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Por Mário Venditti // Fotos: Bruno Guerreiro

Os franceses adoram uma revolução. Desde a queda da Bastilha, em 1789, quando o povo farto de pagar tantos impostos derrubou Luís XVI – que perderia a cabeça na guilhotina –, e a Primavera dos Povos, que explodiu com a crise econômica em 1848 e se espalhou por toda a Europa, eles sempre demonstraram uma certa rebeldia quando algo não está como eles querem.

A Peugeot estava inquieta com o 208. A marca vendeu 13.401 unidades no ano passado, que representa 2,7% de participação entre os hatches compactos. Ela queria mais. E para tentar vender mais, investiu R$ 200 milhões na renovação do 208 e, além da versão esportiva GT (que você viu aqui), lança o compacto com o novo motor Puretech 1.2 de três cilindros.

O Puretech é fabricado em Trémery, na França, o epicentro da rebeldia, pois o volume de produção ainda não justifica que seja feito no Brasil. Ali, ele recebe as adaptações na injeção e reforços nos pistões para ser trazido como flex. O 1.2 de 90 cv a 5.750 rpm substitui o 1.5 cv de quatro cilindros, que tinha 3 cv a mais – cavalaria que não faz falta.

Os números de teste mostram que o 208 com o 1.2 está melhor e (pouco) mais econômico. Na aceleração de 0 a 100 km/h registra o mesmo número do 1.5 (13,7 s), mas a superioridade vem nas outras avaliações, como retomada 80-120 km/h (11,4 s, dois segundos a menos que o motor anterior) e frenagem 80-0 km/h em 28,1 m (contra 28,8 m).

Peugeot 208 1.2

MOTOR ÁGIL

O nível de ruído, porém, foi maior em todas as velocidades. A 60 km/h em quarta marcha, por exemplo, o 1.5 ecoa 59,2 decibéis. O 208 1.2 é mais ruidoso: 61 decibéis. E olha que a Peugeot mexeu no câmbio, com ajustes no trambulador e instalação de calços para eliminar trepidações e, consequentemente, diminuir ruídos. Só a primeira parte da tarefa deu resultado, porque agora os engates estão um pouco mais precisos. Para ajudar você a andar na marcha ideal, o painel indica o momento perfeito para a troca.

O maior atributo do Puretech anunciado pela Peugeot é o consumo. Que não é revolucionário. Segundo a fabricante, o motor é 37% mais econômico na cidade e 15% na estrada em comparação ao 1.5, com etanol. Nosso teste não mostra isso. O 208 1.2 rodou 9,4 km/l em circuito urbano, contra 8,7 km/h da versão 1.5, ou seja, economia de 7,4%. Em percurso rodoviário, faz 13,8 km/l, enquanto o motor aposentado cravou 12,7 km/l,uma melhora de 8%. Você perceberá que realmente algo mudou debaixo do capô quando forçar um pouco mais o acelerador. O motor enche rápido e o torque de 13 mkgf é obtido mais cedo, a 2.750 rpm – no 1.5 era a 3.000 rpm. 

Só não espere ares de rebeldia no estilo. Lançado em 2013, o 208 segue com design que merece sobrevida. Por dentro, o compacto exibe o conceito que a Peugeot define como divisor de águas em seus modelos: a posição i-cockpit, que deixa o quadro de instrumentos elevado acima do volante. A marca não abre mão dessa característica no 208. Sabe que, em alguns casos, manter o que há de bom é a maior das revoluções.

Peugeot 208 1.2


 

Peugeot 208 1.2

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