por Gustavo Henrique Ruffo

SERIE_1

Primeiro, você o puxa para trás, no ângulo certo. Depois o solta e espera o estrago. Se falássemos de um carro, seria de um brinquedo a fricção, mas estamos falando do jogo Angry Birds, disponível para celulares, tablets e computadores. Nele, ganha quem destruir porcos verdes (sem referências futebolísticas) escondidos atrás de pedras, vidros ou madeiras. Vingança por eles roubarem os ovos dos tais passarinhos nervosos.

LANTERNA_TRASEIRA
Até as lanternas traseiras têm um quê de braveza. Não me segue!

É muito legal, acesse o site www.rovio.com e baixe em seu smartphone. E o que esses pássaros nervosos têm a ver com a segunda geração do Série 1? Essencialmente duas coisas. A primeira é a inegável semelhança visual entre eles, todos com olhos - faróis - bem grandes. A segunda é que o bebê da BMW quer ser tão popular e divertido quanto o jogo, mania entre os geeks.

Questionado por nós sobre a semelhança, o designer Nicolas Huet, responsável pela nova aparência do Série 1, riu. “Quando criei o carro, além de querer manter sua identidade, fiz faróis grandes, que lembram os olhos dos personagens de mangá”. Segundo Sini Matikainen, da Rovio, empresa que criou os Angry Birds, os passarinhos não têm um pai específico nem inspiração direta nos quadrinhos japoneses. 

LANTERNA
Nicolas Huet, pai do estilo do novo Série 1, riu com a comparação com os Angry Birds. “Os faróis grandes se inspiram nos olhos dos mangás”, explica o designer alemão

A semelhança, portanto, é mera coincidência, ainda que o Série 1 e os personagens tenham mais em comum do que só a expressão de poucos amigos. Divertido, por exemplo, ele já consegue ser. Fácil. De início, terá duas versões a gasolina - 116i e 118i - e três a diesel - 116d, 118d e 120d -. Haverá também dois pacotes de personalização, o Sport - com detalhes de acabamento e retrovisores em preto brilhante e rodas de liga leve comuns - e o Urban - com rodas, retrovisores e detalhes em branco -.

RODAS

BMW 118i

Preço (R$)

110 mil (estimado)

Motor

Dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1.6, 16V, turbo, injeção direta de combustível, gasolina

Potência (cv/rpm)

170 (4.800)

Torque (mkgf/rpm)

25,5 (1.500 a 4.500)

Transmissão

Manual, 6 marchas ou automático, 8 marchas, tração traseira

Suspensão (D/T)

Independente, McPherson / multibraço

Freios (D/T)

Disco ventilado / disco sólido

Rodas e pneus (D/T)

195/55 R16

Dimensões (C/E/A/L)

4,32m / 2,69m / 1,42m / 1,77m

Peso (kg)

1.295

Porta-malas (l)

360

Tanque (l)

52

PORTA

O hatch é maior, mais largo, mais forte e - pouco - mais espaçoso que o anterior. Consegue tudo isso sendo - pouco - mais leve, proeza a creditar a um desenho menos rebuscado, ao motor menor, porém mais potente, e também a materiais mais nobres, como os aços de alta resistência.

Se o estilo é mais simples, o mesmo não falo sobre a mecânica, mais sofisticada do que nunca. Em vez do motor 2.0 16V naturalmente aspirado, de meros 136 cv - todo 2.0 16V que você vê por aí é mais forte que isso -, a BMW adotou o motor 1.6 turbo Prince, desenvolvido emparceria com a PSA - e usado no Peugeot 3008 -. Segundo a marca, só o bloco é o mesmo.

116i e 118i disponíveis no Brasil em 6 meses

A montagem longitudinal já o distingue nesta família de motores, mas ele traz também sistema Valvetronic, que dispensa borboletas, comando variável de válvulas, injeção direta de combustível e calibração própria. Isso faz o BMW 116i ser mais legal do que o 118i atual. Não por potência, a mesma - 136 cv -, mas por torque, que foi de 18,4 mkgf para pelo menos 22,4 mkgf - o overboost o leva a 24,5 mkgf -. O câmbio é manual de seis marchas, mas, se você quiser o automático, terá oito marchas à disposição. Tanto o 116i quanto o 118i estarão disponíveis no Brasil em seis meses. O 118i deve ser mais caro do que o vendido hoje, a R$ 100.510. Arriscamos dizer que custará R$ 110 mil, enquanto o 116i poderá sair por R$ 100 mil. Ou até menos.

PAINEL
Interior bem cuidado só peca pela alavanca de câmbio, muito recuada; modelo automático sofre menos com o problema

PONTEIRO
Em modo Eco Pro, o BMW Série 1 ensina a dirigir
de um jeito econômico e mostra o aumento de
autonomia

Depois que o Mercedes-Benz CLC morreu, o Série 1 virou o único hatchback de tração traseira à venda no mundo. Isso lhe dá uma vantagem incrível diante dos concorrentes coma mesma pretensão esportiva, reforçada pelas três opções de acerto de suspensão, de série em todos os modelos: Comfort, Sport e Eco Pro, voltada a uma condução econômica. É nítido quando cada uma delas atua. Por encomenda, a Adaptive Suspension, ou suspensão adaptativa, oferece mais uma escolha, a Sport+, que, além de mais firme, tem um controle de tração menos invasivo. É o que basta para aquela controlada saída de traseira, facilmente corrigível com um rápido contra-esterço.
BMW_SÉRIE_1
O esboço do Série 1 já mostra os faróis à moda mangá

MÁQUINA DE DIVERSÃO

Se o BMW Série 1 é um dos modelos mais divertidos de seu segmento, ele herdou características da primeira geração que parecem defeitos crônicos. Como privilegia uma posição baixa de direção, todo o seu bom entre-eixos de 2,69 m serve apenas ao motorista. A não ser que você seja muito baixo, seu banco terá de ficar todo para trás, encostado no traseiro. Só uma criança consegue se sentar ali - e com as perninhas sobre o banco -.

O Série 1 é praticamente um 2+2. Por conta disso, a coluna B vira um obstáculo em direção ao banco. Apesar de alemão, o Série 1 exige rebolado. Já dentro do carro, a boa posição dos comandos só é contrariada pela alavanca de câmbio, muito recuada. Isso descontado, o BMW Série 1 é uma máquina de diversão. Se você optar pelo câmbio automático, pensará que comprou um CVT. As trocas são imperceptíveis e tão rápidas que basta pisar mais forte no acelerador para reduzi-las.

Já o motor a gasolina responde prontamente. Gasta pouco porque não é preciso pisar quase nada no acelerador para ele andar. Quem pisa mais forte quer respostas mais do que vigorosas. E consegue, mas não é sempre que se está neste espírito. É aí que entra o modo Eco Pro, que te ajuda a guiar com economia. Ele diz, por ícones no painel, que marcha deve ser usada, se é bom aliviar o pé no acelerador e quanto de autonomia se ganha dirigindo assim.

O sistema Start/Stop, que desliga o motor quando o carro fica parado em um engarrafamento ou no semáforo, por exemplo, é de série. A novidade também pode oferecer bomba de óleo governada, bomba de combustível regulável pela rotação, compressor de ar-condicionado autodesconectável e pneus de baixa resistência à rolagem.

Tudo para gastar menos. O tempo de brinquedos imitarem carros passou. Agora, carros imitam brinquedos, ainda que por coincidência. De jogos a veículos, vale tudo na busca por aceitação. Lembra da pretensão do Série 1? Divertido ele já é. Popular como os Angry Birds? Tem tudo para ser.