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Por Rodrigo Mora // Fotos: Divulgação

Em churrascos, nas saunas, nas filas de banco, nos fumódromos e nos happy hours, leigos e entendidos são categóricos: SUVs estão na moda. Não há nada mais desatualizado do que essa afirmação. Só faltava dizer que eles são “supimpa”. Óculos de lentes espelhadas, calças clochard e barbas grandes estão na moda, não SUVs. Utilitários esportivos deixaram de ser modismo e viraram cláusula pétrea da Constituição há tempos. Os salões do automóvel, o mercado e o lançamento do JAC T5 CVT atestam.

“Esse carro agora é nossa vida”, se rende o importador da marca chinesa no Brasil, Sergio Habib. Quase 90% da cota de importação permitida à marca será abocanhada pelo utilitário compacto, que chega às lojas da por R$ 69.990.

Por esse preço, talvez seja o representante da terra de Mao mais fiel ao mantra “mais por menos“ do carro chinês. Ar-condicionado digital, que o T5 traz de série, só vai aparecer na versão EX do Honda HR-V, de R$ 93 mil. Há também sistema multimídia com tela de 8”e câmera de ré e Isofix – o recurso de ancoragem para cadeiras infantis que Renault Duster e Peugeot 2008 não sabem o que é.

Jac T5

SILÊNCIO

Sem falar no câmbio automático, que aparece nos rivais apenas acima dos R$ 80 mil. Do tipo CVT, está conectado ao motor 1.5 16V (127 cv com etanol). Nas ruas, avenidas e marginais, sempre limitadas aos 50 km/h ou, no máximo, aos 90 km/h, a dupla não chama atenção do motorista – pro bem ou pro mal. Cumpre seu papel de deslocar os 1.220 kg do jipinho sem emoção, mas também em silêncio. A suspensão absorve de maneira decente as cicatrizes do piso, a direção é leve, os bancos são bem confortáveis e a não há o que se criticar sobre a posição de guiar. E o melhor, tratando-se de um chinês: sem o odor forte de plástico de outrora.

Ainda está claro que é um carro vindo da indústria chinesa, que usa os mesmos fornecedores de outras marcas – o volante é o mesmo do Cruze e o painel praticamente veio do iX35. Mas isso acaba se minimizando diante do bom espaço interno e do porta-malas de 600 litros (quase o triplo do do Jeep Renegade), de acordo com as medições da JAC.

 Na estrada, se manter no limite dos 120 km/h faz bem pra carteira de motorista e também para o convívio interno. Acima disso a transmissão CVT mostra seu lado intransigente, se mantendo acima das 5.000 rpm, 6.500 rpm com o pé socado e com aquele som monocórdico. Já a direção parece estar ligadas às rodas por um fio dental, tais são a leveza e a imprecisão.

Se o T5 CVT de fato é a vida da JAC no Brasil, o balanço entre prós e contras indica que a marca chinesa continuará viva no mercado nacional.

Tabela

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