Kia Sportage frente a frente com o Fiat Freemont

Como o Freemont se sai contra o Sportage, agora com uma versão flex?

Por Marcelo Cosentino - Fotos: Bibo Bouzaz

Quem está de olho em um utilitário esportivo para estacionar na garagem sabe que a concorrência está feroz entre as marcas. Nos últimos anos o Brasil recebeu diversas opções com um só objetivo: conquistar este segmento em franca expansão. O Kia Sportage foi uma destas apostas. Deu tão certo, que a Kia não tinha unidades para entregar aos clientes interessados. E, por conta disso, o SUV coreano fechou o ano de 2011 atrás de seus principais concorrentes e até mesmo do Kia Sorento.

A estratégia para 2012 promete deixar quem está de olho em um SUV ainda mais indeciso. É que a fabricante equipou o Sportage com um inédito motor flex para o segmento de utilitários "premium", estratégia amplamente utilizada na indústria brasileira com bons resultados. E não é só isso, a Kia chorou com a matriz coreana e recebeu como consolo a promessa de 1.200 carros/mês – hoje apenas 700 unidades são enviadas para cá.

Junto com as evoluções, o Kia Sportage 2012 também trouxe um aumento significativo em seu preço – segundo a marca, sintomas do aumento do IPI. A partir de R$ 90,9 mil (aumento de 8,3%), o SUV coreano ultrapassa o valor pedido pelo Fiat Freemont, a recente aposta da Fiat para o segmento – e que ainda não mostrou a que veio. O irmão do Dodge Journey tem sete lugares e etiqueta a partir de R$ 86 mil em sua versão topo de linha, a Precision.

Com preços semelhantes, é natural que o consumidor tenha dúvidas entre o Fiat e o Kia. Só que, apesar de estarem no mesmo segmento, estes são carros apresentam características que os distinguem de uma forma interessante. As potências são um exemplo dessa disparidade. O novo Kia e seu novo motor 2.0 bicombustível desenvolvem 178 cv com etanol no tanque, 12 cv a mais que o antigo modelo. Já o Freemont é um pouco menos potente, tem 172 cv, mas traz sob o capô um motor maior, 2.4 litros.

As linhas podem agradar a gregos e troianos. O visual do Freemont, um crtl+c ctrl+v do Dodge Journey, traz um desenho típico da escola de design americana. Já o Kia, muito mais ousado, traz os cortes de Peter Schreyer, o designer ex-Audi revolucionou as linhas da montadora coreana – e coleciona prêmios por aí.

Na hora do vamos ver, o Fiat Freemont se mostra um carro esperto, apesar dos mais de 1.800 kg. Quem não arranca suspiros é o câmbio automático de quatro velocidades, que às vezes parece um pouco perdido. Em algumas situações a segunda marcha entra, enche o motor e o carro grita histérico. Mesmo assim as acelerações têm vigor e o modelo ganha velocidade com facilidade.

O Sportage também é digno de elogios. É perceptível a diferença que os 12 cv extras fizeram no modelo. O Kia é ágil, ganha velocidade sem esforços e o melhor, não sofre com a indecisão do Freemont, já que o propulsor 2.0 é bem associado ao câmbio automático de seis velocidades.

Mais esperto que o Freemont, o Sportage se beneficia não só dos cv extras, mas também do menor peso. Enquanto o Fiat tem 1.809 kg, 4,89 m de comprimento e sete lugares, o Kia acusa na balança 1.417 kg, tem na fita métrica 4,45 m e leva cinco pessoas.

Para quem não liga para potência ou visual, mas não abre mão de conforto, os dois carros vão agradar. Por ser maior, o Freemont tem mais espaço para os ocupantes e agrada mais nesse ponto. Mesmo assim vale destacar que os dois últimos assentos, rebatíveis, oferecem espaço bem restrito – e devem ficar limitados a levar crianças. Na prática, a Fiat chama o carro de um 5+2, e não propriamente de um sete lugares. O utilitário coreano também traz bancos confortáveis e boa posição de direção.

No banco traseiro a vida é melhor no Freemont. E não só pelo comprimento maior do modelo, é que o caimento do teto do Sportage dá ao carro um visual impecável, mas limita o espaço para cabeça de quem viaja atrás – efeito similar acontece até mesmo com o Fiat Bravo. Ainda assim é admirável o espaço para pernas, nada de joelhos apertados.

Após rodar com os dois carros fica nítido porque é tão difícil escolher uma opção neste segmento. Pelo menos Freemont e Sportage deixam claro o tipo de consumidor que eles têm em vista. Você tem esposa, filhos e volta e meia tem que transportar a sogra? Então o Fiat é a sua escolha: custa menos, tem uma oferta de desempenho adequada e espaço, muito espaço. Agora, você é um solteirão a procura? O Sportage tem visual moderninho, esperteza ao pressionar o pedal da direita e pode ser um trunfo para conquistar uma namorada, tamanha a atenção que chama pelas ruas. Como eu estou mais perto da segunda opção, minha escolha seria o Kia, mas fique a vontade.

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