por Carlos Guimarães / Fotos: Mario Villaescusa - publicado na edição nº 55 (jul/2012)
Chegou a vez das minivans “dois em um” – modelos erguidos na mesma base, com a mesma aparência e que podem acolher cinco ou sete passageiros. A Chevrolet Spin é a mais nova representante desta safra e vem se juntar à Nissan Livina e à JAC J6. No começo de 2013 chega a Renault Logdy (antecipada na C/D 40 e avaliada na C/D 54). Parece ser a tendência para os países emergentes. Criada e desenvolvida no Brasil, pela equipe da General Motors em São Caetano do Sul, a Spin estreia no País, mas já tem destino selado: será fabricada na Indonésia, África do Sul e em outros países em ascensão. Spin vem do inglês e significa “girar” – mas a marca afirma que optou pelo nome por ser genérico, para ser entendido em qualquer parte do planeta. Como é e como anda a novidade? É o que você verá a seguir.
Feita sobre a mesma arquitetura global do sedã Cobalt, a Spin substituirá de um só golpe as minivans Zafira (lançada em 2000) e Meriva (projeto brasileiro apresentado em 2003), mesma estratégia adotada pela GM com o Sonic, que entrou no lugar do Corsa e do Astra. Ela chega em cinco versões, sempre com o novo motor 1.8 Econo.Flex, a preços que variam de R$ 45 mil a R$ 55 mil. A opção mais em conta, a LT manual, vem com ar-condicionado, direção hidráulica, ABS, dois air bags, travas e vidros elétricos. Testamos a mais cara, a LTZ de sete lugares com câmbio automático sequencial de seis marchas, o mesmo GF6 da dupla Cruze/Sonic.
Tridimensional
Veja o perfil da Spin. É uma minivan com compartimento do motor destacado, um dois volumes, no jargão da indústria, e não um monovolume, como a maioria das minivans. Apesar de carregar o mesmo código genético do Cobalt, a Spin vem com uma série de detalhes estéticos próprios. Começa com os faróis, arredondados, que combinam com a enorme grade dianteira bipartida, marca da Chevrolet em seus mais recentes modelos.
Para quebrar a simplicidade das linhas, a equipe de Carlos Barba, chefe do departamento de estilo da GM, esculpiu a lateral e a tampa traseira para formar jogos de luz e sombras. Também incluiu um defletor de ar sobre a tampa traseira e desenhou um par de lanternas com aspecto tridimensional. O resultado, de modo geral, agrada.
Se estivesse de olhos fechados, eu não teria como saber se estava abrindo as portas da Spin ou do Cobalt. O quadro de instrumentos também é comum aos dois modelos. Na minivan, o “ponto H” (posição vertical relativa do quadril) é 60 mm mais alto do que no sedã e isso obrigou a GM a ajustar a altura do painel. No espaço extra, foram criados alguns novos porta-objetos e, para reforçar a sensação de altura, foram usados dois tons de cinza separando as duas metades.
Saudade do flex7
O nível de acabamento é apenas honesto e deixa claro que este é um carro para países emergentes. É o mesmo padrão encontrado no Cobalt. Mas é na hora de usar algumas das 23 configurações possíveis dos bancos que você vai ficar com saudade da Zafira. No lugar do engenhoso, prático e mais caro sistema Flex7 (aquele que faz aparecer ou sumir os bancos, encaixados facilmente no assoalho), a GM adotou algo mais simples. E incômodo.
CHEVROLET SPIN
+
Motor silencioso e liso, câmbio automático, custo-benefício-
É preciso ter músculo, e paciência, para configurar os bancos=
Uma minivan genérica para substituir as minivans convencionaisA fileira do meio é bipartida em 1/3 e 2/3 e a terceira, inteiriça. Com um sistema de alavancas e linguetas, os bancos podem ser dobrados por inteiro para serem presos por uma tira elástica, igual às usadas para amarrar bagagem nas motocicletas, enganchada no encosto de cabeça do banco à frente. Para entrar ou sair da terceira fileira é preciso dobrar a segunda. O conjunto de assentos é pesado e, dobrado, ele se torna uma barreira a ser superada com técnicas de contorcionismo.
Em contrapartida, na versão de cinco lugares, os bancos rebatidos abrem um salão de festa de 952 litros no porta-malas e, na posição normal, 710 litros, pois quase toda a área foi reservada para a terceira fileira. Na versão para sete lugares, a capacidade é de 162 litros ou 553 litros com a terceira fileira rebatida.
Heavy x erudita
A Spin marca a estreia do motor 1.8 Econo.Flex, que seria derivado do 1.4 usado em Meriva, Corsa e Prisma, segundo a GM. Comparado ao antigo 1.8 FlexPower, é como sair de um show de heavy metal e entrar em uma sala de concerto: o novo motor é suave em qualquer rotação, silencioso e não vibra. A marca diz que ele seria mais econômico.
Tem modestos 108 cv com etanol e razoáveis 17,1 mkgf de torque, 90% dele disponível entre 2.500 rpm e 4.700 rpm. Não espere, portanto, um desempenho fora do comum: o carro, avaliado em pista fechada e somente com o motorista, mostra fôlego apenas mediano.
A 120 km/h, o motor gira silenciosamente a 3.200 rpm, mérito do câmbio de seis marchas com relações bem escalonadas e com passagens suaves. A caixa recebe uma embreagem interna que evita os trancos e a demora nas trocas de marcha. As mudanças sequenciais são feitas por um pequeno botão um bocado discreto na alavanca, mesmo recurso presente no Captiva – um estímulo a menos para uma condução mais animada e alguns centavos de dólar de economia para a fábrica.
A suspensão absorve bem as irregularidades do piso e mantém conforto interno. Nas curvas, apesar do centro de gravidade mais alto e da inclinação natural da carroceria, a minivan se mostrou bastante equilibrada, com boa estabilidade, mesmo perto do limite de aderência.
Boas vibrações
A Spin estreia o novo motor 1.8 Econo.Flex, criado e desenvolvido no Brasil, para substituir o antigo, e áspero, 1.8 FlexPower. Sem grandes recursos tecnológicos, é suave. E vai equipar parte da linha GM. Uma boa notícia para quem não suportava mais a aspereza do motor 1.8 da GM. O vibrante FlexPower foi substituído pelo 1.8 Econo.Flex, feito no Brasil e que também estará no Cobalt automático a partir de agosto. O bloco seria derivado do 1.4 Econo.Flex e teve a cilindrada aumentada não apenas com o uso do virabrequim do antigo 1.8 FlexPower (sim, exatamente o mesmo, sem nenhuma mudança, inclusive de contrapesos), mas também com o alargamento do diâmetro dos cilindros (exatamente o mesmo do 1.8 antigo). Isso foi possível porque o bloco de ferro é mais resistente que o de alumínio e não teve a rigidez da sua estrutura comprometida, mesmo com paredes mais finas.
Ainda na comparação com o antigo 1.8 de 8V da GM, o novo tem acelerador eletrônico drive by wire (o FlexPower era por cabos),coletor de escapamento de aço inoxidável e o de admissão de plástico, que favorece a entrada do fluxo da mistura ar/combustível dentro da câmara de combustão. Além disso, vem com comando de válvulas roletado, para reduzir atrito e ganhar eficiência. O resultado é um motor suave e silencioso. Quanto ao consumo, em nossa média ele fez 9,6 km/l na estrada e 6,4 km/l na cidade, abastecido com etanol. Segundo o diretor de engenharia de produtos da GM Powertrain, Paulo Riedel, a melhoria foi obtida com uma melhor distribuição da mistura por meio da caixa de ressonância do corpo de injeção, adotada pela primeira vez no Cobalt 1.4.







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