Por Equipe C/D e AF // Projeções: João Kleber Amaral

Utilitários esportivos, jipinhos urbanos, aventureiros do asfalto, crossover. Você pode chamar os SUVs do que quiser, mas o fato é que eles estão por toda parte. Na cidade, no sítio, na estrada, no estacionamento do shopping, na porta do colégio e (acredite!) naquela estrada de terra maltratada. É o segmento que não conhece crise e que mais se movimenta em termos de lançamentos. Só as marcas japonesas preparam cinco novidades nos próximos dois anos para ajudar a engordar este mercado.

No ano passado, 14% de tudo vendido por aqui foi de algum dos mais de 40 modelos de SUVs à venda no País (contra 10% de 2014). Nas projeções mais otimistas, até 2020 essa participação dos jipinhos e jipões praticamente dobrará. Ou seja, daqui a quatro anos, três em cada 10 veículos vendidos no Brasil serão SUVs.

As marcas japonesas não são bobas nem nada e estão igual a criança na beira da mesa do aniversário, de olho na fatia do bolo. Todas, é claro, já têm um pedaço garantido hoje, mas querem reforçar a dose. Como a Honda que, depois do sucesso do HR-V, lançará um modelo menor para brigar com os SUVs compactos (Ford EcoSport e Renault Duster).

As demais, por sua vez, não querem catar migalhas ou esperar a fatia que sobrou. A Nissan, que desde 2010 não vende SUVs aqui, voltará em grande estilo com o Kicks, que será o carro sensação das Olimpíadas do Rio. Já a Toyota, que se contentava com o discreto RAV4 e com o caro e grande SW4, prepara o rival CH-R para brigar com o HR-V – mas só em 2018.

De quebra, a Honda atacará em outra frente, mais rentável e igualmente disputada. A fabricante prepara a nova geração do CR-V para se manter alerta no mercado dos médios. É onde a Mitsubishi também tentará manter as boas vendas do ASX, com uma geração novinha em folha. Veja abaixo qual SUV fará você aderir à moda – ou se isso ficará a cargo de marcas americanas ou coreanas...

NISSAN KICKS

No embalo dos Jogos Olímpicos, o novo SUV da marca surge para tentar um lugar ao sol no segmento de compactos

Especial: SUVs japoneses

Cem dias. 36 mil quilômetros percorridos. Doze mil condutores. Mais de 300 cidades. Esta é a trajetória da tocha olímpica no Brasil até chegar ao destino final: o Maracanã. O estádio será palco da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, que acontece no dia 5 de agosto. Mas durante todo o trajeto, um inédito veículo vem escoltando o cortejo olímpico e dividindo as atenções com o fogo que vem da Grécia: o Nissan Kicks.

Patrocinadora dos Jogos, a marca aproveita o momento histórico e promove o seu inédito SUV compacto no Brasil. O Kicks lidera o comboio que acompanha os condutores no revezamento, iniciado no dia  3 de maio, em Brasília.

Especial: SUVs japoneses

QUASE IGUAL

O design final fica próximo do carro-conceito de mesmo nome mostrado no Salão do Automóvel de São Paulo de 2014. A grade em V não é tão larga e os faróis estão mais inclinados, mas mantiveram os vincos laterais, as colunas pretas e o teto de cor contrastante que parece flutuar sobre o carro.

As lanternas traseiras são recortadas, mas invadem pouco a tampa do porta-malas. Este, por sinal, parece espaçoso, com cerca de 420 L. Com 4,28 m de comprimento, 2,62 m de entre-eixos, 1,58 m de altura e 1,76 m de largura, o Kicks tem praticamente as mesmas dimensões do Honda HR-V. A altura livre do solo é 19 cm. O espaço na cabine parece igualmente bom.

No interior, o quadro de instrumentos é digital, tendo apenas conta-giros analógico. A central multimídia é destaque na peça revestida de couro no meio do painel e logo abaixo estão os comandos do ar-condicionado digital de duas zonas.

Especial: SUVs japoneses

PARA MUITOS BOLSOS

O carro das fotos é a versão mais cara, SL, que deverá custar cerca de R$ 80 mil. Tem rodas aro 17” e até câmeras de visão lateral nos retrovisores. Esta terá  o motor 1.6 16V flex de 114 cv e 15,1 mkgf de torque combinado com câmbio CVT. Porém, versões mais em conta terão câmbio manual de cinco marchas e menos equipamento. Afinal, o preço inicial ficará ao redor dos R$ 65 mil. O início das vendas está previsto para agosto, a tempo das Olimpíadas. Para tal, este primeiro lote virá do México. Produção nacional, só no fim do ano.

Especial: SUVs japoneses

Especial: SUVs japoneses


 

HONDA CR-V

Na era do SUVs, CR-V quer ficar mais belo, mas deixa de ser recatado e do lar para ganhar ares mais jovens e atrair novos públicos

Especial: SUVs japoneses

Se tem um utilitário esportivo que é tradicionalista é o CR-V. Não chega a usar saias abaixo dos joelhos, mas o SUV da Honda mantém basicamente a filosofia de desenho e segue a mesma proposta de conforto há quase duas décadas. Só que os tempos são outros, e na overdose de novidades que não param de chegar no segmento, o CR-V não pode ser mais aquela primeira-dama discreta e recatada. A nova geração vem aí para mudar esta percepção.

O modelo foi flagrado camuflado nos EUA pelo site Motor1 e só chegará por lá em 2017 – para o Brasil, virá do México até o fim do ano que vem. Mas com informações de bastidores e de fontes, nosso mago das projeções João Kleber Amaral já mostra para você como ficará o futuro CR-V.

Qualquer semelhança com o atual Fit não é mera coincidência. A tal assinatura global da Honda está nos faróis que remetem ao hatch compacto. Já a grade adotará barras sobrepostas, enquanto a frente ganha agressividade com entradas de ar mais largas e para-choques proeminentes.

Na traseira, as lanternas verticais (espécie de marca do modelo) permanecem, mas com desenho mais trabalhado e a base invadindo a tampa do porta-malas e as laterais. Se você esperava caimento mais acentuado de terceira coluna como nos SUVs-cupês, esqueça. Lá atrás o CR-V está mais retão e chapado. Tudo por um bom motivo: a terceira fila de bancos.

Especial: SUVs japoneses

Espaço, a propósito, é a tradição que a Honda quer manter e melhorar no SUV médio. Pelas fotos do flagra, é possível perceber que o CR-V está maior. Fontes falam em entre-eixos não menor que 2,70 m (hoje são 2,62 m) e comprimento de uns 4,70 m (contra 4,58 m de hoje), justamente para ter espaço decente para pernas de quem vai nos bancos extras.

O lado recatado do CR-V se vai com o motor 1.5 turbo com injeção direta e 176 cv que estreará no novo Civic, no segundo semestre. Porém, o SUV continuará sendo do lar, pois o 1.5 trabalhará com a tradicional caixa CVT com o objetivo de privilegiar o conforto. Fazer o quê?

Para o Brasil, o CR-V chegará do México com esse conjunto e opção de tração 4x2 – a caixa manual de seis marchas está descartada, por enquanto. Será a estratégia para baixar um pouco o preço do modelo, para iniciais R$ 120 mil, já que atualmente, com motor 2.0 flex de 155 cv, caixa automática de 5 marchas e tração integral, o modelo começa em R$ 142 mil – a versão 4x2 deixou de ser importada recentemente. As versões 4x4 do novo CR-V deverão ficar com o preço por volta dos R$ 150 mil por aqui. Nisso, não há nada de recatado.


 

TOYOTA CH-R

Com design incomum, SUV compacto representa a resposta da Toyota ao Honda HR-V. Mas vai demorar um pouco para chegar

Especial: SUVs japoneses

Por Henrique Rodriguez

Todas as críticas de que os carros da Toyota têm desenho pouco insinuante foram anotadas pelos designers da marca, que mostraram o C-HR no Salão de Genebra, em março. Dificilmente, você já viu algum veículo com design tão exagerado em linhas e volumes – o que dirá então de um SUV compacto que pretende concorrer com Honda HR-V e Jeep Renegade. É por isso que a marca japonesa quer trazê-lo ao Brasil até 2018.

Dizem que o design define a personalidade do carro. O menor SUV da marca esbanja este predicado com enormes cortes no para-choque, que fazem as vezes de entrada de ar, faróis que praticamente cumprem a função de grade e teto e colunas pintados de preto brilhante como se tudo fosse vidro. Exagerado, mas bem resolvido.

Como se não bastasse, as portas traseiras praticamente se camuflam nas formas do modelo e as maçanetas estão quase no teto. Atrás, as lanternas flutuantes e o caimento do teto colocam em dúvida se o C-HR é um SUV compacto ou um cupê com excesso de fermento.

 Mas não é só de design que vive o carro. O conceito técnico do Toyota também é bem resolvido. Não parece, mas o C-HR é baseado na plataforma da nova geração do Prius – que veremos no Brasil durante o Salão de São Paulo, em novembro –, a modular TNGA. Não surpreende, portanto, a previsão de o C-HR ter uma versão dotada do mesmo conjunto híbrido do Prius, com motor a gasolina 1.8 combinado com um elétrico, somando 150 cv de potência.

Especial: SUVs japoneses

Esta será a configuração mais vendidas do modelo na Europa nas estimativas da Toyota, mas também terá o pequeno 1.2 a gasolina com câmbio manual e automático CVT. Brasil e Rússia, mercados que ainda prezam por motores grandes, receberão o C-HR com o mesmo motor 2.0 e câmbio CVT do Corolla.

O C-HR ainda está na fase final de desenvolvimento. Por isso, só é esperado no Brasil para daqui a dois anos.

Mesmo sem o interior pronto, há informações de primeiras impressões ao volante do utilitário esportivo. A dinâmica seria equivalente à de um hatch médio, mas com posto de condução elevado como em qualquer SUV. No banco de trás, bom espaço para as pernas mas os mais altos correm o risco de raspar a cabeça do teto. É que nem sempre o design resulta em praticidade.

 Especial: SUVs japoneses


 

HONDA WR-V

Um aventureiro menor, mais barato e com bom espaço interno para aproveitar as vendas embaladas do irmão HR-V

Especial: SUVs japoneses

Por Lucas Litvay

Qualquer coisa que tenha o H da Honda estampado na grade faz sucesso no Brasil, mas o HR-V é um fenômeno: foi o quarto carro mais vendido em março, com 6.059 unidades, mesmo com preço entre R$ 78.700 e R$ 99.200. Para aproveitar o sucesso entre os SUVs compactos, a Honda já trabalha seu SUV menor e mais barato: o WR-V.

O nome segue a linha de batismo dos demais SUVs da marca (HR-V e CR-V) e a sonoridade passa a sensação de algo esportivo, de competição. Mas não se engane: o WR-V será o típico aventureiro para rodar na cidade. Ele divide plataforma e conjunto mecânico com o Fit. “Em tudo o que não se vê, WR-V e Fit serão idênticos”, diz uma fonte da marca. Isso explica como fazer ele custar menos que o HR-V, que usa a mesma plataforma mas é bem maior. O que não elimina uma caracterítica importante da família, o espaço. “Contará com as mesmas soluções de configuração do Fit. E diante do EcoSport será muito mais espaçoso.”

A propósito, o Eco é o principal alvo do WR-V. “O HR-V é um SUV mais premium, cheio de equipamentos sofisticados e numa categoria de preço mais alta. Já o WR-V vem para encarar de frente rivais como EcoSport, Renault Duster e, aparentemente, o futuro Nissan Kicks”, explica o informante.

Especial: SUVs japoneses

Se reparar bem, até no que se vê WR-V e Fit serão parecidos. Dianteira e traseira, com elementos que evocam robustez, é que darão personalidade. Com flagras do carro rodando em testes próximos da fábrica de Sumaré (SP) e de informantes que já o viram pronto, produzimos as ilustrações acima, que projetam com fidelidade o desenho final do WR-V.

O motor também explica o posicionamento do modelo. Terá unicamente o 1.5 16V de até 116 cv, combinado ao câmbio manual de cinco marchas e ao automático CVT.

 Ainda é cedo para falar de preço. Afinal, o WR-V deverá ser apresentado ao público no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro. Mas fala-se nos bastidores que será posicionado logo acima do Fit. Ou seja, partirá de R$ 60 mil na versão DX manual e poderá chegar a R$ 75 mil na topo de linha EXL com CVT.

Especial: SUVs japoneses


 

MITSUBISHI ASX

Nova geração vai adotar padrão de design da marca para brigar no segmento de SUVs mais encorpados

Especial: SUVs japoneses

Por Raphael Panaro

Se o negócio é SUV, a Mitsubishi também está dentro. E a nova geração do ASX promete linhas ousadas como você pode conferir nesta projeção baseada na segunda fase do conceito XR-PHEV, mostrado no Salão de Genebra, na Suíça, em 2015. Mas a marca tem estratégia diferente para o utilitário com ares de crossover.

Em comum com o ASX atual (que acaba de passar por reestilização), apenas o nome e a linha de cintura crescente, que passa a sensação de velocidade, serão mantidos. O crossover ainda ganha moldura nas caixas de roda e a traseira passará a ter lanternas verticais. O ganho de proporções quer deixar o ASX com aparência mais agressiva para encarar o rival Hyundai ix35.

Em tecnologia, espere o que há de mais moderno: detector de pedestres, alerta de ponto-cego e uma câmera que lê os movimentos e os olhos do motorista e interpreta se ele está cansado – e emite um alerta sonoro, se for o caso.

Outro sistema bem legal usa o para-brisa para passar informações ao motorista. É uma espécie de head-up display, tipo o do Peugeot 3008, só que anos-luz à frente. No trânsito, servirá como co-piloto, lendo placas e semáforos e dando instruções do navegador GPS. Não sabemos se esses avanços virão para o Brasil. O certo é que o SUV deve aparecer no fim de 2017 (ou início de 2018) e manterá a opção única de motor 2.0 de 160 cv e tração dianteira e 4x4, a preço próximo dos iniciais R$ 90 mil de hoje.

Especial: SUVs japoneses