Comparativo sedãs compactos

Por Gustavo Henrique Ruffo / Fotos: Leo Sposito - Publicado na edição nº 63 (mar/2013)

Um dos vídeos mais hilários da galera do “Porta dos Fundos” se chama Com quem será? e fala de uma festa de aniversário na firma (ponha as crianças na cama e veja a história no YouTube). Entre o vídeo e este comparativo, no entanto, há uma diferença fundamental: nós analisamos a fundo alguns dos principais sedãs compactos que estão nas lojas, incluindo o novo Prisma, para evitar que você tenha surpresas desagradáveis depois de assinar o cheque. Afinal, após a compra, não dá para voltar atrás apertando a tecla de retrocesso. Veja a seguir a história que preparamos para você.

Fiat Grand Siena

4ºQuando estreou, em 2012, o Fiat Grand Siena se tornou o bom problema para a Fiat. A marca não conseguia fabricar tudo que o mercado queria comprar. Ainda que este pareça ser um enguiço dos melhores, a Fiat teve de se virar para atender à clientela. O carro tinha presença, espaço e preço competitivo. Mas as coisas mudam e a concorrência não dorme no ponto.

Fiat Grand Siena boxSe a versão Essence tem um bom motor (1.6), a Attractive, que testamos, pena por trazer um 1.4 fraquinho para seus 1.094 kg. Coloque a família a bordo, carregue o porta-malas e perceba que o desempenho não está à altura do padrão do carro. Só com o motorista, ainda assim falta motor.

O porta-malas é generoso, tem 520 litros, mas o interior não é dos mais espaçosos. Fica devendo ao do Toyota Etios Sedan e ao do Chevrolet Prisma. Mesmo o do Volkswagen Voyage, com entre-eixos 4 cm menor, oferece nível de conforto parecido.

Fiat Grand Siena

Cantoria

Não bastasse isso, o prazer em dirigir o Fiat é limitado pela ergonomia metida a estrela, toda esnobe. O comando dos retrovisores elétricos fica distante das mãos, o banco abaixa pouco e agrava uma das características do carro: a posição de dirigir elevada. A coluna de direção é ligeiramente deslocada para a direita e isso leva o motorista a assumir posição cansativa depois de algumas horas ao volante.

O Siena também peca nas curvas. Os pneus, padrão para a categoria (185/65), gritam  mesmo em situações que não exigem tanto deles – possivelmente em consequência da calibragem de suspensão, mais macia. Esses inconvenientes, somados, colocaram o Grand Siena no final da nossa fila.

VW Voyage

3ºSe todos os sedãs deste comparativo fossem tão bons de dirigir quanto o Voyage, talvez o Volkswagen tivesse ficado na lanterna. Mas ele é o carro que mais se destaca nesse quesito. E foi isso que o levou a ser... o terceiro. Se parece injustiça, basta olhar a tabela de equipamentos, preço e tamanho do Voyage para começar a entender o resultado.

VW Voyage boxSua posição de dirigir, naturalmente mais baixa, é a melhor entre os quatro. Isso passa confiança em curvas, embora a suspensão não decepcione. No limite, ele sinaliza com saídas de frente absolutamente controláveis.

O motor 1.6 tem concepção já antiquada, mas ainda assim fornece a melhor disposição em acelerações e retomadas. Cobra por isso: o Voyage é o mais ruidoso do quarteto avaliado. 

VW Voyage

Cobra caro

Um dos méritos do VW é o fato de ser um dos poucos carros da categoria, ao lado do Grand Siena, a sair de fábrica com vidros verdes, termicamente mais confortáveis que os vidros transparentes usados pelas demais marcas – uma economia absurda diante dos benefícios entre um e outro vidro. O Voyage também é o único a ter direção regulável em altura e profundidade de série – e isso favorece a sua já boa ergonomia.

Entretanto, ele não vem com computador de bordo de série. Também não oferece ar-condicionado, rádio, vidros elétricos traseiros ou rodas de liga leve. É pobre pelo que cobra, por mais que o acabamento seja benfeito e que a construção agrade.

Para fechar a fatura, o espaço não é dos maiores e o porta-malas, de 480 litros, é o menor entre os sedãs reunidos aqui. Com isso, a proposta familiar que os sedãs compactos embutem fica prejudicada. Por mais que o Voyage seja o mais gostoso de dirigir. 

Toyota Etios

2ºQuem leu nossos comparativos anteriores deve ter achado que erramos ao dar o segundo lugar ao Etios Sedan. Bem, há um mundo de diferença entre o Etios e o Etios Sedan – eleito um dos nossos 10 Best 2013. O nome é o mesmo, mas o Sedan tem 9 cm de entre-eixos e 292 litros de porta-malas a mais. E vem com um eficiente motor 1.5, o mais forte.

Ainda não perdoamos as falhas, comuns às duas versões. A concepção antiquada do painel, de linhas retas e pouco atraentes, os instrumentos simples demais, como os de um carro de brinquedo, os bancos retos e sem apoio, a aparência externa, as caixas de roda sem revestimento e outros detalhes dão ao Etios ares de pobreza extrema. Mas quem deixar o preconceito de lado e quiser conhecer o carro mais de perto vai gostar do que encontrará.

Toyota Etios

Cumpridor

Comecemos pelo motor, um 1.5 bem-disposto e de concepção moderna. Ele tanto agrada quem gosta de acelerar quanto quem não é fã de visitas ao posto. O Etios Sedan foi o mais econômico do teste e não se saiu nada mal nas provas de desempenho. Foi o que freou melhor, o que teve as melhores retomadas... Também é o sedã que melhor acomoda passageiros e bagagens. E, apesar do banco de assento reto e do cinto sem regulagens de altura, ele é gostoso de dirigir, com uma suspensão digna de elogios.

Toyota Etios boxCom tantas qualidades (e não citamos a boa construção, característica dos Toyota), ele só não foi o melhor do comparativo porque é muito pobre. Não oferece computador de bordo ou retrovisores elétricos nem como opcionais, tem vidros brancos, um sistema de som que também parece saído dos anos 1990 e um estilo que não o ajuda em nada. A apresentação é fraca. Mas o recheio, acredite, é muito bom.

Chevrolet Prisma

1ºDo mesmo modo que o Etios divide com o hatch seus problemas, o Prisma também deve ao Onix suas falhas, especialmente as de ergonomia. O puxador das portas fica muito recuado, a regulagem do retrovisor elétrico fica distante e, nas portas traseiras, você tem de torcer para não precisar acionar os vidros. Brancos, para ajudar as revendas Chevrolet a vender quilômetros de película escura. O banco do motorista tem posição alta, que não é a mais agradável para dirigir rápido. Além disso, o sedã tem teto baixo, que torna o banco traseiro incômodo para o filho que treina basquete. Isso é basicamente tudo que desabona o novo sedã pequeno da Chevrolet.

Chevrolet Prisma

1.4 com louvor

Em sua versão LTZ, a mais completa, não há opcionais. Tudo vem de série, o que vai ajudar bastante a conservar o valor de revenda. O pacote é generoso: ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos nas quatro portas, retrovisores elétricos e, principalmente, MyLink, um sistema multimídia com tela sensível ao toque que leva a um modelo popular o mesmo tipo de comodidade que só modelos muito caros tinham à disposição. Será difícil a concorrência reagir a ele.

Chevrolet Prisma boxEm um comparativo com carros 1.5 e 1.6, como Etios e Voyage, o Prisma lutou com valentia pela honra dos 1.4. Ficou bem próximo do Toyota no 0 a 100 km/h e foi mais silencioso que ele e que o Volkswagen. Também empatou em consumo urbano com o japonês, melhor nesse quesito, e foi agradável de dirigir apesar da posição alta. Nas curvas, mostrou boa estabilidade e passa confiança para aqueles que quiserem testar os limites do motorzinho SPE/4.

Comparativo sedãs compactos
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