Mercedes-Benz A200

por Nuno Gonçalves - publicado na edição nº 56 (ago/2012)

Esqueça aquele Classe A (codinome W168) que capotou no teste do alce e no mercado brasileiro, quando se tentou vender um Mercedes-Benz “quase popular” fabricado em Juiz de Fora (MG). Da geração seguinte do carrinho (a W169), você provavelmente nem se lembra: poucos exemplares chegaram ao Brasil importados da Alemanha. Agora estamos frente a frente com um Classe A que resolveu mudar a filosofia de vida. Deixou de ser um acanhado monovolume, ganhou músculos e quer comprar briga com os Audi A3 e BMW Série 1. É uma bela tentativa de rejuvenescer a imagem da marca alemã. 

Apresentado em março no Salão de Genebra, o carro começa a ser vendido na Europa. Jornalistas de todo o mundo tiveram a chance de dirigir o modelo pela primeira vez no começo de julho. Para tanto, a Daimler AG traçou um circuito de 250 km pela Eslovênia, país de estradas pouco movimentadas e com asfalto perfeito. Verão de 38°C, simpáticas loirinhas de roupas muito curtas... Parece que chegamos ao céu. É melhor conhecer o modelo neste cenário do que esperar por seu desembarque no Brasil, agendado para o segundo trimestre do ano que vem (com preços começando na casa dos R$ 100 mil).

Mercedes-Benz A200

Na medida do Série 1

O único ponto em comum com os antigos Classe A é o uso de motor transversal e tração dianteira. O W176 (este é o nome-código do novo Mercedes) é um hatch de carroceria baixa e muita sugestão esportiva. Comparado a seu avô produzido em Minas Gerais, tem 71 cm a mais de comprimento e 16 cm a menos de altura. A plataforma vem do atual Classe B europeu e inclui suspensão multibraços na traseira. A mesma base também será usada em um sedã (a ser apresentado em Genebra 2013), em um pequeno utilitário e numa perua. 

Ainda está por ser decidido quais versões chegarão ao Brasil. A “básica” provavelmente será a A 200, com a qual iniciamos a avaliação pelos caminhos eslovenos. A posição do volante é absolutamente perfeita, bem vertical e com amplas opções de ajuste. O banco do motorista abraça e tem regulagem elétrica, por meio daqueles botõezinhos na porta que já são tradicionais na Mercedes. É carro para quatro pessoas, no máximo, já que o túnel central do assoalho é bem alto (promessa de uma futura versão com tração integral).

Mercedes-Benz A200

No acabamento, nada de simplicidade. A parte superior do painel é coberta com um material semelhante a couro, enquanto a faixa central é de plástico claro, com excelentes aparência e textura. Os instrumentos têm escala prateada e fundo preto, simulando uma bandeira quadriculada com elegância e discrição. É a ênfase na esportividade, outra vez.

Mercedes-Benz A200É preciso se acostumar ao freio de estacionamento com (dispensável) acionamento elétrico, localizado no extremo esquerdo do painel. E tome eletrônica: ao mudar de faixa sem dar seta, o motorista sente soquinhos de alerta no volante. Ainda por conta da segurança, todos os novos Classe A têm um dispositivo que alerta para a proximidade do carro da frente e emite sinais sonoros 2,6 s antes de uma batida iminente. Nesses tempos ecologicamente corretos, o sistema start/stop ajuda a reduzir consumo e emissões de CO2.

Também por conta da eficiência, todos os Classe A têm turbocompressor. Com seus 1.595 cm3, a versão A 200 rende 156 cv. Dito assim, parece ótimo para um hatch de médio porte. O problema é que o motor mostra certo turbolag e demora a acordar – deu até saudade daquele ânimo inicial do 1.6 THP usado por Peugeot, Citroën, Mini e BMW.

Mercedes-Benz A200

Em resumo: com 1.370 kg, o A 200 não chega a ser lerdo, mas fica devendo toda a esportividade que seu desenho promete. A parte boa é que, no meio do caminho, havia uma serrinha sinuosa e, aí, o novo Classe A mostra o encanto de sua direção muito direta, com assistência eletromecânica na medida certa. Nas curvas, ele é perfeito. Curiosamente, este hatch de tração dianteira parece menos subesterçante do que a maioria dos Mercedes com tração traseira... Será um acerto na medida para brigar com o BMW Série 1?

Na parada para almoço, os engenheiros da Mercedes tentaram mastigar para os jornalistas coroas outra bossa do novo modelo. É o sistema que permite conectar o iPhone a um cabo no porta-luvas e, por meio de uma tela no painel, usar aplicativos do iTunes, entrar no Facebook e no Twitter. 

Entre outras gracinhas, o carro pode conversar com os amigos de seu dono, informando, por meio de mensagens automáticas, onde está e quanto tempo demora a chegar a um destino... Também toca as músicas armazenadas no iPhone.  São milhares de frescuras para agradar aos jovens que usarão um Mercedes pela primeira vez – ao menos ocupando o banco do motorista. Tudo isso é acionado por meio de um botão no console – parece complicado, mas se você tem menos de 30 anos, aprenderá tudo de boa.

Mercedes-Benz A200

Tocar a 180 km/h

Hora de pegar a versão A 250 – e, enfim, o novo Classe A diz a que veio. O motor de 1.991cm3 rende 210 cv e as coisas começam a ficar bem interessantes. As respostas são prontas e ainda temos a colaboração do câmbio automatizado 7G-DCT, de sete marchas e duas embreagens. Deverá ser esta a versão topo de linha para o Brasil.

O seletor do câmbio é uma alavanquinha na coluna de direção (não a confunda com o acionamento do limpador de para-brisa). Quer economia? Ponha em drive e cruze a 100 km/h em sétima marcha, com o ponteiro do conta-giros mal ralando nas 1.700 rpm. Quer diversão? Deixe de ser bonzinho e use o modo manual, por meio das aletas atrás do volante. Banco baixo, ótimo volante, direção rápida, suspensão perfeita, motor com um forte sopro de vida, segurança eletrônica aos montes... Vamos tocando animados pela rodovia eslovena, a caminho da bela capital Liubliana. Havendo estrada livre e limites de velocidade amplos, é carro para tocar a 180 km/h com total equilíbrio.