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Por Henrique Rodriguez // Fotos: Leo Sposito

Tudo bem que o momento não é favorável, mas desde que o Volkswagen Golf nacional chegou às lojas, em fevereiro, as vendas despencaram. Em março, teve 619 unidades vendidas, contra 620 do Focus. Até aí, tudo bem. Mas em abril perdeu de lavada: 390 contra 605 do Ford. Teria culpa o motor 1.6? Talvez. Ou os interessados no Golf aproveitaram a queima de estoque dos carros importados do México? O mais provável é que quem esperava que o Golf 1.6 seria mais barato desistiu do hatch ao ver o preço: R$ 76.590 para começar a conversa. Com câmbio automático, como a versão Comfortline 1.6 avaliada, vai a R$ 81.990 na tabela – se serve de consolo, é possível reduzir o preço em até R$ 5 mil na concessionária.

O valor é alto, principalmente ao notar que o que vem em troca é o motor 1.6 MSI de 120 cv – em vez do divertido e eficiente 1.4 TSI de 140 cv que esta mesma versão usava até ser nacionalizada. Houve alguma redução no preço (R$ 3.300, na época), mas proporcionalmente pequena.

Não é o fim, pois potência nem sempre foi uma realidade para o Golf. Basta lembrar que os primeiros que chegaram ao Brasil, em 1995, usava o 2.0 de 114 cv e que, de 1998 a 2013, teve motores 1.6 (o mais fraco com 101 cv). Este 1.6 MSI ao menos é moderno, com duplo circuito de arrefecimento, comando variável na admissão e bloco e cabeçote de alumínio. Seus 120 cv surgem a 5.750 rpm (com etanol) e, com o mesmo combustível, o torque máximo de 16,8 mkgf aparece a 4.000 rpm.

Golf

BABÁ MECÂNICA

Quer sentir toda a força do motor? Implore por ela ao câmbio automático de seis marchas. Para tirar da inércia os 1.244 kg do hatch médio, a primeira marcha é bem curta, e logo emenda a segunda, mais longa. Porém, astrônomos dizem que o que há entre a segunda e a terceira marcha em aceleração contínua é algo muito parecido com o buraco negro. Não surpreende a aceleração de 0 a 100 km/h em 13,6 s nos nossos testes. Com esta combinação mecânica, o Golf se torna um carro para ser dirigido por alguém que gosta de curtir a paisagem, de se distrair com aquele outdoor ou está prestes a perder a carteira de habilitação por causa de multas de velocidade.

Vale lembrar que Golf é muito mais do que um bom motor e câmbio. Representa também bom chassi e suspensão que favorecem a dinâmica do carro. A direção é precisa como sempre e, mesmo com eixo de torção na traseria, a suspensão é firme e, ainda assim, capaz de lidar bem com as mais variadas irregularidades do asfalto.

A despeito do preço, quem encarar o Golf MSI estará bem servido. Pelo preço incial, ao menos entrega sete air bags, controles de estabilidade e tração, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, bloqueio eletrônico do diferencial, Isofix para fixação de cadeirinhas, faróis e lanternas de neblina, central multimídia com tela de 6,5” e rodas aro 16”.

Não se convenceu e ainda faz questão do 1.4 TSI? Agora este tem 150 cv e está presente apenas na versão  Highline, que custa R$ 93.790 com câmbio manual e R$ 99.140 com o automático. Convencido agora?

Tabela

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