quase todos os testes de pista mesmo sendo o mais pesado da disputa. Tudo graças ao ótimo rendimento em giros baixos que o turbo e os 24,5 mkgf de torque proporcionam.

citroën c4 lounge

  • + Motor, espaço, preço

  • -  Direção não anda junto

  • Merecia bem mais sucesso

Há poucos anos, só o desempenho do motor já seria suficiente para que o Citroën vencesse com sobras esse comparativo. Mas a concorrência evoluiu. E explicitou a má combinação entre a esportividade do conjunto mecânico e o conforto da grande cabine que o C4 traz. O volante grande aliado à posição alta de dirigir e a direção lenta não refletem o que o resto do carro pode fazer.


DOBRO

Ao menos o espaço interno é muito bom e todo mundo vai bem acomodado. O francês feito na Argentina também é o mais silencioso, principalmente em velocidade de cruzeiro, apesar de ser um tanto rude no trato com os buracos. A Citroën ainda perde pontos pelo altíssimo preço de suas revisões, quase duas vezes mais caras que as do Toyota Corolla. Esse sim um dos motivos pela baixa popularidade do C4 Lounge.


2º LUGAR - TOYOTA COROLLA


Se o C4 Lounge é um ilustre desconhecido do grande público, o Corolla é um astro. Um fenômeno em tempos de crise: vende mais que o dobro do Honda Civic, o segundo no segmento. E tem, para isso, predicados que vão muito além da confiabilidade da marca e a facilidade de revenda que o Toyota sempre teve. A ampla renovação pela qual ele passou no início de 2014 o transformou em um carro moderno, capaz de superar as nossas expectativas.

Antes dele, não sabíamos que um câmbio CVT poderia ser tão bom. Aliás, mesmo competindo contra caixas automáticas de seis marchas e de dupla embreagem, a transmissão do Corolla é, disparada, a mais eficiente deste comparativo. Tão boa que compensa o fato de que o 2.0, o único da disputa que não tem turbo ou injeção direta, ainda estar nos anos 2000.


DEL REY

O Corolla também mostra que ter suspensão traseira independente não é condição básica para um bom acerto dinâmico. Tudo bem que não chega ao nível de refinamento de Jetta e Focus, mas em nenhum momento passou perto da aspereza do Citroën, por exemplo. A direção é outra que evoluiu bastante e jogou para escanteio o estigma de carro de tiozão, algo repetitivo na vida desse Toyota.

toyota corolla

  • + Câmbio, CVT, direção

  • -  Motor antigo

  • Não é por acaso que vende tanto

Abra a porta e seja bem-vindo a uma cabine moderna, mas com algumas soluções já ultrapassadas. Caso da completa central multimídia contrastando com o tosco relógio digital no topo do painel, digno de um Ford Del Rey da década de 80. O acabamento é razoável, sem exageros, como sempre foi o caso em carros japoneses. Afinal, não dá para quebrar todas as tradições de uma vez só.


1º LUGAR - VOLKSWAGEN JETTA


O Jetta trazia um sentimento de desperdício quando foi lançado, em 2011. As versões 2.0 turbo e aspirada beiravam o absurdo, de tão díspares. Até a suspensão traseira era diferente. Ficava a sensação que a Volkswagen tinha um bom produto na mão, mas fazia questão de sucateá-lo com um motor do século passado e uma transmissão hesitante. Até que, finalmente, a VW resolveu se mexer. Primeiro, aplicou a suspensão multilink em todas as versões, e recentemente trocou o jurássico 2.0 por um refinado 1.4 turbo. E o Jetta voltou à briga.

PATINAÇÃO NO GELO


A mudança evidenciou as qualidades do sedã: a direção é certeira, assim como a calibração da suspensão. E surpreendeu em outros tópicos, como frenagens e consumo (ele é o único que não é flex entre os quatro). Contudo, mesmo com a significativa melhora em relação ao 2.0 antigo, esperávamos mais do conjunto mecânico.

volkswagen jetta

  • + Acerto dinâmico, motor

  • -  Câmbio

  • Ele sempre deveria ter sido assim

A culpa aqui é da transmissão automática, principalmente nas retomadas em giros baixos. A impressão é que o conversor de torque patina enquanto entende quanta força está recebendo. São décimos de segundo, mas é o suficiente para você se irritar, pisar mais forte do que deveria e provocar um belo tranco. Depois disso, o 1.4 enche e empurra forte, principalmente em rotações altas.

No resto, o Jetta tem acabamento e ergonomia bem pensados e uma combinação honesta entre espaço para passageiros e bagagens. A lista de equipamentos poderia ser mais completa (o GPS é opcional), os preços de manutenção mais baixos, assim como ter mais ousadia no desenho externo e interno. Mas essa história a gente já conhece desde 2011. 

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