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Por Raphael Panaro // Fotos: Divulgação

As marcas automotivas não assinaram nenhum acordo ou tratado, mas criou-se uma convenção que os utilitários esportivos compactos fiquem tabelados abaixo dos R$ 100 mil. Duster, EcoSport, 2008, Kicks, Renegade, Captur, Tracker e Creta chegam perto, porém não rompem essa barreira – a exceção fica a cargo das versões diesel do Jeep. A Honda, no entanto, não está nem aí para essas formalidades. A versão EXL, até então topo de linha do HR-V, já quebra o suposto protocolo ao custar R$ 101.400. E a diplomacia que restava acaba de ser rompida a nova configuração Touring, de R$ 105.900.

Os R$ 4.500 extras se resumem em detalhes no acabamento, novos equipamentos de conforto e segurança, além de pequenas mudanças cosméticas. Essas, inclusive, começam no conjunto ótico. Os faróis agora são em LED com luzes diurnas. Já as lanternas também recebem guias de LED com novo arranjo interno. Dentro, o carro ganha detalhes cromados nas molduras dos alto-falantes e dos puxadores das portas.

A quantia ainda dá ao HR-V alguns itens de série a mais, como sensores de chuva e de estacionamento traseiro, retrovisor interno eletrocrômico e airbags do tipo cortina. Eles se juntam ao sistema multimídia com tela tátil de 7”, freio de estacionamento eletrônico com brake hold, controles de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, ar-condicionado digital, rodas de 17” e aos airbags frontais e laterais. O HR-V Touring fica devendo botão de partida, chave presencial e ar-condiciondo duas zonas, equipamentos presente em alguns rivais com etiqueta de preço menor.

Honda HR-V Touring

TURBO?

Aí você pensa: se a versão se chama Touring, o motor é aquele turbo que estreou no Civic, não? Negativo. A nova configuração do HR-V também fica devendo o 1.5 turbinado de 173 cv do sedã. O SUV usa o conhecido e voluntarioso 1.8 flex de até 139/140 cv com etanol e gasolina, respectivamente. Ele move o utilitário sem problemas – e sem grandes emoções. A suspensão e a direção elétrica bem calibrada mantêm o carro firme e na mão, mas é difícil acostumar com a rigidez no eixo traseiro. Em pisos danificados ele não consegue filtrar as imperfeições e quem viaja ali recebe de volta os impactos. Poderia, e deveria, ser mais confortável.

O câmbio automático CVT também é o mesmo. Nem com a simulação de sete marchas a transmissão consegue evitar o ruído, que invade a cabine sem ser convidado. Aí é preciso elevar o tom de voz da conversa ou aumentar o volume ao escutar um som – faça isso por meio do volante multifuncional. Pela central multimídia você vai passar nervoso com a lentidão do sistema.

Pelo conjunto, o HR-V continua sendo um dos melhores SUVs compactos comercializados no Brasil. Só que criação da versão Touring segue uma lógica. Ela é a mesma do WR-V, de R$ 83 mil. Sem grandes revoluções de tecnologia, acabamento ou motorização, a marca surfa no prestígio, confiabilidade e fama que adquiriu ao longo dos anos por aqui. Sabe que (quase) tudo que coloca à venda por aqui, vende. Mesmo cobrando alguns milhares de reais a mais.

Honda HR-V Touring

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