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Por João Anacleto // Fotos: Divulgação

Eis o novo Hyundai Elantra, mas aqui entre nós nem parece que ele está, assim, tão novo. Mas estamos diante de uma nova geração e é inegável que essa dianteira ficou mais bem acabada, lembrando o best-seller iX35, o que o coloca de volta à briga em um mercado conservador que, inusitadamente, ganhou dois novos fortes competidores em 2016. As novas gerações de Cruze e Civic de certo sacudiram os corações de muita gente. Mas, espera aí: só a nova aparência, para-choques remodelados na frente e atrás, além de faróis e lanternas podem garantir algum sucesso ao coreano?

R$ 84.990

Não, claro que não. Ainda mais para um carro importado da Coreia do Sul, que sofre e sofrerá com as restrições tributárias que os carros vindos de fora do Mercosul têm por aqui. Provas disso podem ser vistas nos números de vendas do seu antecessor: até setembro tinham sido emplacadas apenas 730 unidades do modelo 2016. Mas a Hyundai promete tentar. Para tanto, além de trazer a nova versão que debutou nos EUA há menos de seis meses, será agressiva no valor de entrada do carro. O Elantra passa a ser oferecido, na versão básica, a R$ 84.990. Antes ele só era encontrado na versão GLS de R$ 91.276.

Hyundai Elantra

Para chegar a esse preço, a Hyundai tirou muita coisa do Elantra. Essa versão não traz o sistema multimídia, substituído por um CD-player que não condiz com toda pompa e circunstância do modelo. O ar-condicionado é analógico, não há descansa-braço para o motorista, nem o cluster digital com LEDs. Inovações como o porta-malas que se abre por aproximação física, ou o start-stop, novidade na linha, só serão encontradas nas versões mais caras, a Special Edition, de R$ 103.990, e a Top, que custará R$ 114.990.

Pelos preços, pode-se dizer que a Hyundai está trazendo dois carros distintos. O de entrada para convencer o comprador a entrar de vez na marca, e outro para tentar concorrer com os sedãs mais atuais. Mas o seu calcanhar de Aquiles pode estar sob o capo. A marca preferiu não trazer a opção 1.4 turbo de 125 cv que é feita e vendida nos EUA, já que por lá o sedã é considerado um carro de entrada, para jovens motoristas que hoje admiram as estratégias para economia de combustível. E este motor também não é flex, e desenvolvê-lo para beber etanol geraria um custo extra que inviabilizariam sua vinda por esses preços.

JEITINHO DE COROLLA

Com o motor 2.0 16V flex o Elantra mantém seu patamar. Contudo, a potência foi reduzida dos 178 cv (com etanol) para 167 cv, visando atender as novas restrições de consumo e emissão de poluente que passam a valer para o regime Inovar Auto para os carros vendidos no Brasil. Com isso ele perdeu também 0,9 mkgf de torque máximo. Na prática deve ser pouco sentido, serão perdas de décimos de segundos nas retomadas, mas de alguns segundos nas acelerações acima de 100 km/h coisa que quase ninguém faz no dia a dia. Já o consumo, segundo a marca, melhorou em 5,88%.

Hyundai Elantra

Vale a pena lembrar, também, que o carro está 64 kg mais pesado. Visando aumentar uma sensibilidade dinâmica do carro, a Hyundai o deixou apenas 2 cm mais comprido e 2,5 cm mais largo, algo incomum em trocas de gerações em um mundo em que os carros estão cada dia maiores. Já a carroceria está bem mais rígida com 53% de toda a estrutura feita de aços de alta resistência e a montagem também ficou mais sólida. A Hyundai aumentou em 40 vezes o uso de adesivos estruturais, usados na indústria aerospacial. Tais medidas contribuíram para deixá-lo quase 30% mais rígido o que permite um acerto de suspensão mais macio, crítica recorrente dos donos de Elantra. A marca também mudou todos os ângulos de instalação dos amortecedores e a posição das molas.

O isolamento acústico também melhorou bastante e fez sumir o insistente ruído áspero do motor que teimava invadir a cabine acima das 4.000 rpm nas duas gerações anteriores. O câmbio automático de 6 marchas também está mais esperto, nessa segunda geração ele ficou mais sensível, especialmente quando se está a meio acelerador onde o carro sempre confundia se devia manter ou subir uma marcha. Isso acabou. Em suma: está com jeitinho de Corolla.

Uma prova do amadurecimento do carro e de que não é preciso ser extravagante para ganhar clientes de sedãs. Basta ser um bom carro e com preço justo. E essas qualidades, o Elantra as tem.

Hyundai Elantra

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