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Por Carlos Cereijo // Fotos: Divulgação

A “primeira impressão” deveria significar algo mais superficial. Porém, é comum aquele primeiro conceito ficar  impregnado em nossos conceitos. Reverter uma primeira impressão é bem difícil. Desde aquele restaurante em que você foi mal atendido, até o posto com a gasolina que fez seu carro engasgar. A intenção de nunca mais voltar lá é sincera. Quando você experimenta um carro a tratativa é parecida. E é igualmente difícil alguém demover você disso. O Fiat Mobi não agradou no primeiro contato com o motor 4 cilindros, mas aí vem o 1.0 Fire Fly de três-cilindros e coloca o carro de novo entre os compactos que você deveria ver de novo

Nessa primeira olhada nos assustamos com o preço, que não fez sentido nem quando o carro foi lançado, no começo do ano. A expectativa para o novo compacto – menor ainda do que o já pequeno Uno – era de ter uma estratégia bem agressiva. Valores abaixo dos R$ 30 mil para seduzir quem estava no mercado de semi-novos. No entanto, o lançamento com preço a partir de R$ 32 mil confundiu a cabeça do consumidor.

Tais valores deixaram o portfólio do Mobi enroscado com o do Uno. A interseccção de valores fez com que o Mobi encalhasse. O consumidor preferiu acredita no Uno, veterano e confiável. Qual é a razão de levar um carro menor com o mesmo motor e preço? A solução veio quando o Uno ganhou a família de motores FireFly e foi reposicionado com preços a partir de R$ 41.800 (!). Portanto, se você quer um Fiat 0 km, compacto e o mais barato possível a resposta, agora sim, é o Mobi.

ESTE É O MOBI QUE VOCÊ QUER

O Fiat Mobi Drive é, na verdade, tudo o que o Mobi deveria ser desde o lançamento. A maior novidade desta configuração é o motor 1.0 três-cilindros FireFly, que rende 77 cv e torque de 10,9 mkgf de torque quando abastecido com etanol. Com isso, o modelo é o 1.0 aspirado mais econômico do País. Será que era essa a novidade que faltava para nos nteressarmos por ele?

Fiat Mobi Drive

Ao ligar o motor, já se percebe que houve cuidado com ele. Este Mobi não tem a vibração nem o som característico de um três-cilindros. Quando o Mobi está abastecido com etanol, o combustível é aquecido antes de entrar na câmara para ter queima perfeita, por isso o tanquinho de partida a frio com gasolina, foi retirado do conjunto. Segundo a Fiat, o modelo liga imediatamente quando a temperatura ambiente é de até – 5 °C. Abaixo disso o 1.0 liga, mas vai demorar...

Acelerando, reiteramos a nossa posição; este motor nasceu para o Mobi. A estrutura leve e o tamanho compacto servem como luva para os dotes deste 1.0. Claro que não dá para esperar um canhão destruidor de recordes, mas roda bem acertado e gira rápido até 6 mil rpm sem buracos de potência. O torque agrada, mesmo rodando com gasolina, quando a força do motor cai para 10,4 mkgf.

Acelerando em estradas vicinais de maneira animada, o computador de bordo marcou média de 16 km/l. Dentro de uma pista fechada, num exercício proposto pela Fiat, foi possível bater em 27 km/l. Isso rodando rodei sem ar-condicionado com a quinta-marcha engatada a 40 km/h e sem nunca pisar no freio. Uma situação irreal, que certamente você não pratica nas ruas

Com preço a partir de R$ 39.870, o Drive se apresenta como o melhor do portfólio do Mobi. Mas, mais do que melhorar, o importante foi sueprar o equívoco inicial. No começo do ano ele foi anunciado como uma revolução, sem sequer fazer frente aos mais econômicos do Brasil. O Mobi é, e continua sendo, um bom compacto barato. E quanto ao preço ainda cabem ajustes. Isso sem entrar no mérito do design, que compete ao gosto específico de cada consumidor.

Sim, as outras características que incomodam continuam (como o porta-malas irrisório e o espaço traseiro, no mínimo, sofrível) mas pelo menos esta versão oferece um passo adiante em tecnologia. Será que, agora, ele é melhor que os concorrentes da VW, Hyundai, Ford, Nissan e Renault?  Bom, isso é o que tentaremos ver. De novo.

Fiat Mobi Drive

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