fechar X

Por Luiz Guerrero // Fotos: Katrin Ebner

Era questão de tempo: mais cedo ou mais tarde, a Audi seguiria os passos da Mercedes-Benz e lançaria seu utilitário-esportivo compacto, um segmento que cresceu 30% nos primeiros quatro meses do ano passado na Europa, com tendência de alta. O fato é que depois de dois anos do surgimento do GLA, chega o Q2, construído sobre a base do A3. É um SUV que seria bem recebido no Brasil, como concluímos depois de rodar cerca de 400 km com a novidade em Munique, na Alemanha. A Audi sabe disso.

Fontes da empresa confirmaram que o Q2 está no radar para ser trazido (e, dependendo da aceitação, ser fabricado em São José dos Pinhais, Paraná, onde a Audi compartilha a linha de montagem com a Volkswagen). Mas a chegada só deve acontecer em 2017, provavelmente no segundo semestre, caso a economia dê sinais de recuperação. E embora já tenha importado algumas unidades do modelo, o fabricante decidiu não mostrar o Q2 no Salão do Automóvel para não criar expectativas. Mas pode apostar seu SUV japonês que o Q2 virá ao Brasil em 2017.  

É, MAS NÃO É

Recebo as chaves do Q2 pintado em tom alaranjado no aeroporto de Munique esperando encontrar um A3 anabolizado. O SUV compacto é construído sobre a mesma plataforma do hatch, a versátil MQB, e usa a mesma base mecânica do A3. E o que encontro é um carro com personalidade própria – mal comparando, é como ver um Fiesta e um EcoSport lado a lado.

Com seus 4,19 m de comprimento, 0 Q2 é 5 mm mais curto que o A3, 2 mm mais largo e 8 mm mais alto (1,79 m e 1,50 m, respectivamente) e mantém os mesmos 2,60 m de entre-eixos. Mas parece mais robusto, impressão reforçada pelas molduras nos para-lamas e pelo recorte nas laterais. O plástico que reveste a coluna traseira é outro artifício de design que faz o Q2 parecer maior que de fato é. O cliente pode escolher a cor e os adesivos do revestimento, uma forma sutil de personalização, mas provavelmente o carro ficaria mais elegante sem o recurso. Há outras dezenas de possibilidades de personalização, como a escolha das cores dos revestimentos e de iluminação interna e até um pacote de acessórios off-road, indício de que a Audi mira o público jovem como o principal comprador do SUV.

A linha de cintura é elevada, como em todo Audi – se você regular o banco para a posição mais baixa, seu ombro ficará abaixo da moldura da porta. E mesmo acomodado na altura do assoalho, ninguém terá dificuldade em enxergar o entorno do carro. O capô é inclinado, acompanhando a curvatura do teto, a vigia traseira é ampla e os retrovisores varrem boa área.

Audi Q2

A dianteira segue a identidade dos demais SUVs Audi: grade enorme, sempre com elementos em preto, contornada por filetes prateados – que também emolduram o para-choque. E na traseira, o que chama a atenção são as lanternas que se destacam da carroceria – com um ponto de LED para indicar a marcha a ré – e o prologamento do teto que simula um defletor.

Você pode até achar que as linhas do Mercedes GLA são mais elegantemente agressivas. Mas deve concordar que o discreto desenho do Q2 tende a cansar menos com o passar do tempo.

ALEGORIA

Se você já conhece o A3, se sentirá confortável ao volante do Q2. A arquitetura interna e a disposição dos comandos são comuns aos dois modelos e isso significa que não haverá qualquer dificuldade no manejo. O que caracteriza o Q2 é o colorido, resultado do pacote de personalização: há molduras com as cores da carroceria ao longo da mesa do painel, do console e nas costuras do banco. É, de certa forma, um detalhe discreto e dá atmosfera jovem ao ambiente. Mas você pode dispensar a alegoria e optar por uma decoração mais sóbria.

Os bancos com regulagem elétrica são confortáveis. E não há botões em excesso, o que contribui para a boa ergonomia. O cluster é comum ao A3, mas a tela do sistema multimídia passou a ser fixa, como nos Mercedes, e o opcional head-up display (o projetor das principais funções do veículo) que geralmente mostra as informações na superfície do para-brisa, agora é formado por uma tela de acrílico que se ergue sobre o painel. A solução permite a substituição do para-brisa mais rapidamente em caso de quebra, já que os vidros preparados para o head-up display contém lâminas específicas e são difíceis de encontrar mesmo na Europa.

Há bom espaço para os passageiros do banco traseiro, embora os mais altos corram risco de bater a cabeça na borda do teto por causa da curvatura acentuada. O porta-malas tem 16 litros a menos de capacidade em comparação ao do GLA, mas ainda assim os 405 litros são suficientes para abrigar a bagagem de uma família pequena. A tampa traseira é pesada.

Audi Q2

QUANTO?

Dirigimos a versão com motor 1.4 TFSI de 152 cv e câmbio S-tronic de dupla embreagem e sete marchas, configuração semelhante à do A3 vendido no Brasil. Apesar dos 75 kg extras do SUV em relação ao hatch, o comportamento dinâmico e o desempenho são parecidos. O que muda de maneira clara é o comportamento da suspensão: no Q2, a geometria de suspensão foi alterada. Braços de apoio e molas são exclusivos do SUV que, em tese, enfrentará terrenos mais acidentados que o hatch – embora todos sabemos que o maior desafio do comprador do Q2 será a rampa do shopping.

Na dianteira, o SUV a estrutura convencional McPherson e na traseira, eixo de torção. Os braços múltiplos são exclusivos das versões com tração integral e dos modelos com tração dianteira com velocidade máxima superior aos 200 km/h. O Q2 1.4 pode chegar a, no máximo, 212 km/h, informa a Audi, e acelera de 0 a 100 km/h em 8,5 s.

O rodar é sólido e a direção, com assistência elétrica, é surpreendentemente firme em velocidade. Na autoestrada A9, que alterna trechos de velocidade liberada com os de baixa velocidade, pode-se comprovar a elasticidade do motor e o bom trabalho da transmissão de dupla embreagem. O Q2 avaliado tinha, entre os equipamentos eletrônicos, os assistentes de mudança de faixa e de manutenção de distância do carro à frente, ambos precisos e com acionamento menos agressivo que a média dos sistemas do tipo.

No asfalto molhado, os pneus Michelin Primacy 3 de 18" que equipam o Q2 de série, também fizeram bom trabalho. E os freios, formados por discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira têm a mesma progressividade encontrada nos Audi 3.

Mas é na cidade que o Q2 agrada. Compacto, é ágil e não exige esforço nas manobras. Nas médias de consumo, com gasolina sem álcool no tanque de 50 litros, conseguimos 11 km/h nos trechos urbanos e 17 km/h na estrada.

Na Alemanha, o Q2 básico custa 24.900 euros (o equivalente a R$ 86 mil), cerca de 2,5 mil euros mais caro que o A3 Sportback. No Brasil, o mesmo carro pode chegar por volta dos R$ 130 mil, a preços de hoje. Quando ele chega? Talvez antes que você imagina.

Audi Q2

Leia também
Comente!*