VW Gol

por Gustavo Henrique ruffo / Fotos: Leo Sposito - publicado na edição nº 56 (ago/2012)

Tem time sem craque que ganha campeonato, mas os que têm grandes jogadores costumam se dar melhor, tanto no campo quanto nas mesas de apostas. O problema de quem come a bola é estar sempre sob marcação cerrada. Quem deixa o craque adversário solto pede para perder. E é por isso que toda fabricante aspirante a líder tem um concorrente para o Gol, o carro mais vendido do País há 25 anos. Quem não tem já prepara o seu. E vem zagueiro de talento por aí: Chevrolet Onix, novo Ford Ka, Toyota Etios, Honda Brio e Hyundai HB, só para citar a turma da primeira divisão. Não é à toa que a VW ensinou ao seu craque novas formas de fugir da marcação.

A mais evidente foi no vestuário, com tecidos repelentes de adversários. A nova camisa é a mesma que a família toda já adotou, mas com estilo próprio. A avó Kombi e a irmã Saveiro, por exemplo, ficaram de fora (uma, por amor às tradições; a outra, por rebeldia adolescente). Mal comparando, é como o topete de Ronaldo na Copa de 2002, só que dá para olhar sem rir. Ele desvia a atenção dos adversários e torna mais fácil o caminho ao gol. O escudo da Volks agora vem em uma grade de aletas pretas, com faróis hexagonais e o que a marca chama de reverse angle, ou ângulo reverso. É o cantinho inferior destacado. Um drible no desenho antigo.

VW Gol

Na parte de trás da camisa do craque, novos vincos na tampa traseira criam uma espécie de faixa para unir as lanternas, como o nome entre os ombros do jogador. Limpador e desembaçador do vidro traseiro agora são de série, assim como vidros elétricos dianteiros, palhetas flatblade (sem estrutura aparente), travas elétricas, cintos retráteis nas laterais do banco traseiro, conta-giros e abertura interna do porta-malas. Em outras palavras, camisa tipo Dry Fit de desenho bonito e recheada de patrocinadores. Pena foi a adoção de travas elétricas ter eliminado os pinos de travamento das portas e tapado os buracos com capas plásticas. Não há nada que possa substituí-los, como maçanetas que também servissem para travar as portas manualmente. É o que dissemos: a camisa é bela, mas esqueceram de pregar os botões do colarinho. No lugar deles, colaram adesivos para tapar as casas vazias. Se um fusível queimar...

VW Gol

Menos sede

Alguns craques também foram conhecidos por abusar da cana, apesar de sua genialidade, mas este não é o caso do Gol. Ele é atleta de Cristo: fica longe da balada e não bebe nem socialmente. O campeão já era assim, mas a VW o levou a novos caminhos com a BlueMotion Technology. Sob sua proteção, o hatch gasta até 8% a menos do que antes, mas com o mesmo rendimento em campo e uma autonomia significativamente melhor. Se tiver prorrogação, este cara aguenta.

O pacote é composto, primeiro, por pneus com baixa resistência ao atrito. Eles são equivalentes a chuteiras de kevlar com desenho matador para chutar a bola com carinho e precisão. Além deles, o carro traz o Eco Comfort, uma espécie de conselheiro em tempo real. Seria como se o jogador pudesse usar um ponto eletrônico para fazer o que o “professor” mandar. Como o futebol não permite isso, imagine um técnico telepata. Mas o que torna o pacote BlueMotion Technology eficiente mesmo é o novo motor 1.0 TEC (Tecnologia para Economia de Combustível). Ele substitui o VHT (Very High Torque) e mantém seu bom desempenho, mas responde sozinho por até 4% a mais de economia. A mágica foi feita com uma preparação física pesada: novos coletor de admissão (mais livre), perfil de comando de válvulas (para mais torque em baixas rotações), central de controle da injeção, bicos injetores e um sistema de partida a frio que atua também na fase fria do motor, o aquecimento.

VW Gol

Na prática

De uniforme novo e bem preparado fisicamente, o novo Gol entra em campo com as mesmas qualidades que sempre exibiu. Excelente posição de dirigir é uma delas, melhorada pela regulagem de altura do banco de série e pelo ajuste de volante em distância e altura, um opcional que nenhum de seus concorrentes oferece. É o ambidestro que chuta bem com qualquer uma das pernas.

Volkswagen Gol

O novo uniforme é funcional. E bonito

Falta poder de arrancada ao atacante

Vai continuar a bater um bolão...

A outra é sua capacidade de fintar as curvas. O carro não faz corpo mole e encara transições, lombadas e valetas com firmeza, transmitindo segurança ao time que tiver de transportar. Jogo aéreo não é sua praia: isso ele deixa para o Fox. A curva até pode fazer marcação forte e fechar de repente em cima dele. Não tem perigo: o Gol tem jogo de cintura, mas não rebola, como alguns de seus adversários. Cavalheiro, ele não comenta as preferências de ninguém.

Se o acabamento agrada, a versão 1.0 mostrou falta de cuidado com a construção. Um ruído chato de vento surgiu acima dos 80 km/h, o que mostra problemas na vedação. Os 1.6, por sinal, escaparam deste problema.

Se receber um lançamento, o Gol 1.0 ainda vai sofrer na hora da arrancada, mas não por excesso de peso. Será por falta de fôlego, mesmo. O fato é que ele abusou da janta: em vez de encarar um etanolzinho leve, enfiou o pneu na jaca e se encheu de gasolina. Resultado: perdeu até do Uno 1.0 Vivace. Prometemos mais uma chance a ele, mas o Gol 1.0 é jogador fundista, não de velocidade. Se a partida for profissional, é melhor convocar a versão 1.6. Pesando prós e contras, ainda dá para dizer que o Gol 2013 deve continuar a bater um bolão. Pode até inspirar muitos caras a mudar de time.

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