3º CHEVROLET CRUZE LTZ

Na encruzilhada

GOSTAMOS

É o sedã médio mais moderno da marcano mundo.

NÃO GOSTAMOS

Gasta mais combustível e anda menosque os concorrentes.

CONCLUSÃO

É moderno, sim, mas podia custar menos,beber menos e andar mais.

Só podemos aplaudir quando uma fábrica por aqui entra em sintonia com o que tem de mais moderno no mundo. Foi isso que a Chevrolet fez ao trocar o Vectra, por um modelo realmente novo, o Cruze. Ao lançar o carro, a marca anunciou que o sedã oferece o melhor custo-benefício entre os modelos médios e que é a opção com menor nível de ruído do segmento. Também exaltou o consumo e afirmou que o lançamento oferece uma excelente experiência ao volante. Não resta dúvida de que o Cruze é um dos carros mais modernos da empresa – não só no Brasil, mas também no mundo. Construído sobre a plataforma Delta II, a mesma do Volt, o problema, no entanto, foi ele ter demorado três anos para chegar ao País. Isso tirou o impacto de modernidade que o sedã poderia ter. Do mesmo modo que o Fiat Bravo, ele chegou já conhecido, especialmente diante de concorrentes de peso como o Hyundai Elantra e o Renault Fluence.

MAIS CARO
Com preço sugerido de R$ 78.900, a versão LTZ, a mais completa do Cruze, chega bem recheada de equipamentos, mas o Fluence oferece o mesmo pacote por R$2.910 a menos. O sedã francês também pode ter faróis de xenônio e teto solar elétrico (R$ 4 mil). Com isso seu preço salta para R$ 79.990. Em suma, não há conteúdo a mais no Cruze que justifique seu preço mais alto em relação ao Fluence. Só os ganchos ISOFIX, mas eles não custam tudo isso.

O Chevrolet também é mais caro que o Corolla XEi, mas, neste caso, a diferença de R$ 900 no preço se justifica. O Toyota é projeto mais antigo, tem menos recursos e está chegando ao fim de seu ciclo (em 2012 será apresentada a nova geração do modelo). É o Corolla que pode parecer caro, mas ele é mais forte e tem alguns luxos, como ar-condicionado digital, que o Cruze não tem.

O motor Ecotec 6 do carro vem da Hungria, é flex, tem duplo comando de válvulas variável (de admissão e de escape) e gera 144 cv e 18,9 mkgf. Houve estudo para modernizar o 1.8 fabricado no Brasil, mas o custo não compensaria. Mais do que isso, o Ecotec 6 tem coletor de admissão de geometria variável, que nenhum concorrente flex oferece. Pena a GM não ter convertido essa vantagem em benefício. O motor 2.0 do Corolla XEi, com duplo comando de válvulas variável, gera 153 cv e 20,7 mkgf com etanol. É verdade que o motor do Cruze é menor (1.8), mas ele não se destaca diante do 1.8 da Toyota. Também Dual VVTI, mas sem coletor de admissão variável, o motor japonês gera os mesmos 144 cv do Ecotec 6.

Na encruzilhada

PESO PESADO
Seria de esperar que o câmbio automático de seis marchas tornasse o Cruze mais esperto do que o Corolla. Não foi isso que constatamos na pista de teste. O Chevrolet ficou atrás do Toyota e de seu câmbio automático de quatro marchas. Explica-se: o Cruze é mais pesado, tem motor menor e seu câmbio não tem programa esportivo.

Na prática, isso se traduz em um carro pesado, que demora a reduzir marchas. Na pista de testes, esse tipo de impressão sempre é minimizada, pela falta de referências, mas, no trânsito urbano, é o tipo de comportamento indesejável em uma mudança de faixa, por exemplo. Diz a GM que a transmissão é adaptativa, mas, se ela se ajusta ao modo de dirigir do motorista, demora para demonstrar que aprendeu.

Embalado, o Cruze revela qualidades dignas de carro coreano, uma origem que ele não faz questão de esconder (nasceu como Daewoo Lacetti). A suspensão nem faz caso de piso ruim, como tivemos a chance de provar numa pista da GM especialmente criada para reproduzir nossos piores tipos de piso (os mais comuns).

Comparado ao Fluence (1 cv mais fraco, mesmo com motor maior), ele foi sutilmente melhor em aceleração e perdeu em retomadas. Também superou o Renault em frenagem, mas não em nível de ruído, quesito em que a GM esperava se sobressair – em nossas medições, o Cruze se revelou o menos silencioso do trio. Também foi o que mais gastou na turma, por uma diferença pequena. O Cruze veio ao Brasil exatamente como é no exterior. Se não é silencioso, completo ou econômico como a GM esperava, isso se deve a seu projeto. Diante disso, ele poderia ser pelo menos mais barato do que seus concorrentes, algo em que a filial brasileira tem toda a capacidade de interferir.