Novo Chevrolet Cruze Sport6 encara Volkswagen Golf

Em sua segunda geração, Cruze vem com motor turbo e repleto de itens de série. Será que o Golf finalmente tem um rival à altura?

Por Raphael Panaro // Fotos (feitas em local fechado): Bruno Guerreiro

Eles já foram a bola da vez. Mas os altos preços e a avalanche de utilitários compacto fizeram os hatches médios perderem importância no Brasil. O Hyundai i30 quase desapareceu. O Peugeot 308 ainda existe? Porque o Fiat Bravo morreu... Atualmente, Ford Focus, Volkswagen Golf e Chevrolet Cruze Sport6 são os remanescentes que ainda disputam a preferência daqueles que não gostam de dirigir nas alturas ou não precisam do espaço extra de um sedã.

Nós da C/D adoramos os hatches médios. Eles aliam esportividade, praticidade e tecnologia em uma embalagem ideal. E aproveitamos que a Chevrolet trouxe ao Brasil a segunda geração do Cruze Sport6 (totalmente repaginado e com motor turbinado) e o colocamos para brigar com o VW Golf – referência no segmento – e saber: qual o melhor hatch médio à venda no Brasil?


2º Lugar - Chevrolet Cruze Sport6


Sim. A vida mansa do VW Golf acabou. A segunda geração do Cruze Sport6 chegou muito perto de bater o hatch nacional. A diferença mínima de pontos se dá nos detalhes. O Cruze anda mais, tem menos ruído interno, a lista de itens de série é longa e o preço, competitivo. No entanto, o porta-malas é menor que de um Renault Sandero, o carro precisa de mais espaço para frear, o interior e o consumo é bem inferior.

Mas antes vamos falar da evolução do carro, que começa pelo design e vai até o motor 1.4 turboflex.

Parrudo. Essa é a palavra para descrever o porte da nova encarnação do Cruze Sport6. Os para-choques são inspirados na verão esportiva RS, vendida nos Estados Unidos. A grade é fina, mas a bocarra logo abaixo e os faróis de neblina com moldura cromada tornam a dianteira bem robusta. A traseira é larga e as lanternas enormes dão personalidade forte ao hatch. O conjunto  é musculoso, mas harmônico.


Outra mudança fica escondida. A Chevrolet abandonou o 1.8 flex e instalou um turbinado 1.4 de 153 cv. E isso fez um bem danado. O Cruze Sport6 superou o rival Golf 1.4 na pista de testes cravando 8,2 s de 0 a 100 km/h – 0,6 s a menos que o rival.

A pressa, por sua vez, é inimiga da perfeição – e do consumo de combustível. O hatch feito na Argentina gosta mais de cana que o Golf.

Ao rodar durante uma semana com o carro a sensação é de que o Cruze aparenta ser bem mais pesado que os 1.331 kg da ficha técnica. O motor parece se empenhar mais que o do Golf para mover a massa de ferro. Nem mesmo o torque de 24,5 mkgf, que  entra um pouco mais tarde do que o rival, a 2.000 giros, dá agilidade ao hatch. Nas retomadas de 20 a 40 km/h e 40 a 60 km/h o modelo vai bem, porém é superado por pouco nas outras duas medições em relação ao Golf. O peso maior e o câmbio automático de seis marchas jogam contra. A terceira geração da caixa ainda fica pensativa quando você pede mais força. Em outros momentos não faz a troca tão rapidamente quando é necessário.


CUSTO/BENEFÍCIO

A suspensão do hatch é mais rígida que a do Cruze sedã e menos que a do Golf.  O acerto consegue segurar a carroceria e ainda preserva o conforto no rodar. Mas o Cruze Sport6 se destaca mesmo no custo/benefício. Com 103.290 você leva a versão LTZ, que vem bem rechada. Um segundo pacote de itens custa adicionais R$ 9.800 e você tem toda tecnologia disponível – até carregamento sem fio para smartphones.

Só que o apelo emocional do Golf, a escolha certa de materiais e tons no interior, encaixes precisos, consumo de combustível, dinâmica e o desempenho quase similiar fazem do VW um conjunto melhor.


1º Lugar - Volkswagen Golf


A Volkswagen bem que tentou, mas não conseguiu que o Golf nacional saísse como perdedor deste comparativo. O problema mais grave do hatch continua sendo... a localização da porta USB! Encaixar qualquer coisa ali só com uma combinação de fatores: planetas alinhados, mão pequena e alavanca de câmbio na posição D. Fora isso, esqueça.

O exemplar nacional involuiu em relação aos veículos importados da Alemanha e depois do México. A redução de custos fez o rápido câmbio automatizado de sete marchas e duas embreagens ser trocado pelo automático de seis marchas AQ250. A transmissão com conversor de torque diminui a agilidade do Golf em saídas, é hesitante em algumas situações de retomada e as trocas não são tão suaves quanto do antecessor DSG. No dia a dia a atuação do câmbio passa despercebido, mas na pista não. O Golf tem 150 cv – apenas 3 cv a menos que o Cruze Sport6 –, 1 mkgf de torque a mais e 1.279 kg – contra 1.331 kg do Chevrolet. A explicação para o 0,6 s de diferença no 0 a 100 km/h – é o Tiptronic. Já nas retomadas de 80 a 100 km/h e 100 a 120 km/h o Golf leva vantagem de 0,3 s em ambas as medições.

O hatch feito em São José dos Pinhais (PR) tem  ainda números de frenagem e consumo melhores. Este último impressiona. Com etanol, o Golf registra médias de 11,7 km/l na cidade e quase 15 km/l em rodovia.  O Sport6 registrou 9,2 km/l e 11,4 km/l, em trecho urbano e rodoviário, respectivamente.


SENTADO

No quesito itens de série o Golf Highline fica muito atrás do Cruze– devidamente descontado na nossa tabela de notas. A versão Highline parte de R$ 107.600, mas para chegar perto dos equipamentos oferecidos pela versão LTZ do Cruze Sport6, de R$ 103.290, o comprador precisa ter grana para torrar. O Golf traz rodas de 16", não vem com teto solar, nem botão de partida e acesso sem chave. Câmera de ré, ajuste elétrico dos bancos, assistente de estacionamento, central multimídia com tela de 8" e GPS integrado são outros itens que estão disponíveis opcionalmente.

Façamos as contas. O teto solar custa adicionais R$ 4.574. Todos os outros itens fazem parte do pacote Premium, de obscenos R$ 28.832, que ainda dá ao Golf faróis de xenônio, rodas de 17" e controle de cruzeiro adaptativo. Está sentado?  O preço do hatch vai para exorbitantes R$ 142.429. Por sua vez, já vem com sete airbags, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, ar-condicionado dual zone e central com tela de 6,5".


O Golf, no entanto, retribui com sua dinâmica. A posição de dirigir é referência, o motor 1.4 turboflex compensa qualquer perda com o câmbio automático convencional e o torque de 25,5 mkgf surge logo a 1.500 rpm. O hatch transmite uma sensação de leveza – algo que não se sente no Cruze. A plataforma MQB dá o modelo uma base excelente,  parecendo sempre se entender com o asfalto.  Muda de direção sem drama, equilibrado.

Olhe bem este Golf. Nos próximos meses ele muda sutilmente por aqui. E o que já era bom vai ficar ainda melhor.


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