Década vencida: novo Toyota Corolla encara Honda Civic

Os dois reis do segmento frente a frente. Mais uma vez

Por Raphael Panaro // Fotos: Bruno Guerreiro

Toyota Corolla, Honda Civic e o resto. O segmento de sedãs médios no Brasil é mais ou menos definido assim. Se pegarmos só os últimos dez anos, esses dois modelos monopolizaram as atenções – e as vendas. Os números mostram amplo domínio do Corolla. Desde 2007 o Toyota emplacou mais de 600 mil carros e só perdeu a liderança em 2008 e 2013 – enquanto o Honda registrou pouco mais de 430 mil unidades. Mas e na vida real? Será que o cinquentão Corolla vence o moderno Civic?

2º - Toyota Corolla XEi


O Toyota Corolla tem qualidades, é claro. Não é à toa que tem mais de 44 milhões de unidades vendidas globalmente e nem é por acaso que ele figurou entre os cinco automóveis mais emplacados no Brasil em 2016. No segmento, então, os números são dominantes e superlativos. Chegou a quase 65 mil carros em 2016 – mais que o triplo do segundo colocado, o Honda Civic. Então o que faz o sedã, mesmo reestilizado e mais equipado, perder novamente para o conterrâneo?

É inegável que o Corolla continua um baita carro. Apesar de passar despercebido nas ruas, a mais recente atualização deixa o modelo mais refinado. O novo conjunto dianteiro dá modernidade estética ao senhor de 50 de anos. O design continua conservador, é verdade, mas já é alguma coisa. Com sete airbags e controles de estabilidade e tração para todas as versões, o Corolla está mais seguro.

Outro ponto positivo é o extremo conforto, item muito apreciado por quem compra o três volumes. Nem mesmo a troca das rodas de 16” por 17” a partir da versão XEi, comprometeu a suavidade. A nova calibração da caixa de direção também não altera a leveza ao fazer manobras e a firmeza necessária ao contornar viadutos ou cruzamentos. A confiabilidade mecânica permanece. O motor 2.0 flex, inclusive, garante maior desempenho que o 2.0 flex do Civic. As retomadas do Corolla são mais robustas. Nada que o atual ou um futuro proprietário – dos dois modelos – esteja preocupado.


DEVOTOS

De quebra, está a confiabilidade inerente a Toyota e o baixo custo de manutenção – fatores que tornam os já fiéis compradores em devotos. Ao final dos 60.000 km, você terá gasto R$ 3.250 com revisões – as do Civic são ligeiramente mais caras.

 O Corolla vence na batalha dos câmbios CVTs com simulação de sete marchas. O comportamento se dá de forma mais natural que no Civic. As marchas virtuais são mais perceptíveis, sobretudo com o modo Sport acionado. Você só vai perceber que se trata de um câmbio continuamente variável caso finque o pé no acelerador. Aí não há milagre. A rotação vai às alturas e o som do motor invade a cabine. A marca, inclusive, reforçou o isolamento acústico ao adicionar uma camada de borracha no revestimento do painel corta-fogo e colocar feltro nos painéis das portas. E funcionou. Os números de ruído são melhores que os do Civic – e que os do Corolla anterior.


Só que o sedã fica devendo em alguns aspectos. O espaço interno é um deles. O Honda é mais largo por dentro (+ 4 cm), tem mais espaço para os joelhos de quem senta atrás (+ 1 cm) e porta-malas engole 519 litros – contra 470 l do Toyota. O Corolla também não conseguiria acompanhar o Civic em uma pista. O conjunto suspensivo (independente na dianteira e eixo de torção atrás) consegue dar dinâmica ao sedã até certo ponto. Depois daí ela não segura o modelo em uma tocada mais entusiasmada. Somando isso a direção leve, a resultante a que chegamos é de que é melhor só ir visitar os filhos/netos e fazer compras no supermercado.

O modelo ainda precisa de mais espaço para frear que o Civic. Por fim, o consumo de combustível. A diferença é pouca, mas o Corolla registrou média de 11,5 km/l com etanol no tanque. No Civic foi possível rodar quase 12 km.

A próxima ocasião para o Corolla tentar bater o Civic será em 2019 quando o Toyota entra na sua décima segunda geração e usará a moderna plataforma modular TNGA. Enquanto isso, o sedã continuará seu reinado nas estatísticas comerciais – o que realmente importa para a marca japonesa. Porém, nem sempre campeão de vendas é o melhor.


1º - Honda Civic EXL


A diferença de R$ 7.960 na etiqueta de preço entre as versões diminuiu com a chegada do novo Corolla — era de R$ 7.960 e passou para R$ 5.910. Mesmo assim, se você quiser levar o Civic EXL para casa terá de fazer um ajuste no orçamento. A Honda pede R$ 105.900 pela configuração. Mas ao entrar no Honda você percebe que vale cada centavo a mais.

Antes de falar do habitáculo, vale ressaltar que a décima geração do Civic surpreende esteticamente. Mesmo após mais de sete meses do seu lançamento, o carro gera o fator novidade por onde passa. Geralmente conservadores, os japoneses se desprenderam de tal estereótipo e deram linhas ousadas ao sedã – principalmente na traseira com as lanternas “bumerangue”. Talvez esse seja o motivo do Civic apresentar números de vendas bem mais modestos que o rival. Aqueles que ainda procuram pelos sedãs médios não estão acostumados a pular de bungee jump, né?


Voltemos ao interior. O painel de dois andares ao melhor estilo ônibus londrino não está mais lá, é verdade. Em compensação, o Civic traz uma tela TFT central moderna, digital e que projeta inúmeras funções, como velocímetro, computador de bordo, conta-giros e mais uma meia dúzia dessas. Melhor que essa você só vai encontrar no Audi A3 Sedan. Um ótimo motivo para o comprador mostrar para o vizinho o que o seu carro novo tem.

A qualidade, escolhas de materiais e a finalização do interior, faz o Honda se tornar (até mesmo para quem não tem a grana extra para gastar) uma opção de compra. Tudo é pensado na cabine do Civic. Quer dizer, nem tudo. A exceção é a localização da segunda saída USB (a primeira é no console central) e da entrada HDMI, para espelhamento de smartphones. Elas estão escondidas na altura do seu joelho, bem embaixo da tela multimídia. Gotas de suor serão derramadas se você precisar usá-las. O melhor espaço interno frente ao Corolla fecha o quesito interior.

OBRA PÚBLICA

Já que falei em tecnologia, ambos os carros são equipados com centrais com tela de 7” sensível ao toque. E as duas causam a ira de hackers. Sem botões físicos, elas são tão ágeis quanto uma obra pública. O simples trocar a estação do rádio ou até mesmo aumentar/diminuir o volume é um difícil. O Toyota Play, do Corolla, que veio da linha Hilux e SW4, no entanto, consegue ser mais lenta. Fora isso, elas são parecidas com os atuais smartphones: bem intuitivas.


Nos itens de série, as duas versões vêm bem completas. O freio de estacionamento eletrônico e os bancos de couro presente no Civic EXL são itens que Corolla XEi não traz. O Toyota, por sua vez, vem com sete bolsas de ar desde a versão de entrada – no Honda são seis e botão de partida. Luzes diurnas, rodas de liga leve de 17”, direção elétrica, chave canivete, câmera de ré e função Eco são equipamentos comuns aos modelos.

Esses são os fatores pelo qual o Civic vence o comparativo. Porque se fosse pelo desempenho e emoção da dupla motor 2.0 flex de 155 cv e câmbio CVT... Ao menos tem suspensão traseira independente, o que lhe confere uma vantagem sobre o Corolla. Em situações que o Civic é exigido dinamicamente, ele tem maior tempo de apoio no chão do que o conjunto de eixo de torção do Corolla, por exemplo. A Honda ainda colocou buchas hidráulicas na suspensão que reduzem notavelmente o nível de vibração. Se por um lado o conjunto mecânico não te causa a emoção de esportivo, por outro ele não tem muita sede. Na estrada o Honda faz quase 15 km com um litro de etanol. Cada um é responsável por aquilo que cativa.


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