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Por Raphael Panaro // Fotos: Bruno Guerreiro

Colocar naftalina no tanque, acelerar até a injeção cortar, mergulhar hatch aventureiro na lama, botar seta para esquerda e virar à direita, dar cavalo de pau no estacionamento do shopping, encher o tanque de gasolina premium, ultrapassar pelo acostamento, parar o carro no meio de duas vagas, dar um totozinho no carro da frente e fingir que nada aconteceu, fechar cruzamento e buzinar em frente ao hospital... São algumas das maldades – e idiotices – que se vê no dia a dia. Mas se fosse instituído o Dia da Maldade, seria quando acelerei o Golf das fotos e que tem sobrenome de cereal matinal: Oettinger.

O coisa ruim é obra de um certo Gerhard Oettinger. Na década de 1940, o engenheiro aumentava o desempenho de Fuscas para competir com o Porsche 356. Oettinger ainda desenhou o primeiro motor 16V para um veículo de produção, o próprio Golf, e também prestava serviço para Audi e Mercedes-Benz. Com o passar dos anos e o desenvolvimento das tecnologias e materiais, o que antes era um passatempo, virou negócio. A Oettinger Sportsystems se especializou em tunning de VWs. Em 2015, foram completados 40 anos fuçando Golf. O primeiro hatch modificado em 1975 tinha 95 cv. Este tem 300 cv.

O Volkswagen Golf 1.0 TSI que você já viu por aqui é, de fato, uma bela escolha. O motor 1.0 anda bem, a tão aclamada dinâmica de Golf permanece intacta e você ainda faz amigos entre os que curtem o Greenpeace e tomam suco de clorofila. Mas, não há como não se encantar com o 2.0 turbo anabolizado: o demônio rosna de maneira irresponsável no meio do trânsito – e deixa ressabiado quem cola o pedal acelerador no assoalho a cada saída de semáforo. 

Golf Oettinger

Ao ligar a ignição, você sente o som borbulhante do escapamento mesmo em baixas rotações. Acelere, espere alguns décimos de segundo até o turbo lag desaparecer e a partir dos 2.000 giros, o hatch dispara com brutalidade. Desligue o som, abra a janela e se delicie com o som rouco do motor e os pipocos que o escape solta a cada troca de marcha. Em 5,9 s a agulha do velocímetro aponta para os 100 km/h.

 A velocidade máxima, segundo a Oettinger é de 262 km/h. Para chegar a número o limitador eletrônico de velocidade foi removido. Um GTI sem modificações acelera até 100 km/h em 6,5 s e chega a 244 km/h de máxima.

TRONCOS

Os 80 cv extras frente à versão GTI são obtidos pela troca do software de gerenciamento da injeção eletrônica por outro desenvolvido pela Oettinger, pelo aumento de pressão de turbina (a preparadora não revela os números) e novo gerenciamento de refrigeração. Com essas mudanças, o torque salta dos originais 35,7 mkgf para 46,9 mkgf. Tudo é gerenciado pela transmissão DSG  de seis marchas e dupla embreagem. Não há modificação no câmbio. E nem precisa. Ele faz um trabalho impecável com trocas bem rápidas.

Se por fora o Golf Oettinger revela uma face diabólica, por dentro o carro é tão ponderado quanto uma capela no campo. O Golf Oettinger segue o mesmo padrão de acabamento do GTI – a diferença é a plaqueta fixada à direita do painel. A inscrição denuncia as origens do carro. De resto, os bancos que abraçam e apoiam o corpo do motorista estão lá, o acabamento tem partes emborrachadas, o volante é de ótima pegada e a posição de comando é referência para muitas outras marcas.

Outro aspecto elogiável é o conjunto de suspensão. O GTI anabolizado não é apoiado em troncos de madeira. O ajuste está longe de ser desconfortável e incomodar a coluna de quem dirige em pisos mais acidentados. Em uma condução entusiasmada, o hot hatch tem direção responsiva e os pneus mais largos seguram o carro no chão e apoia nas curvas sem reclamar.

Golf Oettinger

BACALHAU

Custa uma pequena fortuna – você imagina. Bem, a resposta é sim.  Existem duas maneiras de colocar as mãos em um Oettinger. Se você já tem um Golf GTI com até 10.000 quilômetros rodados e  em estado original, a preparadora faz a atualização de potência por R$ 19.500. O design mais agressivo e aerodinâmico, que inclui spoiler dianteiro, aerofólio traseiro e grade dianteira, custa R$ 13.500. As rodas 19” com pneus 235/35 melhoram a tocada e esvaziam o seu bolso: R$ 26.900. A terceira opção é o sistema de escape com quatro saídas e difusor, que soma R$ 13.500.

Outra possibilidade é comprar o carro 0 km. O preço inicial é de R$ 143 mil. Nesse valor você leva para casa o Golf GTI + alteração no software. E claro, é possível escolher todos os pacotes. Aí a conta é mais salgada que aquele bolinho de bacalhau que sua tia faz todo Natal: R$ 196.900.

No Brasil, as operações da preparadora são comandadas pela Strasse, importadora que chegou aqui em 2014, e montou um time de especialistas para realizar as modificações estéticas e mecânicas em Golf e Jetta. O trabalho acontece em uma oficina em São José dos Campos (SP) e o prazo para aplicar todas as mexidas é de uma semana.

Além da Oettinger, a Strasse representa outras duas preparadoras de peso – a Brabus, que transforma os Mercedes em monstros de enrugar asfalto, e a também alemã Gemballa, que modifica Porsche e McLaren. Mas para celebrar o Dia de Maldade o Golf Oettinger já está de bom tamanho.

Golf Oettinger

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