Categoria de Base: Onix Joy encara Gol e HB20

O carro mais vendido do Brasil aposta na razão para continuar no topo. Mas será que o Onix Joy é páreo para Gol e HB20?

Por Raphael Panaro // Fotos: Bruno Guerreiro

Volkswagen Gol e Hyundai HB20 – um ex-campeão e um fortíssimo postulante ao título de um lado. De outro, o Chevrolet Onix, hatch que tem de provar mês a mês que merece estar no topo dos carros mais vendidos. Para dar um empurrãozinho nessa história, ele se apresenta na versão Joy que, com a aposentadoria por tempo de serviço de Classic e Celta, se torna a base da pirâmide da marca. A estratégia é mexer com o bolso.

Preço e consumo são os destaques da configuração que mantém o design responsável por levar o Onix até a medalha de ouro. Já o Gol ressurgiu das cinzas graças à estética e o interior renovados e o HB20 continua na obstinada missão de chegar ao lugar mais alto do pódio em vendas. Colocamos os três frente a frente. Quem leva a melhor?

3º LUGAR – CHEVROLET ONIX


No Rio de Janeiro existe uma festa chamada Ploc. Ela toca vários hits dos anos 80 e 90, tem um belo estroboscópio na pista de dança e é frequentada por jovens. O Onix Joy me faz lembrar dessa balada. Apesar do carro novo já estar nas concessionárias, a volta do selo Joy traz consigo um ar nostálgico. A versão não ganhou o recentíssimo botox da linha 2017. Segundo a Chevrolet, a estética antiga ainda é bem aceita. De acordo com a gente, é para manter um carro entre R$ 35 e R$ 40 mil, já que Classic e Celta pegaram a fila do INSS. R$ 38.990 é o preço.

LARANJA SÉPIA

Outra volta ao passado acontece no interior. A luz do painel de instrumentos troca o azul por laranja-sépia e os botões dos vidros elétricos ficam localizados junto ao freio de mão. E ainda tem a alavanquinha para regular os retrovisores manualmente. Chave sem comando de abertura e fechamento das portas e banco sem ajuste de altura completam os itens espartanos. É um automóvel de entrada, diria a marca. Pois ele é. O Onix Joy pode até ser o mais em conta dos três, mas está longe de ser barato. E a manutenção até os 60 mil é a mais cara dos três concorrentes aqui reunidos: R$ 3.272.

SUAVE

Em movimento, no entanto, o Onix melhora. O motor 1.0 SPE/4  ganha a companhia da palavra Eco. Entenda pistões, bielas e anéis redesenhados e mais leves. O tipo de óleo também foi alterado para melhorar o processo de lubrificação. O resultado é notável. O carro perdeu aquela aspereza e o ruído foi reduzido. Está mais silencioso e, segundo a Chevrolet, mais econômico. O InMetro deu Nota A e registrou médias de 12,9 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada com gasolina. Com etanol no tanque os números são 9,1 km/l e 10,8 km/l, respectivamente. 


Outro fator importante para essa eficiência é a transmissão manual de seis marchas, com engates macios. A marcha extra ainda ajuda na diminuição do ruído em altas velocidades. A 100 km/h em sexta marcha, o Joy mantém 2.500 rpm. O ruído é suave.

Mas não espere desempenho. O motor de 80 cv faz mais esforço que os tricilíndricos de Gol e HB20. Esses atuam de forma mais folgada. Os 9,8 mkgf de torque aparecem tardiamente a 5.200 rpm e deixam o Onix moroso em baixas rotações. A direção, agora elétrica, tem boa calibração: fica leve em manobras e mais pesada conforme a velocidade sobe. Adicione  a isso a suspensão recalibrada (1 cm mais baixa) e tenha um carrinho bom de dirigir.

ON STAR BÁSICO

Em uma versão mais básica, o Joy traz o sistema On Star. Apenas serviços de diagnóstico (quilometragem total e  pressão dos pneu) e de segurança (recuperação veicular) são acessíveis. Já o My Link não está disponível. O máximo que a GM oferece é uma central com DVD, TV, USB, Bluetooth e espelhamento de celular. São R$ 2.500 extras por um equipamento que parece ter saído de uma loja de acessórios. 


2º LUGAR – VOLKSWAGEN GOL


A segunda cirurgia plástica no mesmo corpo e o transplante de coração não foram suficientes para fazer o Gol voltar à liderança. Mas o hatch evoluiu. Principalmente no habitáculo. O interior que parecia ter saído do filme Cocoon ganhou aspecto mais moderno. Volante e comandos do ar-condicionado são emprestados do Fox. As saídas de ar retangulares ficaramm mais refinadas frente às anteriores redondas e o cluster com velocímetro digital é mais compatível com a proposta de modernidade. As melhorias internas vão até a página dois, no entanto. A textura dos plásticos, acabamento e montagem das peças deixam a desejar. A sensação visual e tátil que o HB20 entrega é melhor.

Por R$ 95, a versão Comfortline 1.0 é a mais cara de todos: R$ 44.950. E não entrega um bom nível de equipamentos. Assim como o HB20, o Gol vem com direção hidráulica. Vidros elétricos? Só os dianteiros. Rodas de aço 15” (as de liga são opcionais), banco do motorista com regulagem de altura (mas que só varia a inclinação do assento) completam a lista. De série, incorpora o rádio Media Plus, com CD Player, USB e leitor de SD card. Além dele, vem com faróis de neblina, computador de bordo, repetidores de seta nos retrovisores e chave tipo canivete.


TRAMBULADOR

O trunfo do Gol está no motor três cilindros aspirado. O 1.0 de 82 cv com etanol (que veio do Up) é esperto em saídas. Ponto para os 10,4 mkgf de torque entre 3 mil e 3.800 rpm. Mesmo assim, os números do teste de pista não são animadores. O Gol tem o pior desempenho de todos: leva eternos 15,4 s para cumprir o 0 a 100 km/h. Nas retomadas a mesma situação: demora mais para ir de 80 km/h a 120 km/h que os concorrentes, resultado do câmbio 7% mais longo. Se houvesse um título de melhor trambulador entre os nacionais, o Gol seria o campeão. A transmissão MQ200 tem engates curtos e precisos. A Honda ficaria em segundo.

Findo o reinado, o Gol parece estar no caminho certo para retomar os números de vendas de outrora. Se isso acontecer, pode ser com a nova geração que chega em 2018.


1º LUGAR – HYUNDAI HB20


Algumas marcas levam anos para entender o consumidor brasileiro e construir um carro que atenda aos anseios gerais. A Hyundai achou um atalho. Diversas clínicas e uma vasta análise dos concorrentes fizeram a marca acertar a mão de primeira. O HB20 subiu o sarrafo dos hatches compactos quando foi lançado em 2012. E mesmo depois de quatro anos e um discreto facelift, o modelo se mantém entre os mais vendidos no segmento – só perde para o Onix. Mas não nesse comparativo.

Revisão até os 60.000 km mais barata dos três (R$ 2.531), garantia, acabamento mais atencioso, prazer de dirigir e desempenho dão a vitória ao carro de origem coreana.


Mas antes vamos às pequenas falhas. Assim como o Gol, a regulagem de altura do banco é fake. Depois de desligar o carro é bom conferir se o farol ainda está aceso. O HB20 não tem nenhum aviso sonoro e você pode ficar sem bateria quando voltar. Central multimídia? Nem como opcional para esta versão.

Esteticamente, o HB20 tem um quê de Onix Joy. A versão 1.0 Comfort Style (R$ 44.855), segunda mais barata da linha (a primeira é a Comfort, de R$ 41.655), só ganhou 50% da reestilização que o carro teve em setembro. Explico. Essa configuração tem a grade como novidade. Faróis e lanternas, que mudaram na linha 2016, continuam os mesmos. 

Fora tais lapsos, o hatch entrega bons predicados. Como o acabamento, por exemplo. Embora todos abusem do plástico, o HB20 traz a melhor escolha de materiais, principalmente na porção central do painel. Na área que circunda os comandos do ar-condicionado e do rádio, tem textura agradável. O rádio conta com Bluetooth e USB e pode ser controlado por comandos do volante multifuncional (único que tem esse item).

Já o 1.0 Kappa é bipolar. Faz o HB20 ser o mais rápido de todos (o a 100 km/h em 14,2s). O som dos três cilindros é agradável e o motor não decepciona nas retomadas. Porém, sua sede é senegalesa. A média urbana de 8,9 km/l não corresponde às expectativas de um motor, que chegou como referência.


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