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Por Raphael Panaro // Fotos: Bruno Guerreiro

O armário do Chevrolet Onix era diversificado. Para jogar aquele futebol de domingo a pedida seria a versão Seleção. Um traje mais esporte? A Effect resolveria o problema. Em caso de festa no final de semana, a vestimenta ficaria por conta do Lollapalooza. Mas faltava algo. Na reunião de grupo, os amigos (ou inimigos) sempre estavam pronto para fazer uma trilha ou pegar um caminho mais acidentado.

A GM então resolveu renovar o guarda-roupa, jogar as indumentárias dentro do baú e, finalmente, aderir à moda aventureira. O preço, no entanto, é de grife. O Onix Activ chega às concessionárias por iniciais R$ 57.190 (câmbio manual). A versão avaliada, com transmissão automática, tem etiqueta ainda mais custosa: R$ 62.290.

A nova vestimenta não é mais tendência como antes (os SUVs compactos vieram forte), mas ainda faz sucesso. E a receita é a de sempre: apliques plásticos na carroceria, suspensão mais alta (3 cm), pneus maiores (195/65 contra 185/65) e bons equipamentos. Entre eles, a segunda geração do My Link.  A tela de 7” está mais nítida e o gadget é compatível com o Apple Car Play e Android Auto. Intuitivo e fácil de manusear, é um dos destaques do Onix. Outra ferramenta tecnológica é o OnStar. O concierge eletrônico, com cortesia de um ano da GM, oferece serviços de pesquisas rápidas na internet, assistência mecânica, elétrica ou médica ao toque do botão no retrovisor.

Chevrolet Onix Activ

Sob o capô, o Onix Activ só carrega o motor 1.4 SPE/4 flex, que ficou mais econômico e menos áspero em seu funcionamento. Tudo por causa da palavra ECO que foi adicionada a nomenclatura. A GM redesenhou pistões e bielas, trocou o óleo lubrificante por um mais fino e o processador do módulo eletrônico, responsável por controlar as diversas funções do motor, ficou mais rápido. Potência e torque, no entanto, não mudam. Os 106 cv e 13,9 mkgf (etanol) são suficientes para movimentar o Onix sem grandes dificuldades.

FANTA

As impressões ao dirigir são boas. O motor tem menos vibração e ruído. A direção, agora eletroassistida, está mais responsiva. Ela também enrijece em altas velocidades e fica macia ao fazer manobras. Por ser mais alto, o Onix Activ só inclina um pouco nas curvas que a versão normal. No caso da caixa automática de seis marchas alguns reveses. Ela faz trocas suaves, mas perceptíveis. O câmbio também pensa demais quando é exigido.

A roupa aventureira por si só não adiantava. O Onix estava com olheiras e precisando de trato estético (o mesmo desde 2012). Inspirados no Cruze, os faróis são mais  afilados e  ganharam ua tira de LED. A grade bipartida já não rouba mais espaço do capô.

Chevrolet Onix Activ

Dentro, poucas mudanças. Volante e cluster são os mesmos. A GM consertou o puxador que era muito avançado e pouco ergonômico. A posição de dirigir continua perto da Lua, mas dá para se ajeitar. Já quem compra o Activ terá uma overdose do tom laranja – em qualquer cor de carroceria. Os bancos, forros das portas dianteiras e toda parte do painel combinam com uma garrafa de Fanta. Pode ser diferente, porém é tão enjoativo quanto o refrigerante.

No quesito revisão, outro problema. Frente aos rivais, o Onix Activ é um dos mais caros. Até os 60 mil km você vai gastar R$ 3.080. As do VW Cross Fox e Hyundai HB20X, que trazem motores 1.6, custam R$ 2.871 e R$ 2.772, respectivamente. O Renault Sandero Stepway extrapola os R$ 4 mil.

Chevrolet Onix Activ

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