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Por João Anacleto // Fotos: Divulgação

Raras vezes torcemos para que um carro não seja reestilizado. Seria difícil melhorar o desenho marcante do Cerato. Mas aí veio a Kia, que é comandada por Peter Schreyer, um dos maiores designers deste século, e nos colocou no nosso lugar. O novo Cerato, mesmo perdendo os traços característicos que marcaram essa geração (quem nunca achou legais aqueles leds nas lanternas, que pareciam asas de marimbondo?) ganhou maturidade no desenho e, em geral, manteve muito do antecessor.

Ao preço de R$ 79.990, o sedã chega ao segundo mandato desta geração com faróis bem maiores, que invadem parte que um dia foi do para-lamas, compostos por LEDs superiores e com o canhão de luz bem pronunciado, como se fosse uma joia. Seus faróis de neblina estão mais para dentro dos para-choques, antes eles ficavam bem nas extremidades. Na traseira o para-choques foi levemente alongado na parte inferior, e as lanternas agora têm filetes de luz com desenho mais agudo, como se fosse a ponta de uma flecha. Não é tão reconhecível à distância, mas ainda assim consegue se diferenciar da multidão.

Aí você entra no carro, e encontra uma posição de dirigir das melhores, com regulagens amplas e um volante muito bem acabado, que transmite a qualidade que se espera de carros mais caros do que ele. Os paddle-shifters atrás do volante não precisam ser procurados como na maioria dos modelos. Seus botões têm um toque suave e tudo o que você necessita comandar lá está. Nem precisa olhar no painel central, também porque na versão de entrada, não há nada ali. Sim, o Cerato chegou a 2018 sem trazer uma central multimídia com monitor. E isso é mau.

Kia Cerato

PERDÕES E INQUISIÇÕES

Não bastasse o anacronismo tecnológico, essa parte do interior parece ter sido desenhada para receber um monitor e não o visor de um rádio. É como uma sala de cinema com uma TV de 42”. E esse vacilo contrasta com o acabamento corretíssimo de todas as partes plásticas e dos painéis do portas. O ótimo espaço interno e o porta-malas honesto são outros argumentos de compra. Se você dá valor a estes detalhes, por R$ 80 mil, não vai achar nada igual no mercado. O problema é que todo esse esmero circunda bancos forrados de tecido, outra tropeçada que um sedã médio não deveria cometer. Dá para forrá-lo de couro nos concessionários, mas ele não vem importado com o item. E essa é a única versão.

Entre perdões e inquisições, você corre para olhar a ficha técnica e... Sim, há um motor 1.6 16V flex de 128 cv embaixo do capô de um carro com 4,56 m de comprimento e 1.205 kg. O resultado dessa união não é dos melhores.

O Kia Cerato é invariavelmente lento, tanto para sair da inércia quanto para retomar velocidade. Ainda que o câmbio de 6 marchas tenha escalonamento preciso e um software bem inteligente, especialmente para entender o que você realmente precisa quando aciona o modo Sport, Eco ou Comfort, o milagre da disposição não acontece. Um descuido grande em um sedã com acertos grandiosos.

Tabela

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