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Por Carlos Cereijo // Fotos: Leo Sposito

Não pule esta reportagem, não se deixe enganar pelas sutis diferenças de design entre o novo Audi A4 e seu antecessor. As mais profundas mudanças na nova geração do sedã se escondem atrás da carroceria e dos vidros. Tudo para que o modelo suba de categoria e deixe o segmento de entrada apenas para o A3. Por isso o interior foi inteiramente repensado, assim como plataforma, suspensão e tocada de alemão. O lado ruim é que o preço subiu. Antes vendido por menos de R$ 150 mil, o  A4 parte agora de R$ 160 mil.

Embora pequenas, aqui estão as alterações nas medidas do A4 –  todas cresceram ligeiramente. São 3 cm a mais de comprimento (4,73 m), 1 cm extra de entre-eixos, este mesmo acréscimo na largura (1,84 m) e 2 cm à altura (1,43 m). O que as fichas técnicas não mostram, mas a C/D fez questão de mensurar, foram as portas. Tanto as dianteiras quanto traseiras estão mais compridas. As da frente tinham 1,07 m antes e agora tem 1,10 m. As traseiras se estendiam por 97 cm no A4 anterior e no novo pulam para 1,02 m.

Audi A4

Nossos olhos percebem o novo desenho dos faróis e lanternas, mais afiados e com vincos no novo Audi. A fita métrica revela que as peças dianteiras mantiveram os 50 cm de comprimento, enquanto as lanternas saltaram de 56 cm para 61 cm. Tudo com LEDs, 48 deles para ser mais exato.

O que não se vê pelo metal frio é a dieta do A4 graças à adoção da plataforma MQB – a arquitetura que o Grupo Volkswagen estreou no A3 e que hoje está no Golf, Passat e chegará a 40 modelos do conglomerado. Dependendo do pacote de equipamentos, motor e câmbio, a economia de peso pode chegar a 120 kg. O truque fica por conta do uso de ligas ultrarresistentes leves de aço, além, é claro, da construção e do projeto da nova plataforma modular.

MAIS ALEMÃO AO ACELERAR

Você não vai notar o salto de qualidade se passar pelo novo A4 e não entrar nele. A cabine sofreu uma melhora gigantesca para sanar definitivamente qualquer dúvida em relação ao A3 Sedan. Você quer um Audi em conta e racional? Vá de A3. Você quer começar a experimentar o luxo alemão em cada centímetro da pele? Escolha o A4.

Aqui a fita métrica serve para explicar essa sensação, que vai além dos materiais e da qualidade de construção. Para ampliar a impressão de espaço da cabine, um dos recursos é empregar elementos horizontais e equilibrar com as proporções do habitáculo. Por isso um esguio elemento prata percorre todo o painel. As saídas de ar no centro tiveram altura cortada pela metade e foram alongadas de 26 cm para 32,5 cm.

Audi A4

O espaço para a alavanca de câmbio antes era retangular e se estendia por 16 cm do console. Agora a área é quase quadrada, com 9 cm de extensão. Nem o volante escapou. Para aumentar a ideia de espaço, ele perdeu 1 cm de diâmetro (36 cm) e a almofada onde ficam buzina e o air bag agora tem apenas 13 cm de diâmetro contra 17 cm no A4 anterior.

Toda a parte de mostradores, controles de ar-condicionado e interação com o multimídia é nova. O cluster 100% virtual usa o mesmo conceito do TT e facilita a viagem de verdade, não é uma extravagância. A tela no centro do painel lembra um tablet, a mesma ideia da Mercedes-Benz, mas com resultado mais elegante. A cada acionamento parece que estou num carro mais caro, não num A4.

Os números de pista mostram a combinação de bom desempenho e economia de combustível. Apesar dos 190 cv, o novo 2.0 agrega tecnologia na injeção direta de gasolina para só alimentar o quatro cilindros ao máximo em aceleração plena. Com carga parcial no acelerador, que é o que ocorre na maior parte do tempo, o Audi gerencia o melhor consumo. Para isso também colaboram o exemplar câmbio S-Tronic de sete marchas e, claro, a perda de peso.

Audi A4

Outro ponto que evoluiu foi a tocada do A4 na hora de acelerar, mas tal característica dividirá opiniões. A geração anterior era suave, nem parecia um sedã alemão. Agora a suspensão é firme. Roda bem postada no asfalto liso e comunica as imperfeições do piso quando elas aparecem. Não entenda mal, não são pancada secas, é a suspensão trabalhando para absorver o impacto e deixar a carroceria estável. O resultado, porém, deve incomodar quem prioriza o conforto.

Se você dedicar um tempo para experimentar o novo A4, vai perceber todas essas evoluções. O desafio da Audi agora é conquistar a clientela que abriu mão do A4 após tantos anos à espera de melhorias. É como o restaurante que ostenta a placa Visite Nossa Cozinha. A gentileza pode conquistar o cliente curioso para sempre, ou fazê-lo se arrepender da visita. No caso do A4 parece claro que não haverá remorso.

Tabela[Clique para ampliar]

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