Chevrolet Cobalt 1.8

por Carlos Cereijo / Fotos: Mario Villaescusa - publicado na edição nº 57 (set/2012)

“Não se pode dormir com todas as mulheres do mundo,mas deve-se fazer esforço.” O ditado imortalizado por Jorge Amado é uma lição. Não para uma vida promíscua. Trata-se de uma mensagem de tenacidade, dizia o poeta que completaria 100 anos em agosto. Correr atrás de um objetivo, mesmo sabendo que é inatingível. E o Cobalt parece encarnar essa obstinação. O Chevrolet quer ser barato, espaçoso, bem equipado, econômico, bonito e ter bom desempenho. Estes últimos dois quesitos não eram os destaques do Cobalt 1.4. Porém, a força das outras qualidades lhe rendeu até um lugar no Ten Best 2012. Agora, o sedã tem motor 1.8, câmbio automático e maquiagem na carroceria. Será que o amado pelos taxistas alcançou o impossível?

Chevrolet Cobalt 1.8

Com a citação de Jorge na cabeça, entro no Cobalt LTZ 1.8 automático. Nesta configuração topo de linha, o interior tem volante revestido de couro com comandos para o som e celular. Por fora, os faróis têm máscara negra, rodas de liga leve de 15 polegadas, faróis de neblina, frisos laterais, lanternas escurecidas e sensor de estacionamento. Os adereços são discretos e dão um pouco mais de refinamento ao Cobalt. Não, ainda não é o sedã mais bonito do Brasil, mas melhorou. De série nas versões 1.8 há um defletor na tampa do porta-malas, direção hidráulica, trio elétrico, ABS, EBD, computador de bordo, air bag, alarme e coluna de direção com ajuste de altura. Uma lista gorda, como as obras do escritor baiano.

Cinto afivelado e alavanca na posição D. A posição de dirigir é confortável, jeitão de carro de patrão. Interior bem acabado, linhas menos polêmicas que as da carroceria. É bom estar aqui dentro. Pé direito fundo no pedal do acelerador. O câmbio automático de seis marchas vai levando o sedã até os 100 km/h. A tarefa é cumprida em 11,9 s. Não é um foguete, mas está bem melhor que os 13,3 s do Cobalt 1.4. A afinação do câmbio GF6, feito pela GM, está adequada ao Cobalt. As passagens de marcha não têm trancos fortes e há opção de trocas manuais por botão na alavanca. Não é algo prático, por isso nem se preocupe em usar. Essa caixa é conhecida: está no Cruze, Sonic e Spin. Para o Cobalt ela teve a parte eletrônica refeita. O câmbio se adapta de acordo com a forma de dirigir do motorista. Você calça 47 bico largo? Então o Cobalt vai entregar respostas mais rápidas. É uma freira que dirige com o terço na mão? O Chevrolet vai suave e com trocas em baixo giro.

Chevrolet Cobalt 1.8

Você também já conhece este motor 1.8 Econo.Flex, que equipa a minivan Spin. O coletor de admissão tem novo ressonador que, diz a fábrica, diminui ruído e consumo. Não é um primor de potência com 108 cv, mas caiu bem ao Cobalt. O sedã engordou 77 kg com o câmbio automático e motor maior. Por isso, a suspensão tem nova calibração para se ajustar ao novo peso. O sedã não sentiu tanto o golpe, a carroceria ainda rola e a geometria da suspensão varia. O Cobalt não tem vocação esportiva nem quer ter. O objetivo da Chevrolet é entregar conforto de sedã médio a preço de hatch premium. E acredite: isso foi cumprido.

Um trecho com asfalto acidentado se aproxima. O sedã vai vencendo as imperfeições sem se aperrear. Ruído? Os números de teste mostram que a versão 1.8 automática do Cobalt é mais silenciosa que a configuração 1.4. O consumo de etanol não está fora da curva, mas poderia ser melhor no ciclo urbano.

Chevrolet Cobalt 1.8

Abraçar o mundo

O Chevrolet está menos preguiçoso e continua com seu espaço interno generoso. São 2,62 m de entre-eixos, assim, o banco traseiro pode receber Dona Flor e seus dois maridos com conforto. No porta-malas de 563 litros dá para levar os Capitães da Areia e sobra espaço ainda para Tieta e Gabriela.

Então, o preço do Cobalt foi lá para cima? Não, não foi. Na versão 1.8 LT com câmbio manual (leia o quadro ao lado) é de R$ 43.690. Para usufruir do câmbio automático na versão LT você vai desembolsar R$ 46.690. Para levar para casa a configuração LTZ com câmbio manual adicione R$ 300 – R$ 46.990. A topo de linha LTZ com câmbio automático custa R$ 49.990. Pode revirar a internet e os anúncios, você não vai achar nenhum sedã desse tamanho com câmbio automático por esse preço. A GM só faz uma ressalva: esses valores são com o desconto de IPI. Se o governo brasileiro mantiver o desconto, o preço fica. Se o imposto voltar, aí a tabela será reajustada (para cima, é claro).

O Cobalt não se deitou com todas as mulheres do mundo, mas sim com uma dupla no mínimo interessante. Falo do motor e câmbio automático. O sedã da Chevrolet caminha forte, alheio às críticas ao design. Pode observar, está cheio de Cobalt por aí. Devagarzinho ele vai se mostrando um conquistador. Mas uma de cada vez. 

Chevrolet Cobalt 1.8

Cobalt LT 1.8 manual

Estou na mesma pista onde conheci o Cobalt 1.4 em 2011. São as mesmas curvas, mesmo asfalto, mesma grama. A lembrança daquele dia é de que faltava ao sedã da Chevrolet mais força. Ele era grande, espaçoso, mas tinha coração raquítico. Agora, o 1.8 Econo.Flex joga 108 cv para a caixa manual F17. O sedã está mais à vontade, consegue chegar com mais velocidade às curvas. Freios funcionam bem e a carroceria mergulha na suspensão dianteira. A direção carece de precisão. “Não precisa correr! Eu sou feito para relaxar, aproveite a paisagem”, é o que o Cobalt diria. Tudo bem. Jogo a quinta marcha e vou desfrutando o horizonte. As trocas são macias e a alavanca tem curso longo. O pedal de embreagem é fácil de modular, nada de solavancos. Agora, o Cobalt mostra o seu lado mais forte, parece um sedã de segmento superior e cobra menos por isso. A letargia da versão 1.4 ficou para trás. Agora, o 1.8 veste melhor o sedã. Você gostava do Cobalt 1.4 como nós? Então dê uma olhada na versão 1.8 manual e reveja seu conceito.

Chevrolet Cobalt 1.8
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