Você viu, na notícia publicada há instantes neste site, que a possibilidade de intercâmbio comercial entre Brasil e Venezuela (a nova integrante do Mercosul) é remota – ao menos por enquanto. Porta-voz do governo argumenta em defesa ao veto de Hugo Chávez, presidente daquele país, que os veículos venezuelanos não poderiam competir com os importados.

Chrysler, Ford, General Motors, Hyundai, Mitsubishi e a japonesa Fuso são as marcas que mantêm linha de produção na Venezuela. A Chery também começa a entrar naquele país. Mas a mais exótica delas é a Venirauto, joint venture firmada em 2008 entre o governo venezuelano e a Iran Khodro (IKCO), montadora iraniana, para a produção de carros da marca Samand. A Samand planejava montar, basicamente em CKD, dois modelos – o Turpial, baseado no Ford Festiva (um compacto fabricado entre 1996 e 2002) e o sedã Centauro (montado na base do Peugeot 405, que saiu de linha em 1997 na Europa).

A Venirauto nunca fez parte da Câmara Automotriz Venezuelana, a Cavenez, a Anfavea local. Por isso, não se sabe exatamente o volume de produção da empresa. Fala-se em cerca de 8.000 carros montados desde 2011. “Mas problemas financeiros, agravados com o desentendimento entre os sócios venezuelanos e iranianos, dificultaram a produção, a ponto de o governo de Chávez ter assumido a empresa”, relata o jornalista venezuelano Julian Afonso Luis. A Venirauto continua parada, embora seja a única fabricante venezuelana autorizada a receber dólares para importar componentes.

Os carros

Os pátios da Venirauto, em Maracay, cidade próxima a Caracas, estão lotados de carros que ainda não foram entregues ou que estão incompletos por falta de peças e componentes, informa Julian Afonso. Jornalista dedicado aos automóveis e ex-colaborador da Car and Driver colombiana, Julian diz que dirigiu os modelos brevemente. “A marca não fornece carros para avaliação e impede que jornalistas visitem a fábrica.”

O Turpial, com motor 1.3 de 62 cv, é, essencialmente, um Ford Festiva – o que distingue os dois modelos são a grande, faróis e a coluna traseira que dá ao carro aspecto de um dois volumes e meio, ou notchback, como o Escort. “Em comparação ao Escort, a qualidade dos materiais de acabamento do Turpial é inferior e, à primeira vista, as chapas da carroceria parecem mais delgadas que as do antigo Ford”, diz o jornalista. Todas as versões são equipadas com ar, vidros elétricos e para-choques da cor da carroceria. “O desempenho é, igualmente, muito parecido ao do Festiva, embora seja visivelmente mais lento nas acelerações e nas retomadas.” Na época do lançamento, foi anunciado pelo equivalente a US$ 10.000.

O Centauro é um sedã de porte médio, com seus 4,5 m de comprimento, e vem com motor quatro cilindros de 98 cv e oferecido na época em que foi lançado pelo equivalente a US$ 17.000. Embora seja derivado do Peugeot 405, não lembra em nada o sedã francês. “Por ser um carro de segmento superior ao Turpial, seu acabamento é melhor, como se pode notar pela qualidade dos materiais plásticos e de tapeçaria”, informa Julian. Ele diz que não tiveram oportunidade de aferir o desempenho, mas as acelerações e retomadas pareceram adequadas para a estrada.

“De maneira geral, são carros bem construídos e apresentam razoável nível de confiabilidade. O que atrapalha, no entanto, é a falta de peças de reposição e o serviço praticamente inexistente”, afirma.

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