Comparativo: Porsche Macan GTS encara o Jaguar F-Pace S

Jaguar e Porsche provam que um centro de gravidade elevado não impede uma boa dose de diversão

Por Jared Gall // Fotos: Greg Pajo

Em uma indústria que vive das vendas de sedãs brancos e pratas e picapes médias, defender os entusiastas às vezes é como pular em um rio revolto e gritar para que a correnteza mude de direção. O câmbio manual está fadado ao desaparecimento. As peruas parecem não ter mais salvação. As leis sobre consumo de combustível estão matando a diversidade do portfólio de motores, substituindo-a por uma homogeneidade eficiente. Talvez o fato mais preocupante seja a proliferação de crossovers. Eles são como o florescimento das algas, que ameaçam sufocar todas as outras formas de vida em nome do acesso facilitado e da posição de dirigir elevada.

Mas alguns raios de luz começaram a furar o pesado cobertor da conformidade dos crossovers. O primeiro vislumbre de esperança da Porsche, o Cayenne, veio antes de que a maioria das pessoas percebesse o potencial mercadológico de um crossover de alto desempenho. Em seu primeiro ano no mercado, o Cayenne se tornou o modelo mais bem vendido da Porsche. Os criadores do Pink Pig aprenderam a lição com seu superleitão, e seu irmão menor, o Macan, já destronou o Cayenne como líder de vendas da marca. O exemplar testado aqui é o novo GTS 2017, que se encaixa entre o modelo S, de 344 cv e o Turbo de 405 cv.

Uma nova programação da ECU leva a potência do GTS aos 365 cv e o torque a 50,9 mkgf, enquanto as molas pneumáticas reduzem a altura de rodagem em 10 mm. Como os demais Macan, o GTS é oferecido apenas com tração integral e câmbio PDK de sete marchas e embreagem dupla. Esta versão vendida nos EUA por US$ 68.250 chegou aos US$ 77.255 com os opcionais incluídos no modelo testado. Os opcionais são o pacote Premium Package Plus (que inclui teto panorâmico, bancos aquecidos na frente e na traseira, sistema de partida sem chave e retrovisores fotocrômicos), sistema de vetorização de torque, pacote Sport Chrono (que inclui cronômetro instalado no painel, controle de largada e modo sport plus para a suspensão mais firme e respostas mais precisas do conjunto mecânico), e uma chave pintada na mesma cor do carro (custa US$ 525 para você e talvez um dólar para a Porsche). Qualquer cor que não seja preto ou branco também será opcional. Nossa Volcano Grey Metallic sai por US$ 690. O vermelho Carmim no Macan da capa? USS$ 3.120.


A luz de esperança da Jaguar é nova para 2017. Esqueça a função da Land Rover como braço off-roader da Jaguar/Land Rover; para atrair a atenção, toda marca precisa de seu próprio crossover. A Jaguar adotou muito alumínio no F-Pace, usando materiais leves para a maioria da estrutura da carroceria e componentes da suspensão. Um motor diesel de quatro cilindros equipa a versão básica, mas os mais vendidos deverão ser os V6 compartilhados com o F-Type.

Deslocando três litros e operando com 13,8 psi obtidos com um compressor tipo Roots, o V6 da Jaguar impõe uma vantagem de 20 cv sobre o Porsche, chegando aos 380 cv na versão S aqui testada. O onipresente câmbio ZF de oito marchas envia o torque para as quatro rodas, assim como em todos os F-Pace que a Jaguar pretende vender por aqui. Nosso exemplar é um dos 275 F-Pace First Edition, equipado com pneus Pirelli P Zero de 22 polegadas, sistema de áudio Meridian de 825 watts e 17 alto-falantes, o novo sistema multimídia In Control Pro da Jaguar, com tela de 10,2 polegadas e mais. Preço final: US$ 71.095.

Com tudo pronto, escolhemos um trajeto até Caldwell, Ohio, na região sudeste do estado, próximo ao Rio Ohio e a divisa com a Virginia Ocidental. Aqui, onde as estradas se dobram e cortam o Planalto Allegheny, começamos a ver que o F-Pace e o Macan são mais que apenas uma dupla de modelos novos. Talvez crossovers como estes, assentados, com linhas de teto e cintura mais próximas do chão predizendo uma mudança gradual que se distancia dos candidatos a off-roader e volta para a arquitetura de baixo centro de gravidade, sobre as quais os crossovers nasceram. Ou talvez seja apenas uma coincidência. Nesse caso, uma ótima coincidência.


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