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Fotos: Divulgação

A moto que circulará a partir de 2117 terá quadro de fibra de carbono revestido com tecido, pneus que se adaptam ao terreno, giroscópios que mantêm a estrutura sempre em equilíbrio desde que o motor esteja ligado. E será tão segura que o motociclista poderá dispensar o capacete ou a pesada armadura de couro. Esta é a visão que a BMW tem do futuro e que foi representada pelo conceito que estamos mostrando aqui, o Vision Next 100 – the Great Escape (nenhuma referência ao filme estrelado por Steve McQueen e que no Brasil recebeu o título Fugindo do Inferno).

Vision Next 100 é o nome genérico com o qual a marca alemã nomeou seus conceitos futuristas (além da moto, foram construídos protótipos de carros BMW, Mini e Rolls-Royce) como parte das comemorações dos 100 anos de fundação da empresa. “São algumas possibilidades que vislumbramos para os próximos 100 anos”, conta Adrian Van Hooydonk, chefe do departamento de design do Grupo. “Mas muitas das soluções que mostramos nos conceitos de quatro e de duas rodas poderiam ser aplicadas em veículos que estarão rodando dentro de poucos anos.” A apresentação da moto, no começo de outubro em Los Angeles (EUA), fechou o programa batizado de Impulsos Icônicos – a Experiência Futurista do Grupo BMW.

ANALÓGICA

“A moto Vision Next 100 é uma experiência analógica em uma era digital”, define Edgar Heinrich, designer que assina as linhas do conceito. “Quando você livra o motociclista das roupas pesadas e do capacete, ele pode desfrutar com plenitude das forças do ambiente, sensação que só uma motocicleta pode proporcionar.” O capacete e a proteção de couro, diz Heinrich, não serão necessários porque a BMW do futuro terá inteligência artificial que a fará predizer situações de risco, evitar acidentes e, desse modo, livrar a pele do motociclista.

O único acessório que o piloto usará são os óculos que acompanham a moto – e que lembram as máscaras de realidade virtual. Além de proteger os olhos, as lentes funcionam como um head up display presente em alguns automóveis, projetando as funções de um computador de bordo avançado. O diretor de design de experiência do grupo, Holger Hampf, explica: “A superfície da lente é dividida em quatro zonas, separadas conforme a posição dos olhos. No ângulo de visão normal, o motociclista vê apenas o caminho à frente para que se concentre na pilotagem; se baixar o ângulo de visão, verá gráficos indicando as linhas de percurso ideal, a inclinação mais favorável para cada curva e os eventuais pontos de perigo no caminho.”

BMW Vision Next 100

A própria moto se encarregará de fazer as correções necessárias, caso o motociclista não intervenha – ou tenha reação tardia. “No ângulo mais baixo do visor, surge um mapa com a rota que está sendo seguida e, um pouco acima, um menu com várias funções que poderão ser selecionadas a partir de gestos com os dedos”, enumera Hampf. Por fim, ao movimentar os olhos para o alto da lente, o piloto ativará a função do espelho retrovisor. “São informações fornecidas no melhor momento, no lugar adequado e na dose necessária”, diz. Hampf também conta que seu desafio foi reforçar a experiência de pilotagem analógica. “Era importante que a presença digital interferisse o mínimo possível na condução.”

O macacão que você vê vestindo a loira na foto acima pode ser um opcional – um belo opcional. O traje se molda ao corpo e contém sensores que mantém a temperatura do corpo sempre perto do ideal.

FLEXIBILIDADE

O desenho e alguns detalhes da BMW dos próximos 100 anos remetem a um modelo de 93 anos atrás, a R32, de 1923, primeira moto da marca. O quadro triangular unindo as rodas dianteira e traseira segue a mesma forma da pioneira, bem como a posição invertida dos manetes e o formato do tradicional motor boxer a gasolina, com os dois cilindros horizontais salientes. “Queríamos que a Vision 100 carregasse o DNA da marca e que fosse reconhecida como uma BMW”, conta Edgar Heinrich. “Assim, a nossa melhor inspiração foi a R32.”

Em estilo, a Vision se assemelha a uma naked, embora a marca a considere uma roadster feita para um só ocupante. O formato do banco e a posição do guidão  e das pedaleiras, diz Heinrich, foram pensados para a pilotagem relaxada. “Fora isso, o piloto fica totalmente protegido do vento, pois o desenho do garfo e do pequeno para-brisa foi pensado para desviar o fluxo de ar”, explica o designer.

O guidão é fixo – o que se movimenta é o quadro flexível, uma inovação que, segundo a marca, chegará às motos de produção em alguns anos. Em manobras de alta velocidade, o quadro se torna mais rígido e nas de baixa, mais maleável. A Vision Next 100 também não tem amortecedores ou molas: quem cumpre a tarefa de amortecimento são os pneus que se adaptam ao tipo de terreno. Heinrich explica: “Os pneus contam com sensores que leem o estado do terreno à frente e fazem com que o composto infle ou esvazie para proporcionar um rodar o mais seguro e confortável possível.”

O desenho é extremamente simples, embora ao vivo a moto impressione vista de qualquer ângulo. Repare na foto à esquerda as lanternas traseiras, formadas por filamentos de LED: elas tem o mesmo formato das motos BMW atuais. Na foto abaixo, o ponto vermelho no manete é a trava que libera o acelerador. “Quando desenhamos uma moto de produção normal, pensamos entre cinco e dez anos adiante. A Vision Next é um exercício completamente diferente, mas estou convencido que conseguimos esboçar um cenário coerente com a história da BMW em duas rodas”, diz Heinrich.

BMW Vision Next 100

BLOCO MÓVEL

Outra referência à R32 é a cor preta que contrasta com a cor metálica do motor e do braço de transmissão. Banco, quadro, para-lama e o que seria o tanque de combustível são moldados em fibra de carbono revestida por tela preto fosco. O logotipo da marca, tradicionalmente aplicado nas laterais do tanque, se ilumina com a moto em movimento. A iluminação é por LEDs.

A marca não forneceu detalhes técnicos, mas sugeriu que o motor é elétrico associado a uma transmissão automática. O inusitado é que a estrutura externa do motor é móvel: com a moto desligada, o bloco se recolhe e com o veículo em movimento se expande para melhorar a aerodinâmica e proteger de maneira mais eficiente as pernas do motociclista. O bloco e mais o braço da transmissão são feitos de alumínio polido.

EQUILÍBRIO

Ao contrário de muitos conceitos, a Vision Next 100   não é apenas uma escultura intrigante: o modelo se movimenta – em silêncio e com agilidade espantosa. Quando a moto entrou no palco do The Barker Hangar (um centro de exposições anexo ao aeroporto de Santa Monica, na Califórnia e mesmo cenário onde foi apresentado o Tesla Roadster, em 2006) conduzida pela mesma loira que aparece nas fotos, a plateia, formada por jornalistas de todo mundo, ficou intrigada sobretudo com o equilíbrio do conjunto em baixa velocidade. O sistema chamado de self balancing funciona da mesma maneira que nos Segways, aqueles patinetes usados pelos seguranças em shoppings e em alguns aeroportos e é formado por um conjunto de giroscópios. A BMW diz que este é um fator de segurança. “Permite que o motociclista mais experiente possa explorar melhor os limites da moto e os menos experientes tenham um veículo seguro para seu deslocamento.

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