Abre Compara

Por João Anacleto // Fotos: Bruno Guerreiro

Chegou a hora de saber se tudo o que a Honda fez com o novo Civic se confirma. Colocamos a versão Touring, com seu motor turbo 1.5 de 173 cv, em uma disputa com dois alemães que curtimos muito. Além disso, Audi A3 Sedan 1.4 e Volkswagen Jetta Highline foram escolhidos balizados pelos preços das versões e por suas capacidades de serem intensos.

O A3 entra na disputa com a versão Ambiente. Sim, sabemos que em questão de status é duro competir contra os carros de Ingolstadt (ainda que feitos no Brasil), mas por R$ 117.990 ele entra no radar de quem pensa em desfilar por aí com a novidade da Honda na versão mais cara de R$ 124.990. O motor 1.4 turbo de 150 cv leva vantagem por ser flex, algo que os dois concorrentes não dispõem. Acabamento, consumo e uma qualidade de construção sem ressalvas são as suas armas nesta briga. Já o Volkswagen Jetta chega com cheiro de borracha queimada nessa briga. O motor 2.0 turbo de 211 cv proporciona arrancadas surreais, e corrobora com o slogan esportivo disfarçado de sedã. Com bom espaço interno e câmbio DSG de dupla embreagem, ele tem no preço inicial de R$ 110.090, no desempenho e no espaço interno os argumentos para convencer você de que é melhor do que o novo Honda.

Conheça abaixo qual o melhor sedã médio para quem quer uma vida mais interessante.

3º LUGAR – AUDI A3 SEDAN

Civic Touring x A3 Sedan x Jetta

Ninguém vai nos perdoar por ter deixado o Audi em último nesta briga. Digamos que ele é o menos equilibrado da disputa. E olha que se a Audi tem um carro que é o símbolo do equilíbrio entre desempenho, status, praticidade e conforto é este aqui. Mas ele ficou muito para trás em itens pontuais. A começar do preço.

Por R$ 117.990 ele é mais barato que o Civic Touring. Mas calma. A versão Ambiente sem opcionais não traz teto-solar nem bancos de couro (pacote que sai por R$ 14 mil), tampouco o controlador de velocidade de cruzeiro e nem o sensor de estacionamento com câmera de ré (opcionais ao custo de R$ 10.500), o que eleva valor final a R$ 142.490. Se você optar por colocar o rádio MMI com navegador via GPS acrescerá mais R$ 14 mil, e aí você tem um carro equipado como o Civic por R$ 156.490 a preço de Honda Accord V6 (R$ 162.500).

Quem escolhe um Audi deve saber também que as manutenções nas concessionárias deixam o bolso carente. O serviço é de primeira e geralmente personalizado de acordo com a sua disponibilidade, mas a diferença de valor é gritante. Enquanto a Honda cobra R$ 2.834 pelas revisões até 60 mil km, o dono de um A3 Sedan terá de desembolsar R$ 8.990 no mesmo intervalo de quilometragem.

Civic Touring x A3 Sedan x Jetta

FÁCIL

Se você não se importar com tamanha diferença, esqueça o GPS e a câmera de ré, e desfrute de um carro correto, intuitivo e muito bom de guiar. Por ser mais estreito por dentro o Civic (- 5 cm) é mais aconchegante. Seus assentos parecem ter servido de lição para a Honda projetar os dela, com amplas regulagens. A ergonomia também vai bem, e em poucos minutos de entrosamento, você já sabe o que fazer para mudar a estação de rádio, acionar o Bluetooth, ver o consumo ou entender o como mudar suas funções pelo multimídia. É um carro de fácil e agradável convivência.

Dinamicamente se o desempenho não impressiona perto de Civic e Jetta, ele compensa com uma maneira correta de tratar momentos de estresse. Mesmo tendo perdido o conjunto independente na suspensão traseira, substituído por um eixo de torção, continua exemplar ao andar rápido. Você acerta a entrada da curva e em nenhum momento sente que se apóia demais em um dos quatro pneus. Sua direção eletromecânica abusa da precisão e supera a dos concorrentes em um contato mais intenso.

Ao passo que foi imbatível no consumo de combustível, lhe faltou mesmo um pouco mais de fôlego quando você não alivia o pedal direito. Parte da culpa disso foi a opção de substituir o câmbio DSG, que é mais rápido nas trocas, pelo Tiptronic. Equipado com o 1.4 flex de 150 cv e 25,5 mkgf de torque, e tendo 86 kg a menos que o Civic, ele ficou 1,3 s atrás na aceleração de 0 a 100 km/h. As retomadas foram mais apertadas, mas ainda se percebe uma ligeira vantagem para o Honda.

Como sedã, ele entregou os pontos de vez na disputa quando medimos o tamanho do porta-malas, que com 425 litros perde em 93 litros para o novo rival, e no espaço interno, especialmente no banco traseiro. Enquanto o Civic dispõe de 1,52 m de largura e 33 cm de espaço para os joelhos, o Audi oferece 1,50 m e 23 cm respectivamente.

Civic Touring x A3 Sedan x Jetta

2º LUGAR – JETTA HIGHLINE

Civic Touring x A3 Sedan x Jetta

Chegou ao fim o reinado de cinco anos do Jetta Highline como o melhor sedã médio do Brasil. Não foi uma decisão fácil. Afinal, viver a vida intensamente é natural quando se tem 211 cv e 28,6 mkgf de torque disponíveis a singelas 2.000 rpm. Na verdade essa combinação traz emoção o tempo todo. Ninguém que o conhece consegue conter os lábios em uma volta mais rápida, tampouco os passageiros. O que mais se ouve a bordo são pedidos de calma e gemidos de medo.

Mas essa máquina de acelerar foi superada, como se diz nas corridas, por um nariz de vantagem. Não em desempenho. Quando você se posta ao volante a cada saída de semáforo sente que este é um crime que compensa. Também não é normal você sentir cheiro de borracha queimada em retomadas em movimento. Com o Jetta essas transgressões viram corriqueiras, mesmo dotado de um ESP intrometido.

Pesando 52 kg a mais que o rival da Honda, ele compensou as gordurinhas extras com 38 cv a mais e um conjunto de motor 2.0 turbo aliado ao câmbio DSG de trocas rápidas e inteligentes. Cravou 7,2 s no cronômetro para ir de 0 a 100 km/h e superou a todos em todas as provas de retomadas. Mas o Touring ficou bem perto dele, muito mais do que imaginávamos e, então, em quesitos em que o Jetta poderia abrir vantagem ele sentia o bafo do japonês no cangote.

Civic Touring x A3 Sedan x Jetta

DIFERENÇAS

A exemplo do desempenho, seu tamanho também fez a disputa ser mais apertada, só que agora em favor do Civic. Com um entre-eixos 4 cm menor e sendo 1 cm mais estreito, perdeu para o Honda nas medições internas. Embora o motorista tenha 3 cm extras de espaço para a cabeça frente ao Civic, o interior do japonês é 3 cm mais largo. Isso unido a regulagens de banco mais amplas, culmina em uma sensação de espaço no vencedor que você não tem no VW.

Quem viaja atrás tem um habitáculo 2 cm mais estreito no Jetta, com 3 cm a menos de espaço para acomodar os joelhos. Outro ponto que os diferencia é o cuidado da Honda com tudo que faça parte da experiência em se estar no seu carro. Quer um exemplo? O túnel da transmissão do Jetta invade 20 cm do assoalho, no Honda são apenas 9 cm. Pergunte para quem vai sentado ali se isso não faz diferença.

O Jetta também perdeu a disputa pelo tamanho do porta-malas. Agora são 9 litros de vantagem para o rival – 510 a 519. E até a abertura do compartimento revelou uma vantagem ao Civic: a abertura do bagageiro é 4 cm mais larga. O que ajuda na hora de colocar peças que só entrariam com folga em um Q5 ou Touareg.

O golpe final no imbatível Jetta foi dado no bolso. É verdade que ele custa R$ 15.850 a menos na versão sem opcionais. E isso é uma boa grana. Mas se for equiparado em equipamentos, como o modelo testado, seu preço dispara a R$ 125.155 com vantagens parcas como o ajuste elétrico lombar e o aquecimento dos bancos, que faltam ao Civic. Na hora da manutenção, escolher o Honda é economizar R$ 1.534 nas revisões de 60 mil km. Pode parecer pouco dentro do universo de cada carro, mas a disputa entre os dois em tudo é tão intensa que qualquer mínima vantagem faria a diferença. E fez.

Civic Touring x A3 Sedan x Jetta

1º LUGAR – HONDA CIVIC TOURING

Civic Touring x A3 Sedan x Jetta

Nem a comemorada oitava geração seria capaz deste feito, mas se o novo Civic não seguisse à risca o resgate dessa memória não venceria o VW Jetta Highline. A versão Touring nada mais é do que a junção de todos os pontos que têm de ser positivos para alguém que escolhe um sedã, e foi criada para enfrentar os sedãs premium. Diferentemente de quem opta por um SUV porque, genericamente, quer se sentir mais seguro e com o espaço interno de uma Kombi, o dono de um sedã fica ligado na sofisticação, no desempenho e nas doeses de respeito e status o carro vai lhe transmitir instantaneamente.

Na nova geração ele é bom em tudo. Quem comprar um Civic, por exemplo, não precisará mais se preocupar com espaço. O porta-malas ficou imenso e o interior, como você já viu, é o maior entre os sedãs médios. Ao sentar ao volante, mais novidades lhe esperam. O painel de TFT já é uma tendência nos carros alemães sisudos, mas chegaram às massas pelas mãos dos japoneses. Em um tempo em que a tecnologia manda e desmanda nos anseios dos mais antenados, ter isso a bordo todos os dias é uma surpresa agradável para quem dirige.

Nos aspectos ergonômicos, só cabe a ressalva ao sistema de entretenimento. A Apple Car Paly e o Android Auto funcionam com primazia, mas trocar estações de rádio com o carro em movimento irritam até o maior defensor da invasão digital e tátil. É preciso ter carinho para não se irritar. Na outra ponta, a intuitividade da tela lembra a de um smartphone dos bons.

Civic Touring x A3 Sedan x Jetta

MAIS REALISTA QUE O REI

Passado o que não é a função de um carro, afinal eles foram feitos para rodar, o Civic surpreende na comparação com a dupla alemã. Se você sai de um circuito com o A3 e depois faz o mesmo percurso com o Honda, se sentirá em uma atmosfera igualmente boa. Mesmo com 18 cm a mais de comprimento, ele atinge a mesma velocidade de contorno em curvas e inclinação do A3, detentor de uma qualidade de construção que é manchete popular. A Honda também leva a vantagem da suspensão traseira independente, que em situações dramáticas ficará mais tempo apoiada no chão do que um conjunto com eixo de torção. A Honda colocou buchas hidráulicas na suspensão, reduzindo bastante o nível de vibração do conjunto.

As habilidades dele se estendem para o desempenho. Foi surreal vê-lo saltar na frente do Jetta nos primeiros metros e só depois ser ultrapassado com inegável sofrimento por parte do VW. Não, nós não gostamos do câmbio CVT e as notas deixam isso claro. Mesmo com um software bem ligeiro e excelente capacidade de tração, o Civic poderia entusiasmar aind amias se viesse com um câmbio convencional. Mas reclamar disso é ser mais realista do que o rei. Os números de desempenho desfazem qualquer preconceito para levá-lo até a sua garagem.

Os de consumo também. Apesar de não ser flex (o que para a Honda não é um problema, mas para nós é), ele compensa a falta de uma opção mais barata para abastecer com números muito bons se você levar em conta o quanto diverte. Porque, a bem da verdade, ele bebe tanto quanto o poderoso Jetta, mesmo com um motor meio litro menor. É o preço de quando se foge daquela vida sempre igual e se escolhe viver com mais intensidade.

Civic Touring x A3 Sedan x Jetta

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